“Formar documentaristas é uma necessidade cultural”

Na próxima segunda-feira (27) a Amacine dará início a mais um curso, desta feita, uma oficina de documentários. Para falar mais sobre o curso, o Jornal do Commercio entrevistou o cineasta Júnior Rodrigues, o Z Leão, diretor da Amacine, que aproveitou para falar do Minicurso de Cinema, que acontecerá em julho, e do Festival do Minuto, que ocorrerá em outubro, no Amazonas e em Roraima, resultados duradouros de um projeto que iniciou há 16 anos.

Jornal do Commercio: Por que realizar uma Oficina de Documentário?
Júnior Rodrigues: Existe uma carência de documentaristas no Estado e um vasto campo de temas para serem desvendados sobre a Amazônia. Formar documentaristas é uma necessidade cultural.

JC: Após a Oficina o participante já estará preparado para fazer o seu próprio documentário?
JR: Depois de uma semana de módulo teórico com conhecimentos sobre roteiro, técnicas de entrevistas, direção de fotografia, produção de temas e tipos de documentário o participante estará preparado para assumir seus próprios projetos.

JC: Quais os quesitos básicos para se fazer um documentário?
JR: Encontrar motivação ou uma inquietação em um tema forte, personagens com boas e novas histórias pra contar. E se precisar de um empurrãozinho a Amacine cede os equipamentos de áudio, luz, câmera e edição para a produção da obra.

JC: Em Manaus não tem praticamente ninguém documentando a história da cidade.
JR: Algumas pessoas até conseguem produzir algumas obras quando forçados por um trabalho de faculdade, mas documentaristas temos o Aurélio Michiles e muitos estrangeiros com sua visão de fora pra dentro e distorcendo tudo.

JC: O que você diria para alguém que queira se dedicar à profissão de cineasta?
JR: Aprimore-se. Cinema não é uma câmera na mão e uma história na cabeça… Existe muita técnica em jogo até conseguir desenvolver satisfatoriamente a linguagem.

JC: Fale sobre o próximo Festival do Minuto.
JR: De 4 a 15 de outubro o Festival acontecerá no Amazonas e Roraima. Serão realizadas as oficinas em três municípios do Estado. Os alunos do Curso de Cinema realizado pela Amacine já estão produzindo filmes para o Festival.

JC: E sobre os próximos cursos promovidos pela Amacine.
JR: De 25 de julho a 7 de agosto, acontecerá o Minicurso de Cinema. Serão duas semanas de módulo teórico de roteiro, direção, interpretação, produção, direção de arte, figurino, continuidade, câmera digital e direção de fotografia. Ao final os alunos produzirão seus próprios filmes de um minuto para o UM Amazonas 2016.

Praticando a inclusão social

A Amacine Futuros Cineastas (Associação de Mídias Audiovisuais e Cinema do Amazonas) é um coletivo de audiovisual criado em 2000 para formar profissionais, produzir suas obras e depois exibi-las.
“Começamos com oficinas de cinema gratuitas em 2000 e fizemos o primeiro filme-escola chamado “Boca da Noite”, de 12 minutos. Nesse formato foram realizados mais três curtas metragem. Depois vieram as oficinas de cinema para produção de filmes de um minuto, exibidos em 2002 no primeiro Festival Um Amazonas, que em 2011 realizou a sua 10ª edição nacional”, conta.
Em 2005 a Amacine criou o Curta Quatro, para exibição de filmes de quatro minutos. “Os nossos festivais são realizados com as três dinâmicas para formação de profissionais no audiovisual: oficinas de cinema, concursos de roteiros e festivais para suas exibições. Hoje, passados 12 anos, a Amacine já realizou mais de 150 oficinas de cinema gratuitas em Manaus e 18 municípios do Estado, já ultrapassando as nossas fronteiras, chegando a Rondônia e Venezuela, oferecendo oportunidade à realização de filmes para aproximadamente 3.500 pessoas e já produziu mais de 800 filmes de 1 minuto, 300 filmes de 4 minutos, 50 curtas metragem e documentários”, revelou.
O projeto de cinema amazonense foi pensado para, em um trajeto de dez anos, formar dez cineastas, que seriam os propulsores do cinema local. “Porém, já superamos essa meta e temos mais de 400 pessoas trabalhando no audiovisual amazonense”.
Em 2007 o Amacine realizou uma mostra de filmes de quatro minutos para deficientes auditivos, em Manaus. Em 2008 uma mostra com 60 filmes de um minuto legendados em português e com linguagem de libras para 200 escolas e/ou entidades afins em todos os 27 Estados do Brasil. Em 2011 foi realizada a 3ª Mostra “Cinema Além da Imagem”, que exibe filmes de um minuto, quatro minutos e curtas com audiodescrição, libras e legendas em português. “São enviados 100 kits para todas as secretarias estaduais de educação e entidades afins de todo país. O público sem deficiência vai assistir aos filmes com venda, para terem a mesma sensação do público alvo. Já produzimos curtas metragens tendo deficientes auditivos e visuais como atores. Nosso objetivo é nos tornarmos um produto audiovisual que pratica a inclusão social”, afirmou Z Leão.

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