Não bastassem os contratempos e prejuízos que causa à economia do país, a burocracia excessiva do Estado brasileiro também afeta o desenvolvimento das ciências e da tecnologia, um segmento básico para o progresso das nações neste século. Na época da economia globalizada, a geração de conhecimento passou a ser o fator fundamental para provocar o desenvolvimento da sociedade e o enriquecimento das nações.
O resultado da ação nefasta da burocracia na área científica é a espera de pelo menos seis meses entre a chegada de um produto importado e sua liberação alfandegária para o pesquisador, segundo enquete feita em junho passado pela Sociedade de Biologia Experimental com 100 cientistas de 14 instituições. Há alguns meses, enquete semelhante da Sociedade Brasileira de Neurociências com 50 pesquisadores concluiu que 64% deles esperavam no mínimo seis meses para receber o material importado.
Existem, entre muitos, um exemplo emblemático: em 2005, uma máquina essencial para a realização de um estudo na Universidade Federal de Pernambuco sobre uma vacina terapêutica contra a Aids ficou durante um ano retida na Receita Federal porque a assinatura do doador francês, que já havia morrido, não estava “autenticada”.
É muito tempo em qualquer situação, mas é mais grave na área da pesquisa biológica. O reagente pode estragar, a máquina pode ficar obsoleta, observou em outubro do ano passado a bióloga Mayana Zatz, quando liderou um grupo de pesquisadores que entregou um documento ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, contendo queixas contra o excesso de papéis e de exigências burocráticas para a importação de material cientifico. “Lá fora, os cientistas iniciam a pesquisa dias após terem uma idéia; aqui, levamos meses, às vezes anos”, queixou-se a bióloga naquela ocasião. Cientistas se queixam de que, muitas vezes, gastam mais tempo resolvendo pendências na área alfandegária do que com suas próprias pesquisas. “Somos cientistas, não despachantes”, reclama a professora da USP Silvana Górniak.
O resultado dessa postura irracional é o atraso na pesquisa científica de ponta no país, que retarda a geração de conhecimento e inovação, além da má imagem do Brasil que se forma junto à comunidade científica. Casos como os relatados acima constituem “um vexame internacional”, diz Mayana Zatz.

Reflexão

O burocrata da fiscalização, na maioria das vezes, é frio, insensível, distante dos reais interesses da nação, que só enxerga a aplicação inflexível das normas (muitas vezes irracionais) da função fiscalizadora –herança de uma cultura ibérica, cartorial, hipertrofiada no longo período em que a economia nacional esteve fechada para o mundo, isolada do comércio internacional. O ranço que ainda persiste, refletido no autismo e na alienação de muitos fiscais, é sério entrave para que o Brasil possa conquistar um lugar no mundo desenvolvido. Contudo, não será tarefa fácil eliminá-lo, implica em mudança da cultura organizacional do universo da fiscalização. Tratados econômicos regionais poderim facilitar a transição. Se a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), por exemplo, tivesse sido concretizada -o que não ocorreu, em grande parte, em razão da má vontade dos negociadores brasileiros–, poderia ter ajudado no processo.

Entraves burocráticos

De acordo com avaliação do IFC (International Finance Corporation, braço financeiro do Banco Mundial), São Paulo –logo após Manaus– é a segunda pior cidade brasileira para iniciar um negócio. A conquista do primeiro lugar no campeonato dos entraves burocráticos para abrir empresas é uma péssima propaganda para a ZFM. Contrasta com as decantadas vantagens que diz oferecer aos investidores. De fato, a burocracia excessiva é o nosso calcanhar-de-aquiles.

Hiroshima e Nagasaki

Há 62 anos, aconteceu o bombardeio de duas cidades japonesas com artefatos atômicos, o que pode ter antecipado o término da Segunda Guerra Mundial. A tragédia marcou a chegad

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