Fogo amigo entre vereadores incendeia sessão plenária da CMM

O vereador Rodrigo Guedes (PSC) voltou, ontem, a incendiar a sessão plenária da CMM (Câmara Municipal de Manaus) ao criticar os mais de R$ 39 milhões destinados pelo município para a construção de um novo anexo do Legislativo – um empreendimento desnecessário num momento em que a população é sufocada pela alta da inflação e sente os impactos do aumento da gasolina nos preços dos alimentos, segundo ele.

Dirigindo-se aos colegas, Guedes tascou. “Se formos consultar a população, com certeza 100% dirão que a obra é desnecessária. Não é isso que o povo quer. Nada impede que esses recursos sejam devolvidos à prefeitura para atender demandas na educação, saúde e outros serviços básicos de extrema necessidade”, protestou o vereador que têm acirrado os ânimos com seus discursos polêmicos da tribuna.

O fogo amigo se estendeu aos outros 40 vereadores da Câmara. Todos viram como uma grande ousadia, uma petulância, a defesa de Guedes, vendo a proposta como uma espécie de ‘traição’ aos demais membros da Casa.

A tensão aumentou ainda mais com a intervenção do vereador Davi Reis (Avante), presidente da CMM, que obteve a solidariedade dos demais colegas. “Jamais aceitaria um projeto que não fosse necessário para a Casa. Temos que melhorar a infraestrutura para os vereadores receberem melhor a população. É um projeto que vem de outras legislaturas e que só agora será construído”, argumentou ele.

Guedes disse que David Reis marcaria a história do Legislativo se decidisse mandar de volta o dinheiro para a prefeitura. “Vossa excelência entraria para os anais históricos dessa Casa se tomasse uma decisão tão corajosa como essa”, defendeu o vereador.

Em resposta, Reis disse não ter a pretensão de entrar para a história, mas sim cumprir uma iniciativa que tem o apoio dos outros 40 vereadores da CMM. “Vossa excelência disse que seria construído um puxadinho. Nada disso. É um projeto para receber os 51 novos vereadores que virão nos próximos anos, como diz a constituição”, afirmou.

Rodrigo Guedes disse que em nenhum momento se referiu à palavra ‘puxadinho’. E questionou Reis, que respondeu. “Perdão, só repeti o que vossa excelência teria dito durante uma entrevista a um blog. Renovo minhas desculpas”. Guedes retrucou. “Tudo que eu falo fora do parlamento sustento também aqui na Casa”.

Reis disse que Guedes se aproveita de um discurso demagógico para se promover politicamente. “Esta casa não é lugar para palanque. Sempre tomarei medidas que visam fortalecer o parlamento”, ressaltou.

‘Futricas e futricas’

Líder do PL e membro da Mesa Diretora, a vereador Glória Carrate disse que estava cansada de tanta futrica e ‘disse me disse’ nas sessões plenárias da Câmara Municipal, um comportamento inadequado, “muito feio”, porque, em vez de mulheres, as fofocas vêm partindo principalmente dos homens.

“Vereador Guedes, pare com essa briga. Não leva a nada brigar com os colegas. Isso só contribui para desgastar todo mundo. Tinha esse mesmo comportamento quando cheguei aqui. Me arrependi muito. Vá para as ruas e ver o que o povo realmente precisa”, disparou a vereadora. “A população não merece isso”, acrescentou a parlamentar.

Na réplica, Rodrigo Guedes disse que não precisa compartilhar do mesmo pensamento dos colegas na Câmara. E lembrou que jamais disse ser ilegal a construção do novo anexo, mas nada o impede de divergir dos colegas ao afirmar que o projeto é desnecessário, imoral e extravagante.

“Não sou obrigado a concordar com todos. Vivemos um regime democrático onde a divergência de ideias é saudável”, argumentou. “Ninguém aqui está proibido de divergir”, acrescentou.

Referindo-se a Guedes, o vereador Wallace Oliveira (Pros) disse que a obra do novo anexo não pode ser taxada de ‘puxadinho’. “Quando alguém aqui é atacado, ataca toda a instituição. Esse tipo de discurso traz no seu bojo apenas o oportunismo barato de quem quer montar um palanque para se projetar na política”, afirmou ele.

Guedes disse que Wallace não é seu pai para lhe dar sermão. “Eu tenho pai e não é vossa excelência. Se fosse o presidente desta Casa que fizesse essa defesa, com certeza todos apoiariam, inclusive vossa excelência”, afirmou.

O vereador Luís Mitoso, líder do PTB, disse que o parlamento só é forte quando existe uma plêiade de vereadores qualificados e unidos, pessoas que realmente representam a Câmara Municipal.

“O que vejo aqui é uma retórica que não agrega nada ao parlamento e que só diminui o poder”, afirmou. “Ninguém vê nenhum membro do Judiciário atacando o poder, da mesma forma como no Tribunal de Contas, entre outras instituições públicas. Lamento muito ver um parlamentar usar a tribuna para atacar esta Casa”, protestou o parlamentar.

O vereador Bessa (Solidariedade) disse que o pensamento de dois ou três vereadores não reflete, necessariamente, o posicionamento de todos os parlamentares. Para ele, o novo anexo será um presente para a população de Manaus.

“Esse poder precisa de melhor estrutura para receber as pessoas. O novo anexo representa uma evolução, uma conquista”, avaliou. “Cabe a nós gerenciar os recursos”.

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