Forno, fogão, televisão e mídias sociais

Há uma tendência que já ultrapassou a fase do modismo que é a arte culinária levada à mídia. Proliferam no Brasil e no mundo, programas de televisão que demonstram o preparo de comidas aplicando novas técnicas às antigas receitas. Há cerca de trinta anos, o senhor Hans, que passara a vida inteira gerenciando hotéis pelo mundo fazia uma previsão nada auspiciosa. Dizia em no futuro não teríamos mais cozinheiros e sim meros abridores de lata. Realmente, muitos dos ingredientes que, na época, tinham de ser trabalhados na cozinha, hoje são encontráveis num invariável padrão em supermercados e casas especializadas.

As normas de segurança alimentar já não permitem o abate de animais em perímetro urbano onde costumam estar os restaurantes e a grande massa dos consumidores. As carnes, e aqui incluímos aves, suínos, bovinos e peixes, são vendidos nos cortes desejados, seguramente embalados e conservados na temperatura necessária. Também verduras e temperos, que há alguns anos eram comprados in natura, hoje podem ser adquiridos congelados ou em pó nas quantidades que atendem qualquer necessidade. Muitos deles apenas precisam ser aquecidos. As latas já são substituídas por outras embalagens. O cozinheiro não.

Contudo, um chef de cozinha deve preparar suas receitas exclusivamente com produtos já padronizados por indústrias? A maioria deles não responde com um sim ou um não. Todos os que cozinham gostam de deixar uma assinatura pessoal em seus pratos, onde as origens não são desprezadas. Consideram puritanismo exacerbado não utilizar os produtos disponíveis no mercado em formatos inimagináveis na época que conversava com o senhor Hans. Em outras palavras: preservar as origens não significa desprezar o moderno.

As pessoas que trabalham com comidas, e aqui podemos incluir donas de casas e até executivos que gostam de pilotar fogões em ocasiões especiais, procuram aprender cada vez mais sobre a arte da culinária. Felizmente, essa avidez também está atingindo os jovens que, por tradição de família ou gosto pessoal, estão procurando cursos de melhoramento de técnicas e de conhecimento. Escolas de níveis técnico e superior têm suas vagas esgotadas sem muito esforço. 

 Há professores de cursos pontuais que são badalados como outros ídolos de televisão, cinema ou futebol. Lojas especializadas, supermercados e até de equipamentos recorrem a estes professores para promover vendas. Porque muitos desses demonstradores trabalhem em restaurantes, suas aparições na mídia também promovem as suas casas. Talvez este glamour esteja despertando nos jovens o amor por essa profissão que não sabemos quando começou, mas que, desde a descoberta do fogo, está sendo aprimorada.

Patrocinadores de vulto também já acordaram para essa nova divulgação. O horário limitado da televisão está sendo compensado pela repetição das receitas em mídias sociais, também repetindo as marcas patrocinadoras. O apelo é tão forte que, até pessoas com formação acadêmica diferente, ingressam na cozinha, preparando-se para isso. As opiniões de profissionais que indicam determinado utensílio são levadas em conta pelos iniciantes. Preparo de facas, utilização de panelas, fogões, churrasqueiras e eletrodomésticos são as recomendações mais constantes. Não é só falar, é preciso demonstrar. 

O bom aprendizado pode revelar sabor, economia e apresentação primorosa.

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