Funcionários soldam as portas da fábrica em protesto

Mais uma vez, a Cosmoplast é alvo de notícias nada positivas. Como um déja vú, o cenário permanece o mesmo e as reclamações também, a falta de pagamento salarial. Desta vez, além de paralisar a indústria, tanto a matriz quanto a filial foram soldadas, literalmente, para impedir a retirada de mercadorias.
“Estamos apreendendo o que tem de faturamento”, afirmou Pedro Júnior, funcionário da Cosmoplast há 10 anos.
Em janeiro, os funcionários reivindicaram os salários atrasados de dezembro, a volta do plano de saúde, o recebimento do 13º e o repasse do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Os representantes do Sindplast (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Material Plástico de Manaus) também pressionaram pelo aumento do piso salarial, com a soma de mais R$ 90 aos R$ 605 contratuais.
De acordo com o presidente da entidade, Francisco Brito, as reclamações da época foram acatadas, mas agora, a circunstância mudou. Isto porque não havia nenhum responsável da diretoria na fábrica, logo quando o pagamento dos atrasos havia sido marcado para a manhã de sexta-feira, 8, segundo o diretor do sindicato, Tibúcio Silveira. O Jornal do Commercio procurou a gerência da empresa, mas não obteve retorno.
Brito comenta que mesmo sem pagar seus funcionários, a empresa estava faturando. Contudo, o valor era repassado para São Paulo. Assim, a soldagem dos portões é uma estratégia para que não saia nenhum produto da fábrica e os diretores sejam obrigados a retornar e pagar o salário atrasado.
O dirigente também ressalta que foram demitidos cerca de 200 empregados neste ano, os quais ainda não obtiveram a rescisão do contrato. Atualmente, mais de 500 trabalhadores compõem o setor produtivo da fábrica. “A folha de pagamento deve dar aproximadamente R$ 800 mil”, avaliou.
No momento da denúncia, o oficial de justiça, Manoel Cardoso, compareceu à filial para lacrar o galpão. Segundo ele, a empresa quebrou acordos com a Justiça e não pagou o aluguel, por isso, há uma ordem de despejo.
De acordo com Brito, uma das máquinas da filial custa cerca de R$ 3 milhões e, para removê-la, é necessário quase R$ 100 mil. Além disso, alguns funcionários reclamaram que a indústria já levou quase meio R$ 500 mil nessas duas semanas, o que seria suficiente para pagar seus débitos.

Dúvidas e preocupações

No caso do restante do PIM (Polo Industrial de Manaus), a paralisação pode gerar dúvidas e preocupações. Entretanto, o presidente do Simplast (Sindicato da Indústria de Materiais Plásticos do Estado do Amazonas), Carlos Monteiro, afirma que não haverá grande impacto, até mesmo porque a fatia de mercado da Cosmoplast já está bem pequena. “Os clientes estão desviando suas demandas para outras empresas, procurando outros fornecedores”, destacou.
O mecânico Pedro Júnior salienta que haviam 12 clientes fortes em negócio com a empresa, mas estes teriam finalizado seus contratos devido a má gestão. Carlos Monteiro fala que não há como interferir na administração, em virtude da falta de comunicação das dificuldades à entidade.
Hoje, há 78 empresas do segmento no Polo que ainda possuem espaço para produzir, segundo o presidente do Sinplast. Destas, 35 são destinadas a injeção de componentes plásticos, o mesmo ramo da Cosmoplast.

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