13 de abril de 2021

Francisco Praciano lança candidatura

Eleito com 177 mil votos nas últimas eleições, dos quais 140 mil obtidos em Manaus, o deputado federal Francisco Praciano (PT-AM) decide colocar o bloco na rua e anuncia a sua intenção de disputar a prefeitura municipal em 2012

Eleito com 177 mil votos nas últimas eleições, dos quais 140 mil obtidos em Manaus, o deputado federal Francisco Praciano (PT-AM) decide colocar o bloco na rua e anuncia a sua intenção de disputar a prefeitura municipal em 2012. Para ele, Manaus não possui saneamento, o sistema de transporte não é tratado como prioridade e os problemas da cidade não podem ser resolvidos de forma imediatista, vinculados à Copa do Mundo 2014. Na sua opinião, a ZFM é um modelo que precisa ser revisto e se transformar em polo exportador. “Não podemos repetir o ciclo da borracha”, adverte.

Jornal do Commercio – O Partido dos Trabalhadores terá candidato próprio nas eleições municipais do próximo ano em Manaus ? Quem será esse candidato?
Deputado Francisco Praciano – Eu sou candidato. Fui vereador da cidade em quatro mandatos, me envolvi, durante esse tempo, com serviços públicos essenciais como água, transporte coletivo, educação, estudantes. Adoro minha cidade. Logicamente, quem faz política e tem quatro mandatos de vereador e um de deputado federal, quer nova experiência. E eu diria, sem nenhum medo, que gostaria bastante de inovar na administração da minha cidade.
JC – A sua candidatura seria do tipo puro sangue ou teria um arco de alianças?
FP – Por enquanto, eu sou só um candidato, tenho dito isso, sou um pré-candidato e dependo da vontade do povo e do PT.
JC – Nenhuma conversa com o governador Omar Aziz ou com o senador Eduardo Braga. Afinal, todos eles apoiam o governo federal …
FP – Não faço alianças com ninguém e advogo uma aliança fora do esquema dos partidos que tradicionalmente têm dirigido a cidade.
JC – O seu nome está posto. Quais os principais problemas da cidade de Manaus ?
FP- Manaus é uma cidade sem infraestrutura, é zero por cento com relação ao tratamento de esgoto, a cidade não tem saneamento.
JC – E o sistema de transporte?
FP – É um outro gargalo que depende de vontade política. A cidade tem um sistema viário difícil, o trânsito está muito complicado. A solução na direção de um sistema de transporte inteligente, rápido, não é fácil. Mas, tem uma coisa que precisa ser bem definida na política do município: o prefeito entender que o transporte é um serviço essencial que tem que ser tratado com prioridade. E, depois, o prefeito tem que entender que o transporte coletivo é essencial e que a prefeitura é a dona do serviço, é o poder concedente. Hoje nós não vemos autoridade da prefeitura em relação ao sistema de transporte. Quem manda é o empreiteiro. Há que ter uma parceria com o empreiteiro, mas quem manda é o município. Essa falta de autoridade faz Manaus possuir um dos piores e mais caros sistemas de transporte do país.
JC – Está correto o planejamento da cidade para a Copa do Mundo de 2014?
FP – Eu não trabalho muito com Copa do Mundo, acho que ela é necessária, mas não acho que a gente tem que estruturar o serviço da cidade em função de poucos dias de Copa, até porque eu não conheço nenhum dinheiro vindo de fora. Se a Copa do Mundo fosse importante pra estruturar o serviço, a gente ia aproveitar o dinheiro da Coca-Cola, da FIFA, o dinheiro dos empresários, a gente ia aproveitar esse dinheiro pra estruturar Manaus, mas não. Estão fazendo um estádio de seiscentos milhões na base do empréstimo, empréstimo junto ao BNDES para uma cidade que não tem futebol profissional. O Estado vai pagar isso aí. Transporte coletivo, BRT, qualquer que seja o sistema, vai ser dinheiro do município de Manaus. Então, nós não temos que vincular as necessidades de Manaus à Copa do Mundo. Seja bem-vinda a Copa, espero que as pessoas que administram os projetos para a Copa sejam rápidas e que a cidade melhore, mas temos que dizer que o dinheiro é público, não há dinheiro particular, os gastos são muito altos. Acho que a cidade de Manaus, de imediato, merece o velho sistema chamado Expresso, ou BRT como chamam por aí, um sistema bem estruturado.
JC – Que tratamento merece a Zona Franca de Manaus a partir de agora?
FP – A Zona Franca precisa ser imediatamente revista, precisa de mais quarenta anos. É uma grande luta que enfrentamos no Congresso Nacional onde São Paulo tem setenta parlamentares. Some isso com Pernambuco, Bahia e a representação dos Estados do Sul, que competem muito com a nossa Zona Franca, nossa bancada é pequenininha. A bancada do Norte é pequena e desunida. Então, essa questão não vai depender de força de bancada, vai depender do governo federal. Só assim a Zona Franca de Manaus conseguirá manter uma sobrevida, até que a gente estruture a ZFM para um outro paradigma, um outro modelo de industrialização. As fronteiras estão sendo abertas, precisamos desenvolver tecnologia, precisamos de universidade que faça treinamento e qualificação de mão de obra massiva, precisamos aumentar nossa competitividade e sermos um polo exportador. Mas, não nos preocupamos com nada disso, somos simplesmente montadores, não temos hoje uma tecnologia gerada pelas universidades daqui, pelas faculdades daqui, pelos laboratórios, pelos institutos de pesquisas, tecnologia essa que deveria estar hoje no mercado. Precisamos aprender com a história, não podemos repetir o ciclo da borracha.
JC – Enquanto isso, o governo federal contingencia mais de 1 bilhão de reais da Suframa, dinheiro que poderia ser investido em um parque tecnológico.
FP – É uma coisa de longo prazo. A gente não cria laboratórios e institutos de pesquisas só com dinheiro, a gente precisa hoje aumentar o número de doutores, o número de engenheiros, precisa qualificar mão de obra, tudo coisa de longo prazo. São quarenta e quatro anos de Zona Franca e nós temos o terceiro maior aeroporto de carga do Brasil, o Aeroporto Eduardo Gomes. Se você for lá, as mercadorias que saem da Zona Franca, via aérea, estão em baixo de lona, na pista. E também não temos porto. Então, 1 bilhão de reais é pouca coisa e, além do dinheiro, precisamos de tempo e planejamento para desenvolver nosso modelo.
JC – O futuro da Zona Franca, então, é complicado e pode ficar pior considerando os problemas percebidos no projeto de reforma tributária em discussão no Congresso Nacional.
FP – É preciso ter cuidado com a reforma tributária, pois temos que manter as vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus de qualquer maneira. As vantagens comparativas em relação aos produtos feitos em Manaus têm que ser garantidas nos centros consumidores do país. E a reforma tributária tem vários aspectos, tem o aspecto de redução de impostos, de redução da burocracia, mas a ZFM não pode perder suas vantagens comparativas. Temos que lutar para transformar a ZFM em uma espécie de Vale do Silício com laboratórios das empresas que funcionam aqui desenvolvendo tecnologias e aumentando competitividade pra manter o modelo.
JC – Vale do Silício não seria otimismo e sonho demais ?
FP – É preciso que a gente pense nessas coisas, no Vale do Silício. Quem vai acabar com a Zona Franca de Manaus não é decreto, quem vai acabar com a Zona Franca é a falta de consumidor, pela falta de competitividade. Vejamos que a China é um grande parceiro do Brasil hoje e o governo federal jamais fechará as portas para a China em nome da Zona Franca de Manaus, não vai, não. Então, a abertura de fronteiras, com produtos a baixo custo, é o nosso maior perigo.

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