Futebol facilita negócios para executivos

A pouco mais de dois meses para o início da Copa do Mundo no Brasil, até quem não gosta de futebol não consegue evitar de falar –ou ouvir –sobre ele nos quatro cantos do Brasil.
O que nem todo mundo imagina é que, além de alimentar as conversas do dia a dia, o esporte também ajuda a fazer negócios. Pelo menos é nisso que acreditam 84% dos executivos ouvidos por uma pesquisa da Michael Page, realizada em parceria com Futebol Experience.
Foram consultados cerca de 460 profissionais, entre gerentes, presidentes, vice-presidentes e diretores de empresas. Do total, 56% disseram ter um alto envolvimento com o futebol.
Porém, quando questionado sobre se o esporte já ajudou em alguma negociação, a maioria dos respondentes disse que não – talvez porque 55% deles afirmaram nunca ter participado de um evento que envolvesse o futebol e o trabalho. Cerca de 87%, entretanto, falaram que gostariam de ir a encontros desse tipo, caso fossem convidados.
Uma maneira de usar o futebol como um catalisador de transações comerciais, segundo Sérgio Sabino, diretor da Michael Page para a América Latina, é a criação de solenidades pautadas pelo tema por parte da própria empresa.
Ele diz, porém, que não se trata apenas de convidar executivos de empresas parceiras para ver jogos. Sabino sugere criar uma estrutura voltada para o evento de networking e convidar craques renomados do esporte para comentar uma partida, por exemplo.
“Quando se consegue unir uma paixão comum fora do ambiente de negócios, acaba-se criando relações mais duradouras. As pessoas são muito genuínas quando falam de futebol. Elas desarmam”, diz.
Quanto à rivalidade, Sabino não acredita que ela seja problema. “As empresas devem trazer para o jogo os clientes que elas realmente conhecem, que saberão aproveitá-lo de maneira positiva”, afirma.

Engajando com
o futebol
Para Elton Moraes, gerente da consultoria de gestão Hay Group, o futebol e, em especial, a Copa do Mundo também podem ser instrumentos para trabalhar o engajamento da equipe de uma empresa.
Segundo ele, uma análise dos jogos e dos times pode ajudar a trabalhar o valor da liderança junto aos funcionários e servir de inspiração para projetos de alcance de metas, por exemplo.
O que não se deve fazer, conforme o executivo, é fingir que não há um campeonato mundial acontecendo lá fora. “Não dá para ingnorar uma cultura. Isso gera frustração”, afirma.
Moraes defende a liberação dos funcionários para assistirem aos jogos do Brasil (desde que planejada e comunicada antecipadamente) ou até mesmo a exibição das partidas dentro da companhia. “Pode ser um momento em que as empresas conseguirão fazer a integração entre as áreas. Mas é preciso lembrar que, mesmo em momentos de confraternização, todos têm obrigações a cumprir”, destaca.

Turista de negócios não gosta da Copa
Apesar de já começar a gerar novos negócios e servir como ‘cenário’ para costurar aproximações comerciais, há setores descontentes.
O evento deve trazer ao Brasil 600 mil turistas entre junho e julho. Mas nem todo o mercado está em festa. Grandes redes de hotéis afirmam que o número de hóspedes de negócios deve diminuir este ano por causa do torneio.
Comparado com um torcedor que acompanha a seleção de futebol do seu país, o turista que viaja a negócios paga tarifas mais altas, fica mais tempo no hotel e movimenta mais serviços da cidade, como restaurantes, intérpretes, motoristas.
Uma das explicações é o fato de que boa parte das empresas concentra verbas de marketing em ações ligadas à Copa do Mundo. Outros fatores que ajudam a explicar o fenômeno, segundo empresários, é a falta de quartos disponíveis nas cidades-sede e o aumento no preço das passagens aéreas
O empresário Roberto Rotter, presidente do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) acredita que o mercado de turismo de negócios deve ficar estagnado este ano, enquanto teve taxas de crescimento de 13% e 14% nos últimos dois anos.
“O mercado está falando em um blecaute no turismo de negócios em São Paulo que deve durar de 70 a 90 dias perto da Copa”, afirma Rotter. “Por causa da Copa devem haver poucos eventos corporativos ao longo do ano.”
A redução no movimento de homens de negócios devem ser sentidas em todas as capitais, segundo Rotter. “Talvez só o Rio não passe por isso. A cidade tem uma dinâmica de turismo diferente e já está se preparando para as Olimpíadas.”
Diretor-geral do Hotel Grand Hyatt São Paulo, Thierry Guillot diz que já percebeu essa tendência. “Por enquanto é só uma preocupação que nós temos. Boa parte dos nossos hóspedes são empresários que estão fazendo negócios em São Paulo. Esse ano, talvez a principal fonte de renda seja mesmo a Copa.”
Enquanto os gerentes de hotel reclamam, representantes de agências de viagens especializadas no público corporativo comemoraram. O presidente da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas), Edgar Bull, espera um crescimento acima de dois dígitos para o setor.
“Devemos ter menos eventos em junho e julho por causa da Copa, mas, em compensação, algumas reuniões estão sendo antecipadas. Em geral, quem trabalha com viagem corporativa percebe aumento no movimento após o carnaval. Este ano, o ritmo cresceu já na terceira semana do ano”, diz Bull.

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