Set-top box (II)

Na coluna de hoje, damos continuidade à questão das set-top boxes iniciada na sexta-feira passada. Ante as críticas que vêm sendo veiculadas na grande imprensa do Sul do país, com base em declarações de alguns integrantes do governo sobre os altos preços que estão sendo praticados pelas empresas do PIM, entidades representativas das classes empresarial  trabalhadora que atuam no Amazonas enviaram carta ao presidente da República cujo teor é transcrito a seguir:   

Manaus, 17 de dezembro de 2007.
Excelentíssimo Senhor
Luiz Inácio Lula da Silva
DD Presidente da República Federativa do Brasil
Palácio do Planalto
Brasília, DF
 
Senhor Presidente,
 
Cumprimentando Vossa Excelência em nome da classe empresarial que atua no PIM (Pólo Industrial de Manaus), tomamos a iniciativa de enviar esta carta para apresentar esclarecimentos sobre a questão do set-top box para uso nos atuais televisores, a fim de possibilitar-lhes a recepção de sinais digitais.

 1. No PIM já são produzidos equipamentos similares há longo tempo, em larga escala (5 milhões de unidades/ano), voltados exclusivamente para TV a cabo e TV por satélite, com modelos de negócio diferentes porque são vendidos diretamente às operadoras. 

2. O set-top box para o televisor com recepção de sinal digital da TV aberta com telas CRT (tubo de imagem), LCD ou Plasma é um equipamento de mesma natureza porém com agregação de tecnologia de última geração desenvolvida especificamente para atender o mercado brasileiro em razão de o governo ter feito a opção por um padrão sofisticado próprio.

3. No sistema de TV Digital definido pelo governo – diferente dos sistemas existentes no mundo, inclusive do sistema japonês que serviu de base ao adotado no país por indicação dos pesquisadores nacionais e aceito pelo governo –foram incorporados avanços tecnológicos que não existem nos demais sistemas. No sistema brasileiro destacam-se as tecnologias de compressão de vídeo H.264, compressão de áudio e interatividade através de um sistema de “middleware” desenvolvido localmente.

4. A robustez de sinal e a mobilidade foram outras características exigidas. O número de canais a serem recebidos também foi aumentado em relação ao de outros sistemas, iniciando a recepção em VHF e aumentando o número de canais em UHF (inicia no canal 7 VHF e vai até o canal 69 UHF).

5. Por essas razões, o sintonizador e o conjunto de chips para demodulação, decodificação e tratamento de sinal tiveram que ser especificamente desenvolvidos para um produto totalmente novo, com tecnologia pioneira. Além do hardware, todos os softwares para essas funções também foram objeto de desenvolvimento exclusivo. Deve ser ainda ressaltado que esse desenvolvimento, de última geração, foi feito em prazo recorde enquanto as especificações eram definidas.

6. Tendo em vista tratar-se de um produto novo, com demandas iniciais muito pequenas, não se pode comparar seus preços com os de outros que usam tecnologias já sedimentadas, com larga escala de produção no mercado mundial. Espera-se que, com a implantação do sistema em outras regiões além da cidade de São Paulo, os custos de produção possam diminuir progressivamente com o crescimento da demanda, tornando o set-top box mais acessível aos segmentos de menor poder aquisitivo.

Senhor presidente queremos ressaltar que o setor industrial apóia integralmente a decisão do governo de adotar um padrão brasileiro de transmissão digital e continuará empregando todos os esforços para reduzir os preços do set-top box no prazo mais curto possível.
Na expectativa de termos prestado a Vossa Excelência os esclarecimentos que julgamos necessários, reiteramos nossos cumprimentos.

Atenciosamente,
(assinam os presidentes da Fieam, Cieam, ACA, Fecomercio, Faea, Sinaees, Simplast e CUT)
   Com texto semelhante, também serão enviadas cartas aos ministros das Comunicações e da Ciência e Tecnologia.

Esta coluna é publicada às quartas, quintas e sex

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