Frutas geram alimento e renda

Bagaço, semente, óleo, cascas e fibras que geralmente iam para o lixo, passaram a gerar renda a partir de pesquisas ou mesmo usando formas tradicionais de aproveitamento. No Amazonas se difundem novas técnicas e usos para aproveitar até 100% de um fruto. Um dos produtos que mais traz a possibilidade de reaproveitamento é o açaí (Euterpe precatória), do qual se utiliza praticamente tudo. O fruto extraído é vastamente explorado no mercado local, gerando negócios rentáveis e especializados. Já da semente, surgem artesanatos, peças e acessórios que geram renda a diversas comunidades.
O açaí, um dos frutos amazônicos mais apreciados pelo sabor, foi o tema da pesquisa ‘Usos da palmeira de açaí (Euterpe precatória) por agricultores familiares na comunidade Novo Paraíso, Benjamin Constant (AM)’, apresentada na 65ª Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Recife (PE), pela estudante do Ifam (Instituto Federal do Amazonas), campus de Tabatinga, Alana Garcia. Na pesquisa, Alana Garcia demonstrou as várias utilidades do açaí e do açaizeiro, do uso do estipe (caule) para pequenas construções ao aproveitamento das sementes para artesanato.
A pesquisa foi orientada pelo professor de Infra-estrutura Rural do Ifam – Tabatinga, Dirceu Silva “o Amazonas dispõe de frutos de múltiplo uso. A pupunha já é usada para extração do palmito e farinha. Encontramos herbáceas que servem de alimento, medicina popular e ornamentação. Muito do que aprendemos vem do conhecimento tradicional dos povos da Amazônia, o que já é explorado por eles, pode ser melhorado. Precisamos de mais pesquisas nesse campo, evitando o descarte de resíduos e gerando renda”, explica o professor, que ainda citou pesquisas interdisciplinares entre engenharias rurais e de pesca, para o total aproveitamento.

Resíduos como biocombustíveis

Ainda na 65ª Reunião da SBPC, mais uma pesquisa chamou a atenção, os resíduos amazônicos como alternativa na produção de biocombustíveis, foi o tema do trabalho ‘Prospecção de cepas fúngicas amazônicas para aproveitamento de subprodutos da cadeia produtiva de biodiesel visando compostagem e produção de biocombustível de segunda geração’, desenvolvido pela pesquisadora da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), Antônia Souza.
Segundo a pesquisadora, foram analisados dez tipos de resíduos da região, dentre eles a casca e o caroço do cupuaçu, a casca e a semente do maracujá, as cascas da macaxeira, do urucu, do coco, do guaraná, resíduos de pau-rosa e o bagaço da cana-de-açúcar. Os levantamentos foram realizados nos municípios de Maués, Barcelos e Presidente Figueiredo.

Ingredientes para ração animal

Outro exemplo é projeto iniciado há 10 anos pela Cupuama – Cupuaçu do Amazonas Ind. Com. e Exp. Ltda, que prevê o aproveitamento do resíduo do despolpamento de frutos regionais, um material de baixo ou nenhum valor comercial produzido em grande quantidade pela empresa. Esses resíduos serão utilizados na elaboração de ingredientes para ração de peixes, considerando que o Estado do Amazonas não produz nas quantidades necessárias, resíduos agrícolas utilizáveis como ingredientes de ração, tais como o milho, a soja e outros produtos tradicionais usados na alimentação animal.
A ração produzida com adição dos resíduos, já está a dois anos no mercado, como conta a sócia da empresa, Fátima Sales “começamos com a ração para peixes e expandimos para caprinos e bovinos. Com esse projeto conseguimos aproveitamento total de nossas fábricas de polpas de frutas. O que resta da indústria alimentar, de ração e cosmética, é usado na compostagem, para o adubo de nossas plantações.”
A Cupuama trabalha com polpas de frutas, extração de óleos para a indústria de cosméticos (maracujá) e na utilização do cupuaçu para a fabricação do “cupulate” (alimento com o mesmo gosto, mesma textura e mesmas calorias que seu parente famoso, o chocolate).

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