2 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)
Cheques estão em 15% das transações - Região Norte apresenta maior valor médio da modalidade no país

O uso de cheques caiu 25 pontos percentuais nos últimos três anos e representa hoje 15% das transações do comércio de Manaus. Números que já foram muito superiores anos atrás, antes da popularização do cartão de crédito. Em 2010 a média de transações envolvendo cheques era de 40%, e foi ainda mais representativa anteriormente, segundo a CDLM (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus). No entanto, segundo o presidente da CDLM, Ralph Assayag, a ideia é incentivar o uso desta modalidade de pagamento, em virtude das menores taxas de pagamento que ela propicia aos lojistas.
“Os cheques trazem um problema para o comércio que é a alta inadimplência. Mas as pesquisas demonstram que isso vem diminuindo e as vantagens quanto às taxas são grandes. Quando o lojista passa o cartão ele paga de 3% a 6% de percentual para a operadora do cartão quando vende a mercadoria. No cheque não há essa taxa”, destaca. Segundo Ralph, estão sendo preparados folders pela CDL para mostrar aos lojistas e consumidores quanto custa cada modalidade de pagamento, de forma a incentivar o maior uso da modalidade.
No entanto, segundo o próprio presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Manoa, as formas de se atuar com o cheque precisam ser revistas. A taxa de inadimplência da região Norte é hoje a maior do país, fechando o ano com uma taxa de 3,19%, enquanto no resto do país a taxa é de 2,16%. “Precisa haver uma releitura da maneira como se trabalha. Se não der a garantia para o lojista, o banco arcar com a conta, como cheque especial, ou uma empresa garantidora por trás, não há muito futuro, pois o risco da inadimplência é muito grande”, comenta. A própria CDL disponibiliza hoje um serviço chamado de cheque garantido. O cliente liga, faz um cadastro e quando vai efetuar a compra liga e a CDL dá um código que garante o cheque, com ou sem saldo.

Ticket médio
Empresa que trabalha a nível nacional com análise de crédito para pagamentos com cheques, a TeleCheque, afirma que hoje há uma mudança na forma como as pessoas utilizam o cheque, e que a modalidade, embora venha sofrendo redução no número de transações efetuadas vem apresentando grande crescimento nos valores médios utilizados. Na região Norte o valor médio utilizado em cheques é de R$ 1.925, ante 1.253 registrado em 2011. Mais que o dobro observado no resto do país, que apresenta um valor médio de R$ 804 nas transações. Segundo o diretor de Crédito e Risco da TeleCheque, Walter Alfieri, o ticket médio de compras com cartões de crédito não chega a R$ 200, “valor quase 10 vezes menor ao observado nas compras com cheque no Norte”, destaca.
Walter Alfieri explica que o cheque hoje não é visto como forma de pagamento, mas como instrumento de crédito, e é utilizado para compras maiores, para não comprometer o limite de crédito do consumidor no cartão, que normalmente possui valores baixos. “Observamos isso nos últimos anos e é uma tendência. No Norte os números são ainda mais expressivos devido ao crescimento dos principais segmentos onde o cheque atua, normalmente como financiamento de motos, entrada de veículos nacionais e importados, material de construção, crescimento forte da construção civil que se desenvolveu muito”, explica.
Os números reforçam essa visão. Apesar do grande crescimento nos valores, a quantidade de transações na região sofreu um decréscimo de 31%. A tendência agora é de que haja uma estabilização tanto nos valores médios, quanto na quantidade de transações. “Isso demonstra realmente como mudou a forma de se utilizar o cheque fortemente. Reduziu a quantidade, mas está se posicionando em outros segmentos. E agora essa nova tendência está se concretizando e devemos ter variações menores nos próximos anos”.
Walter justifica a maior inadimplência encontrada no norte, justamente em virtude do maior valor agregado que as transações na região disponibilizam. “As contas no Norte acabam sendo parcelada em 10 ou 12 vezes. No resto do país a média não chega a seis parcelas. Quanto mais tempo pagando, maior a chance de acontecerem imprevistos. Mas não há uma diferença expressiva em relação as outras regiões na questão da inadimplência”, comenta.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Anúncio

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Siga-nos

Notícias Recentes

JC Play

Podcast

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email