Fundação Alfredo da Matta, 65 anos de bons serviços

As comemorações eram para ter acontecido no dia 28 de agosto, quando a Fuam (Fundação Alfredo da Matta) completou 65 anos, mas por conta da pandemia do coronavírus, ocorreu por todo o mês de outubro e encerra hoje.

“Embora estejamos passando por um período difícil, seguimos com as comemorações por acreditarmos que a instituição merece, mais ainda, que os servidores merecem”, explicou Ronaldo Amazonas, diretor presidente da Fundação.

Outubro iniciou com o acolhimento especial aos pacientes. De 13 a 16 foram realizadas atividades lúdicas para os pacientes nas salas de espera; de 19 a 23 foram exibidos vídeos diversos, incluindo um em homenagem à Fuam, com apresentação musical conduzida pelo maestro e professor da Escola Superior de Artes e Turismo da UEA, Adroaldo Cauduro; no dia 26 ocorreu o Seminário Científico Prêmio Paic Fuam/Fapeam; e no dia seguinte, o Seminário Científico Prêmio Dr. Alfredo da Matta. Ontem, 29, foi realizado o Seminário Avaliação das Ações de Hanseníase no Estado do Amazonas, com representantes dos municípios que, juntamente com a equipe da Fuam, executam as ações do Programa de Combate à Hanseníase no Estado do Amazonas e ainda aconteceram homenagens a servidores falecidos, com descerramento de placas em ambientes diversos da instituição.

Fechando a programação, hoje acontecem dois momentos solenes. Pela manhã, a partir das 9 horas, no Centro de Convenções Vasco Vasques, será realizada cerimônia com lançamento de vídeo institucional da Fuam, premiação dos vencedores dos prêmios Paic, Dr Alfredo da Matta e do concurso da nova marca da Fuam, realizado em julho.

Também neste evento serão lançados um Guia Científico, o Informe Institucional, álbum de mesa sobre hanseníase, além de cartilha para usuários, com informações sobre os serviços oferecidos pela Fuam. O evento será encerrado com homenagem a servidores e autoridades. 

À noite, às 18h, o Teatro Amazonas será palco de uma homenagem à instituição, com apresentação do Corpo Artístico da Secretaria de Cultura aos convidados e servidores da Fundação, além de um espetáculo da Orquestra de Violões.

O início, na Casa Amarela

A História da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia ‘Alfredo da Matta’ está relacionada com a evolução da hanseníase na Amazônia, em particular no Amazonas. Pesquisas datadas do período de 1800, apontam a preocupação em registrar pacientes portadores da hanseníase e buscam meios para amenizar a doença.

No século seguinte, médicos e a Inspetoria de Higiene, dirigida pelo Dr. Alfredo da Matta tomaram várias medidas saneadoras, dentre as quais a criação de locais que segregavam os hansenianos. A resistência em entregar os doentes pelas famílias eram muitas, mas a Inspetoria colocou em prática o Código de Posturas, que os obrigava a se apresentarem e punia os parentes com multas e até prisão. O local que identificava oficialmente os pacientes portadores de hanseníase era a Casa Amarela, na Cachoeirinha, bairro em que as estatísticas apontava com maior número de casos. Depois de identificados eram remetidos para a Colônia Antônio Aleixo. Na Casa Amarela trabalhavam renomados médicos e técnicos e a equipe contava com a ajuda das Irmãs Franciscanas de Maria. Em 28 de agosto de 1955 a Casa Amarela foi transformada no Dispensário Alfredo da Matta.

Os trabalhos da instituição tiveram um marco importante na década de 1970, quando foram iniciados estudos para a desativação da Colônia Antônio Aleixo. Em fevereiro de 1975, o Serviço de Profilaxia da Lepra no Estado do Amazonas passou a ser de responsabilidade do Ministério da Saúde / Serviço Nacional da Lepra. Foi firmado um convênio de cooperação entre o Governo do Estado e o Ministério da Saúde com objetivo de desenvolver novas metas discutidas.

Em 24 de novembro de 1982 o Dispensário passou a ser denominado Centro de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta; em 21 de dezembro de 1988, Instituto de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta; e em 30 de dezembro de 1998, Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta.

A partir da década de 1970 o Alfredo da Matta ampliou seus tratamentos para DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e, na década seguinte, especializou-se no acompanhamento de pacientes com aids.

Entre a medicina e a política

Alfredo Augusto da Mata nasceu em Salvador, em 18 de março de 1870, onde se formou em Medicina, em 1893, se especializando em medicina tropical, profilática e dermatológica.

Em 1894 estava trabalhando no Lloyd Brasileiro, quando se estabeleceu em Manaus.

Na capital amazonense, Alfredo da Matta foi diretor do Departamento de Saúde Pública do Estado, no governo de Antônio Clemente Bittencourt (1908-1910), quando se dedicou, juntamente com João de Miranda Leão e Wolferitan Thomas, ao combate dos mosquitos que se alastravam pela cidade. Obtiveram sucesso após três meses de trabalho. A ação foi reconhecida e elogiada pelo sanitarista Oswaldo Cruz.

Entre 1916 e 1922, o baiano foi deputado estadual. Ainda em 1921 foi nomeado inspetor federal do Serviço Sanitário Rural, além de diretor do Serviço de Profilaxia da Lepra e Doenças Venéreas, exercendo os cargos até 1930.

Foi um dos quatro candidatos eleitos senadores pelo Amazonas, em 1935, e participou dos trabalhos constituintes até 1937, quando as instituições legislativas foram extintas com implantação do Estado Novo (1937/1945) por Getúlio Vargas. Foi reeleito deputado estadual em 1945.

Alfredo da Matta teve mais de 200 artigos publicados em revistas científicas nacionais e estrangeiras, além de inúmeros trabalhos científicos. Foi casado com Zulmira Martins de Meneses, com quem teve um filho e, mais tarde, com Maria Madalena Mavignier Oliveira da Mata, com quem teve quatro filhos.

Morreu em Manaus, em 3 de março de 1954. No ano seguinte a Casa Amarela, já como Dispensário, recebeu seu nome.

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