10 de abril de 2021

Folha de pagamento salarial

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal travam uma batalha silenciosa por esse mercado em que o maior perdedor é o Tesouro, controlador das duas instituições

A disputa pela administração da folha de salários de prefeituras e governos estaduais deixou de ser exclusivamente entre bancos privados e públicos, virando problema de governo.

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal travam uma batalha silenciosa por esse mercado em que o maior perdedor é o Tesouro, controlador das duas instituições.
Em outubro, a Caixa pagou R$ 87,4 milhões para obter, por cinco anos, o controle da folha de pagamento do funcionários da Prefeitura de Porto Alegre.

Para fechar o contrato, o banco cobriu a proposta do BB. Como as duas instituições são federais, no fim das contas a União pagou mais para desbancar ela própria na disputa.

Nenhum dos dois bancos confirma o valor desembolsado a mais. Sabe-se apenas que a proposta vencedora foi “significativamente” superior à do BB. Como instituições públicas, BB e Caixa não entram nas licitações feitas por prefeitos e governadores, processos que têm mais transparência. Os contratos fechados são negociados diretamente, o que abre espaço para acertos políticos.

Segundo a Folha apurou, Porto Alegre não é o único caso. A ameaça de trocar o BB pela Caixa, de acordo com um integrante da equipe econômica, vem se tornando instrumento de barganha de prefeitos que já têm contrato fechado com o BB e pleiteiam novos benefícios. O BB tem contrato com mais de 100 prefeituras e 12 Estados. A Caixa acertou com 154 prefeitos e dois governadores.

Próprio veneno

Com a disputa, o BB, acusado pelos concorrentes privados de ser favorecido nas negociações com Estados e municípios, estaria provando do próprio veneno. A insatisfação do BB com a situação já chegou ao controlador e gerou debate no governo sobre a situação.

Por ter ações em Bolsa, avalia-se na área econômica que o BB não pode ser impedido de entrar em disputas com a Caixa, porque isso seria interpretado como ingerência política prejudicial a minoritários.

Assim, alegam, caberia à Caixa (controlada 100% pela União) brigar com o BB para não encarecer o contrato. O problema, segundo a Folha apurou, é que não há definição clara sobre o papel da Caixa em mercados competitivos.

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