FOCUS – Pesquisa mostra que maioria aposta em juros inalterados

A maioria dos economistas espera que o Banco Central deixe a taxa básica de juros nos atuais 7,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que começa na terça-feira e termina na quarta (16). É o que mostra a pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com cerca de 100 analistas. Apesar de as previsões de crescimento para os dois últimos anos do governo Dilma Rousseff estarem cada vez menores, a avaliação do mercado é que a inflação deva limitar a ação da autoridade monetária para estimular a economia por meio de cortes de juros
O levantamento sinaliza que a aposta continua sendo de juros estáveis até o fim deste ano. A previsão para 2014 mudou. Os juros devem voltar a subir em março do próximo ano, e não mais em junho, chegando a 8,25% em dezembro, segundo os economistas consultados pelo Banco Central. A divulgação do resultado da inflação em 2012, que ficou acima do centro da meta de 4,5% pelo terceiro ano seguido, em 5,84%, contribuiu para a piora nas previsões para este ano. A projeção para o índice oficial de preços (IPCA) subiu de 5,42% há quatro semanas para 5,53%. Para o ano seguinte, está em 5,50%. No mesmo período, a previsão de crescimento da economia caiu de 3,4% para 3,2% em 2013, e de 3,8% para 3,6% em 2014.
“Se por um lado a atividade econômica continua decepcionando, o que poderia alimentar apostas para a retomada de um novo ciclo de corte de juros, por outro lado, a inflação, liderada pela alta de preços dos alimentos e de serviços, tem se mostrado cada vez mais pressionada, eliminando qualquer espaço para mais estímulo monetário”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil.

Efeitos

Para Rostagno, os juros devem voltar a subir, provavelmente, ainda este ano, o que vai depender dos efeitos da crise externa sobre a inflação no País. Ele avalia ainda que dificilmente haverá mudança significativa da atual política fiscal expansionista até a próxima eleição presidencial. “A boa notícia é que, muito provavelmente, os tempos de juros de dois dígitos ficaram para trás e que a tendência de longo prazo de queda da taxa no País deverá se manter.”
Roberto Padovani, economista-chefe da Votorantim Corretora, considera que é provável algum alívio inflacionário neste ano. “Estimamos um corte médio de 10% nas contas de energia elétrica, além de uma menor defasagem de gasolina e, portanto, uma alta mais moderada de combustíveis. Da mesma forma, os preços de alimentos podem contribuir para o arrefecimento da inflação no segundo semestre.” Mesmo assim, ele projeta um IPCA de 5,3% e 5,5%, respectivamente, para 2013 e 2014.
Em relatório, o Itaú-Unibanco diz que o Copom deve manter os juros, inclusive com a repetição do último comunicado, em que o Banco Central diz que “a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta” é a manutenção dos juros “por um período de tempo suficientemente prolongado”.

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