O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgou o relatório ‘Índice de Desperdício de Alimentos’, que aponta que 931 milhões de toneladas de alimentos vendidos para residências, varejistas, restaurantes e outros serviços alimentícios foram para o lixo em 2019.

O peso do desperdício de alimentos equivale a aproximadamente 23 milhões de caminhões de 40 toneladas cada um, totalmente carregados. Colocados em fila daria para circunda a terra sete vezes. Para chegar a essas conclusões o ‘Índice de Desperdício de Alimentos 2021’, do PNUMA, analisou as sobras alimentares que ocorrem nos pontos de venda, restaurantes e residências, considerando as partes comestíveis e não comestíveis, como ossos e conchas.

O relatório constatou que em quase todos os países o desperdício de alimentos mensurado foi considerável, independente do nível de renda das pessoas, e a maior quantidade desperdiçada veio das residências, que jogaram fora 11% dos alimentos que foram adquiridos para o consumo familiar. Já os serviços alimentares e os estabelecimentos de varejo desperdiçaram 5% e 2% respectivamente. Para se ter uma ideia mais clara do desperdício, em nível global, 121 quilos de alimentos são jogados fora por cada um de nós durante o ano, sendo 74 quilos descartados no ambiente doméstico.

As consequências de todo esse desperdício de comida são inúmeras, impactando no meio ambiente e provocando problemas sociais e econômicos. Do ponto de vista ambiental é comprovado que esse alimento descartado provoca emissão de gases que contribuem para o chamado efeito estufa. Nas questões sociais e econômicas 690 milhões de pessoas foram afetadas pela fome no ano de 2019 e esse quantitativo irá aumentar com a COVID-19, sem falar que 3 bilhões de pessoas não passam fome, mas não tem condições de ter uma dieta considerada saudável. Lembrando que uma dieta saudável influencia na saúde da pessoa.

Uma informação chama atenção no relatório, por muito tempo de acreditou países desenvolvidos eram os que mais desperdiçavam alimentos, mas podemos perceber que isso não é uma verdade. No Brasil, de acordo com o estudo, cada pessoa desperdiça 60 kg de comida por ano, o que resulta em 12,5 milhões de toneladas de comida jogada no lixo anualmente. Os países que apresentam as maiores quantidades de desperdício são China que desperdiça 91,6 milhões de toneladas, Índia 68,7 milhões de toneladas, Indonésia 20,9 milhões de toneladas, Estados Unidos 19,3 milhões de toneladas, Paquistão 15,9 milhões de toneladas, México 11,9 milhões de toneladas, Bangladesh 10,6 milhões de toneladas, Etiópia 10,3 milhões de toneladas, Filipinas 9,3 milhões de toneladas e Egito 9,1 milhões de toneladas. Fácil notar que não são somente os países desenvolvidos que desperdiçam grandes quantidades de alimentos.

Como comida tem relação direta com a fome o Brasil por conta da COVID-19, que atualmente vem provocando quase 4 mil mortes diárias, está diante de uma fórmula perfeita para o caos. Inflação alta, desemprego, ausência de um auxílio emergencial com valor apropriado e baixo índice de vacinação conduze uma parcela da população de volta ao que se vivia até 2014, uma realidade de fome. O Brasil deixou o chamado Mapa da Fome em 2014, que de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), ocorreu por conta do amplo alcance do programa Bolsa Família, ao reduzir a pobreza em 15% e a extrema pobreza em 25%. Infelizmente o Brasil deve voltar a figurar na geopolítica da miséria no balanço referente a 2020.

O chamado Mapa da Fome é um estudo feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação global de carência alimentar. Quando a subalimentação atinge 5% ou mais da população de um país este passa a fazer parte do Mapa da Fome. Venezuela, México, Índia, Afeganistão e várias nações africanas fazem parte desse triste mapa referente ao ano de 2019.

Diante dessas informações que apontam um desperdício de milhões de toneladas de comida no Brasil e da existência de milhões de brasileiros que estão passando fome fica uma sensação de que poderíamos, através de uma corrente solidária, ajudar inúmeras pessoas. Sabemos que já existem inúmeras organizações e iniciativas que recolhem alimentos para doação aos necessitados, mas precisamos sempre acreditar que podemos ajudar mais ainda. Os números provam isso, pois como um país que desperdiça milhões de toneladas de alimentos pode ter tantas pessoas passando fome?

Mais consciência, mais solidariedade, mais cidadania, mais humanidade, mais amor e menos fome.

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