No ano passado, a alta liquidez oferecida por bancos centrais e pelas baixas taxas de juros mundo afora impulsionou as bolsas de valores e aqueceu o mercado de fusões e aquisições. Em 2021, esta tendência continua e, de acordo com a empresa de consultoria Alvarez & Marsal, no primeiro trimestre, houve um aumento de 26% no número de transações em relação à média trimestral de 2020, além de um crescimento relevante em volume.

A expectativa é a de que, em 2021 e em um cenário otimista, a atividade de M&As, sigla em inglês para fusões e aquisições, pode crescer aproximadamente 25%. Em 2020 foram realizadas 1.151 transações, um crescimento de 11% em relação à 2019, com volume de 348 bilhões de reais movimentados. Indicadores divulgados recentemente nos Estados Unidos corroboram com esta projeção por confirmarem a lenta recuperação após a Covid-19, principalmente no mercado de trabalho, o que significa que os estímulos monetários e fiscais se manterão fortes por bastante tempo. Dessa forma, o excesso de liquidez incentiva ainda mais esses negócios.

“A quantidade de recursos levantada via IPOs é bastante significativa. Nos últimos dois anos, entre IPOs e follow-ons, foram cerca de 100 bilhões de reais para utilização primária”, diz Sussumo Eguti, diretor e co-líder de M&As da Alvarez & Marsall. “Isso impulsiona os M&As uma vez que companhias capitalizadas tem recursos suficientes para usá-los como ferramenta para consolidação de mercado”, diz ele.

O aumento da oferta de crédito também contribui com este aquecimento, uma vez que os valores captados via Equity (ações) podem ser alavancados por transações de dívida. Além disso, as captações de fundos de Private Equity e Venture Capital contribuem para a realização dessas operações com players financeiros. No médio prazo, as captações via SPACs (um novo modelo de investimentos, em que são emitidas ações de uma empresa sem atividade para que faça aquisições) também devem aumentar, pois já possuem um mercado bem desenvolvido nos EUA e está evoluindo em países emergentes como o Brasil.

Junto com o aumento do volume de transações, cresceu a competitividade entre os compradores uma vez que há um número limitado de empresas disponíveis com alto potencial econômico. Por isso, as operações de fusão e aquisição devem continuar ocorrendo com briga por preço e as boas oportunidades aparecerão em transações menos óbvias, que demandam customização para geração de valor. “Às vezes, o ativo tem uma complexidade, uma questão com credor que precisa ser resolvida antes da transação. Esse é um foco estratégico que companhias capitalizadas podem utilizar para gerar valor aos seus acionistas”, diz Eguti.

Uma característica própria das crises é o surgimento de empresas que tiveram mais dificuldades para atravessá-la e que veem no M&A uma saída para sanar as dívidas. Em muitos casos, isso ocorre com a venda de alguns ativos para melhorar a estrutura de capital, ou então por meio da venda para uma empresa maior e mais estruturada que têm interesse nas suas atividades.

Para a compradora, a fusão ou aquisição pode ocorrer como uma maneira de a empresa se expandir ou se verticalizar, como ocorreu com força na área de saúde, cujo crescimento foi impulsionado pela pandemia. A necessidade por se modernizar também vem impulsionando a compra de startups ligadas à Tecnologia e Informação.

Muito dinheiro para poucas ofertas

Apesar de haver um volume de liquidez grande circulando no mercado, há no Brasil uma escassez de empresas que já tenham preparo suficiente para receber investimentos. Isso ocorre principalmente nas fusões de Private Equity, mas também nas que procuram se capitalizar via entrada na bolsa de valores. Isso explica por que tantas empresas vêm desistindo de fazer seus IPOs após serem escrutinadas no roadshow e muitas que chegam à B3 estão com seus papeis desvalorizados. Vale lembrar que, por aqui, a lenta velocidade da vacinação contra a Covid-19 e ao risco fiscal também são fatores que pesam contra este mercado e tem pressionado o Ibovespa.

Setores aquecidos

De acordo com a Alvarez & Marsal, além de TI e Saúde, as M&As devem se concentrar no setor financeiro, de energia, imobiliário, de alimentos e bebidas, de educação, de óleo e gás e de transporte, de certa forma continuando o que foi observado no ano passado. Na área de educação, por exemplo, há um grande mercado a ser explorado no nicho escolar, ou seja, que abrange o ensino fundamental e o ensino médio.

Da mesma forma como ocorreu com a educação superior, em que grandes grupos educacionais se consolidaram em substituição a empresas menores e pulverizadas, há um espaço grande para um player que seja um consolidador desse mercado. “Algumas companhias estão fazendo isso, mas em comparação com o ensino superior o seu tamanho ainda é menor”, diz Eguti. “Existe uma demanda reprimida muito grande por educação no Brasil, de pessoas que podem colocar o filho em uma escola privada. Porém este é um setor ainda bastante fragmentado e há uma tendência de consolidação do setor, tanto das escolas quanto das instituições de ensino que criam material didático ou métodos para às escolas.”

Foto/Destaque: Divulgação

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email