Funcionário de Alfredo constrói casa de R$ 2,1 milhões no DF

Afastado do cargo junto de mais três servidores do Ministério dos Transportes após uma denúncia divulgada pela revista “Veja” no último final de semana, o engenheiro civil Mauro Barbosa da Silva, até a semana passada chefe de gabinete do ministro Alfredo Nascimento, está construindo uma mansão em Brasília com três pavimentos e 1.300 metros quadrados. A denúncia foi divulgada na edição desta quarta-feira (06) pelo Jornal Folha de São Paulo em matéria assinada pelo jornalista Rubens Valente.
Em entrevista divulgada hoje na internet pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, que revelou a obra, Silva disse que a construção custará cerca de R$ 2,1 milhões e que reuniu o dinheiro a partir de três fontes: um empréstimo de R$ 400 mil na Caixa Econômica, outro no Banco do Brasil, em valor não revelado, e a venda de um apartamento seu no valor de R$ 1,5 milhão.
Corretor de imóveis na região do Lago Sul consultado pela Folha foi ao local da obra e estimou que apenas o terreno valha hoje entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão. Considerando um acabamento final apenas mediano, o valor da casa, segundo o corretor, ficaria em cerca de R$ 4 milhões.
Silva, de 45 anos, filiado ao PR de Goiânia (GO), engenheiro civil formado em 1990 pela Universidade Católica de Goiás, é servidor público desde 1994.
Antes de assumir o cargo comissionado nos Transportes, Silva atuou no antigo Controle Interno do Executivo, atual CGU (Controladoria Geral da União), para onde deverá retornar após sua saída dos Transportes –até terça-feira (5) à tarde, Silva não havia procurado a CGU, segundo a assessoria de imprensa.
A casa que está sendo construída por Silva fica na QL 26, conjunto 8, a pouco metros do Lago Paranoá, num dos setores mais valorizados da região sul de Brasília.
De acordo com certidão emitida a pedido da Folha pelo cartório do 1º Registro de Imóveis de Brasília, o terreno foi adquirido por Silva e sua mulher por R$ 600 mil no dia 10 de novembro de 2009, quando ele já trabalhava no Ministério dos Transportes. Ele entrou na pasta em agosto de 2002.
A Folha esteve ontem no canteiro de obras da casa. Um dos operários informou que há pelo menos 25 colegas em atividade no local, e que a obra começou no ano passado.
O projeto da casa inclui piscina com hidromassagem e pelo menos três suítes. Estuda-se a necessidade de um elevador para ligar os três pavimentos.
O engenheiro responsável pela obra, Rodrigo Gabriel da Silva, disse que apenas Silva poderia dar informações sobre a construção.
Procurado desde terça-feira à tarde, o ex-chefe de gabinete de Nascimento não deu retorno aos telefonemas feitos pela Folha à sua casa.
Foram deixados recados em sua casa e também na assessoria de comunicação do Ministério dos Transportes.

Fórum liderado por petistas quer os culpados na cadeia

Diante da situação do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, o Fórum Estadual de Combate à Corrupção, entidade que congrega organizações dos movimentos sociais, populares e sindicais, manifestou-se afirmando que apoia a realização de auditoria nos contratos e atividades do ministério. O Fórum tem, entre seus membros os deputados José Ricardo Wendling (estadual) e Francisco Praciano (Federal) do PT – que marchou junto de Alfredo durante campanha para governo do Amazonas no ano passado. O Fórum diulgou nota pela qual “veio a público apoiar a auditoria a ser realizada pela CGU (Controladoria-Geral da União) sobre as licitações, contratos e execucões de obras sob a responsabilidade do Ministério dos Transportes”. Por meio da nota, o Fórum alegou que “são graves as denúncias de irregularidades divulgadas pela imprensa relativas a superfaturamento de projetos, obras e desvio de conduta, como a cobrança de propina, onde figura como principal suspeito do esquema nada menos do que o presidente de honra do PR (Partido da República), Waldemar da Costa Neto”.
“A posição manifesta pelo fórum não se trata de julgamento antecipado contra os agentes públicos”, como diz a nota. E continua: “também não acreditamos que o afastamento e a demissão de funcionários ligados ao gabinete do ministro Alfredo Nascimento, possa resolver de forma definitiva a crise aberta com as denúncias”.
O Fórum de Combate à Corrupção não se limitou a elogiar as investigações e ‘pediu a cabeça’ do ministro republicano. “Consideramos ainda, para o bom desenvolvimento dos trabalhos da auditoria, que o ministro Alfredo Nascimento se afaste do cargo. Isto porque, segundo a denúncia da Revista Veja, o PR dividia a propina paga pelas empreiteiras entre o Diretório Nacional (60%) e as bancadas estaduais (40%) onde as obras do Ministério dos Transportes eram executadas”. Com isso, o PR e Alfredo Nascimento têm mais um sinal de distanciamento do PT. A nota enviada pelo Fórum finaliza pedindo que os culpados sejam punidos com rigor e pedem ‘cadeia’ para os corruptos. “Como expressão do sentimento popular e sindical e de combate a corrupção no Amazonas e no país, exigimos a apuração isenta das pressões ministeriais e que, uma vez confirmadas as irregularidades, os cofres públicos sejam ressarcidos e os responsáveis colocados na cadeia”, diz a nota.

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