15 de abril de 2021

Follow-Up EMPRESARIAL – Declínio da educação

É triste – e deveras preocupante – o declínio da educação no Brasil. A edição de 2010 do “Relatório Educação para Todos”, da Unesco, rebaixou a educação brasileira do 76º para o 88º lugar na classificação geral.

É triste – e deveras preocupante – o declínio da educação no Brasil. A edição de 2010 do “Relatório Educação para Todos”, da Unesco, rebaixou a educação brasileira do 76º para o 88º lugar na classificação geral. O ranking, relativo a dados de 2007, baseou-se em um índice composto de quatro subindicadores: atendimento no ensino fundamental, taxa de alfabetização de adultos, igualdade entre meninos e meninas no acesso à escola e proporção de alunos que completam a quarta série – a chamada “taxa e sobrevivência”.

Estamos atrás dos países mais pobres da América Latina, como Paraguai, Equador e Bolívia. Em termos de alfabetização até que vamos relativamente bem, mas depois a coisa vai piorando cada vez mais. Basta observar que a repetência média na América Latina e no Caribe é de pouco mais de 4% enquanto no Brasil é de quase 19%.

É um cenário que deveria esfriar o ufanismo infantil que se instalou no país. A verdade é que ainda somos uma nação de quase 200 milhões de pessoas, com grande contingente de pobres, com crianças que brincam nas águas poluídas dos esgotos e das enchentes, com famílias soterradas pelos desabamentos de casas cuja segurança nunca preocupou os órgãos públicos, com jovens assassinados nas vias públicas, favelas ou condomínios de luxo, com transporte público e assistência médica deploráveis e qualidade de vida urbana que deixa muito a desejar.

Somos reféns da bandidagem organizada e nossos pobres doentes e velhos morrem nos corredores de hospitais públicos, enquanto nossos políticos apostam para ver quem é o mais esperto e mais corrupto. A impunidade campeia, principalmente entre os ricos e poderosos. E agora chega a notícia que há muito já sabíamos: continuamos péssimos em educação.

Será que temos realmente interesse na educação do povo? Na falta dela, o boi-bumbá, o futebol e o carnaval – que demonstram a criatividade e a dedicação da população quando algo lhes interessa – funcionam como válvulas de escape para frustrações e recalques. Os governos e os políticos – representantes eleitos da sociedade – desejam de fato que a população se eduque? Isso não lhes iria prejudicar a carreira política? Trata-se, em nossa opinião de um problema tão ou mais grave que as questões ambientais.

Arrogantes, pretensiosos, nossos líderes julgam (equivocadamente) que estamos à frente da maioria dos países emergentes. Esquecem as desigualdades gritantes e o atraso científico (decorrente da péssima educação básica que ministramos aos nossos jovens) com que nos posicionamos no mundo. Quanto de nosso orçamento vai para educação e cultura? Qual o interesse de nossos dirigentes em ter um povo efetivamente educado, que pense criticamente, consciente e bem informado, não só de seus deveres e direitos, mas dos deveres dos homens públicos que os dirigem e do que poderia ser melhor para este país cheio de contrastes, de sofrimento e de desilusão?

Como observou a escritora gaúcha Lya Luft, que durante 10 anos exerceu o magistério em nível universitário: “Por que nos contentarmos com o pior, o medíocre, se podemos ter o melhor e não nos falta o recurso humano para isso? Quando empregarmos em educação uma boa parte dos nossos recursos, com professores valorizados, os alunos veem que suas ações têm consequências, como a reprovação – palavra que assusta alguns moderníssimos pedagogos, palavra que em algumas escolas nem deve ser usada, quando o que prejudica não é o termo, mas a negligência. Tantos são os jeitos e os recursos favorecendo o aluno preguiçoso que alguns casos chegam a ser bizarros: reprovação, só com muito esforço. Trabalho ou relaxamento têm o mesmo valor e recompensa”.

Não houve nenhum país que tenha alçado o patamar do desenvolvimento sem ter antes resolvido o problema educacional da população. Apesar do auto-engano inserido na propaganda oficial, pelo menos em educação temos condições de integrar um dos capítulos do famoso livro da historiadora Barbara Tuchman: “A Marcha da Insensatez”.

Processador fotônico

Segundo uma notícia recente, um processador fotônico baseado em fenômeno recém-descoberto poderá operar simultaneamente com inúmeros canais de luz, com cores diferentes, elevando exponencialmente sua capacidade de cálculo. Pesquisadores da Universidade de Toronto descobriram novos comportamentos da luz no interior de cristais fotônicos que poderão ser explorados para a construção de processadores ópticos que superam largamente os atuais processadores eletrônicos, com a vantagem de não ter superaquecimento. “Descobrimos que, ao esculpir um vácuo artificial específico no interior de um cristal fotônico, podemos controlar inteiramente o estado eletrônico dos átomos artificiais dentro desse vácuo”, diz Xun Ma, que fez a descoberta sob orientação do Dr. Sajeev John. “Esta descoberta poderá viabilizar a construção dos computadores fotônicos, que são [potencialmente] mais de cem vezes mais rápidos do que seus equivalentes eletrônicos, sem os problemas de dissipação de calor e outros gargalos atualmente enfrentados pela computação eletrônica”, acrescenta.

O avanço da ciência é extremamente veloz no mundo em que vivemos. Para que o Brasil possa alcançar o patamar dos países produtores de conhecimento científico de ponta, no estado da arte, precisará dar um salto de qualidade gigantesco em seu sistema educacional, hoje de padrão extremamente baixo. Se tiver êxito em melhorar drasticamente, e com rapidez, seu sistema educacional, tendo em vista a conhecida criatividade (e outras qualidades potenciais) do povo brasileiro, o Brasil terá chance de em poucas décadas equiparar-se aos grandes países geradores de conhecimento científico. Mas não será fácil, o caminho é árduo.

Esta coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras e é elaborada sob a coordenação do economista, Ronaldo Bomfim.
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