Fora Petrobrax, Petrobras já

Foi preciso uma pandemia para o mercado petrolífero brasileiro mostrar a cara de um governo que se diz ‘nacionalista’, mas, na realidade, escreve PETROBRAX ao grande patrimônio nacional e amazônico, a Petróleo Brasileiro S.A., nossa PETROBRAS.

A história do Brasil e da Amazônia devem incomodar muito o Governo Bolsonaro/Mourão. Do ‘integrar para não entregar’, nossos experientes militares comandam, passivos, a privatização dos nossos ativos petrolíferos na Amazônia.

Entregam nossas terras amazônicas à governança multinacionais, as mesmas que destruíram o rio Doce e que, não fosse uma barragem, destruiriam o rio São Francisco.

Senhores militares no Governo, ‘VALE’ a pena?

A notícia da venda de nossos ativos petrolíferos na Amazônia não foi surpresa. Foi anunciada aqui, neste jornal, alguns meses atrás. Não era uma questão de ‘se’, mas, de ‘quando’.

A ‘mão invisível’ do mercado funciona assim.

Aproveita as fragilidades do momento, especialmente quando um presidente da República perde a autoridade de governar a partir da prisão de seu ‘velho amigo’ de caserna. Imaginem se o ‘velho amigo’ resolve contar as verdades da história…

Um grande amigo da PETROBRAS, Ricardo Latgé, compartilhou no grupo de redes sociais que participo, imagens do jornal Diário Hora do Povo, de setembro de 1993, com reportagens realizadas com o geólogo Guilherme Estrella.

As chamadas das reportagens eram e são até hoje autoexplicativas: “Tirar petróleo a 1.000 m de profundidade no mar é como mandar o homem à lua”; “O que a Petrobras está fazendo no mar, a 1.000 m de profundidade, são marcos da engenharia mundial”; “Tecnologia é um negócio que tem cor, tem bandeira e está ligado à soberania das nações”.

Parafraseando Guilherme Estrella, o ‘pai do pré-sal’, pois conduziu por muitos anos a área de Exploração e Produção da PETROBRAS, não estamos só vendendo nossas reservas do pré-sal amazônico no Amazonas: estamos ENTREGANDO um negócio que tem tecnologia com a cor da floresta em pé; tem bandeira verde, amarela, azul e branca; e está ligada à soberania da Amazônia brasileira.

E isso caros leitores e leitoras, chama-se História.

Ninguém fez isso no mundo. Somente nós.

Uma história construída na Amazônia a várias mãos, visíveis, presentes e humanas, de cientistas, ambientalistas, políticos, trabalhadores, funcionários públicos, amazônidas… legitimados pelo sentimento mais nobre de fazer a diferença econômica e de desenvolver com sustentabilidade o maior território brasileiro de floresta que nos resta.

Em nome dos geógrafos brasileiros Aziz Ab’Saber (1924-2012) e Bertha Becker (1930-2013), nossa gratidão eterna às contribuições científicas de excelência que fizeram do case amazonense Urucu benchmarking à indústria petrolífera mundial. Talvez seja por isso que coube ao Brasil e aos brasileiros a governança sobre a maior parte do bioma Amazônia na América do Sul.

Pelos mesmos motivos, presenciamos com esperança e expectativa, a decisão estratégica da Petróleo Brasileiro S.A. na virada do Século XXI, de retomar as atividades de sua Unidade de Gestão Amazônia, em Manaus. Nestes 20 anos, mesmo com tantas turbulências, o Amazonas e a Sociedade Amazonense cresceram muito.

Mas, já passou da hora, senhores presidente e vice-presidente, de o Brasil se conectar à história do seu território nacional localizado acima do paralelo 7º Sul.

Vosso governo não pode aceitar passivo, a PETROBRAX agir como se fosse um outro país dentro do Brasil. Assim, age o capitalismo selvagem e financista na economia globalizada.

Se as Nações mundiais construíram suas riquezas em detrimento de seus recursos naturais, a Amazônia não pode e não irá reproduzir os mesmos erros históricos do “Brasil do Tratado de Tordesilhas”; da corrupção das capitanias hereditárias e políticas; da perda irreparável da Mata Atlântica; da moralidade de troca e do positivismo “Ordem e Progresso” sem escrúpulos, bem como, de um militarismo ‘passivo’, e, por isso, covarde.

Cabe ao Estado intervir no interesse comum do usufruto sustentável dos recursos naturais da União.

No passado recente, como urubus carniceiros (ou, seriam ‘tucanos’?!), aproveitaram a fragilidade política do Governo Dilma para destruir a vocação estrutural da Lei de Partilha (Lei 12.351/2010) que dotava o Estado brasileiro de orçamento público, um Fundo Social à Educação e Saúde, com a anuência do Congresso Nacional.

Instalados hoje na diretoria da PETROBRAX, os mesmos representantes financistas atuam e agora dão o xeque-mate, com o aval do ministro da Economia, Paulo Guedes, aproveitando a vulnerabilidade política da presidência da República, cada vez mais refém do oportunismo central da funesta moralidade de troca do Congresso Nacional, diante do clima de impeachment.

Parabéns ao economista e deputado estadual Serafim Correa, como decano da Assembleia Legislativa do Amazonas, pelo protagonismo em encampar a discussão política do tema deste artigo.

Se faltam energia e liderança às nossas autoridades no Estado, talvez alguém, com seus cabelos grisalhos, que viveu a história do Amazonas, de governos autoritários e civis, possa desenhar melhor ao governo federal e à Petróleo Brasileiro S.A. o papel do Estado na mediação de conflitos, em especial, quando se trata de soberania na Amazônia.

A história distinguirá os covardes dos corajosos; os que lutam, dos que se refugiam nos gabinetes parlamentares e do Planalto Central. Mesmo de ‘mãos invisíveis’ sabemos quem são nossos inimigos.

Conclamo a todos, sociedade civil e autoridades, que levantemos nossas vozes, escritos e inteligências contra este crime de lesa-pátria que comete a PETROBRAX. É urgente, Senhores e Senhoras, combater o bom combate, à luz do conhecimento e da verdade que nos libertam, sem ideologias, fazendo a história do Amazonas ser respeitada e valer a pena.

*Daniel Borges Nava é Geólogo, Analista Ambiental e Professor Doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia

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