Flexibilizações derrubam demanda de seguro-desemprego

As flexibilizações dos decretos e a proximidade do Dia das Mães vieram acompanhadas por uma queda nas estatísticas de demanda por seguro-desemprego, no Amazonas, após uma sequência de duas altas seguidas. Na passagem de março (6.961) para abril (6.276) de 2021, a quantidade de requerimentos caiu 9,84%, além de ficar 3,99% abaixo da marca de abril de 2020 (6.537). Os pedidos foram maiores na segunda quinzena do mês (3.398) do que na primeira (2.878). Os dados são da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

A despeito da flexibilização do atendimento presencial nos segmentos econômicos não essenciais, as solicitações pelo benefício foram novamente puxadas pelo setor terciário. Serviços responderam por 36,28% (2.277) dos registros e comércio, por 27,68% (1.737). Indústria (26,9% ou 1.688), construção (8% ou 502) e agropecuária (1,13% ou 71) ocuparam as posições seguintes. A única piora em números absolutos, na comparação com março, veio do setor primário.

Os valores pagos no Amazonas superaram os R$ 21,82 milhões, no mês passado, sendo que o valor médio das parcelas foi de R$ 1.347,35 – em um total de 16.198 parcelas pagas localmente. O montante foi 16,30% inferior ao percebido no mês anterior (R$ 26,07 milhões). No confronto com os números do mesmo mês de 2020 (R$ 29,10 milhões), a retração foi de 25,01%. 

Apesar da demanda mais baixa, conseguir o benefício ficou ainda mais difícil. A base de dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia mostra que a taxa de habilitação do seguro-desemprego experimentou retrocesso em todas as comparações. Em torno de 81,02% dos requerentes do Amazonas (5.085) obteve o benefício no mês passado, fatia menor do que as registradas em março de 2021 (87,23% ou 6.072 segurados) e abril de 2020 (87,15% ou 5.697). 

A performance do Estado reforçou a tendência da média nacional. O Brasil registrou 565.261 solicitações de seguro-desemprego, em abril de 2021, com decréscimo de 3,58% ante março de 2021 (586.227) e redução de 24,48% em relação ao valor de 12 meses atrás (748.540). Em todo o país, foram pagos quase R$ 2,42 bilhões a título de seguro-desemprego, 7,98% a menos do que no mês anterior (R$ 2,63 bilhões) e 5,84% aquém do contabilizado em abril do ano passado (R$ 2,57 bilhões).

Idade e instrução

Em razão da estabilização da pandemia, 87% (em torno de 5.460) dos registros foram realizados pela web – contra 93,5 (6.506), no mês anterior. Assim como ocorrido em fevereiro, a maioria esmagadora dos trabalhadores amazonenses que buscou seguro-desemprego no mês passado pertencia ao sexo masculino, com 62,95% (3.951) das solicitações. As mulheres, por sua vez, responderam por apenas 37,05% (2.325) dos registros. Em março, os números foram 62,92% (4.380) e 37,08% (2.581), respectivamente. 

Com 35,45% do total, a faixa etária que requereu mais formalizações pelo seguro-desemprego no Amazonas foi novamente a de 30 a 39 anos (2.225), seguindo a tendência dos meses anteriores. Na sequência vieram aqueles que tinham entre 25 e 29 anos (20,70% ou 1.299), de 40 a 49 anos (20,28% ou 1.273), de 18 a 24 anos (14,32% ou 899), entre 50 a 64 anos (8,79% ou 552), 65 anos ou mais (0,40% ou 25) e até 17 anos (1 ou 0,01%). 

Em termos de grau de instrução, 74,17% dos solicitantes do benefício no Amazonas tinha ensino médio completo (4.655). Foram seguidos de longe por aqueles que contavam com o superior completo (7,55% ou 474), fundamental completo (5,48% ou 344), fundamental incompleto (4,94% ou 310), médio incompleto (4,48% ou 281), superior incompleto (3,14% ou 197), ou eram analfabetos (0,24% ou 15). 

A faixa salarial predominante entre os trabalhadores amazonenses que pediram seguro-desemprego no mês passado foi novamente a que vai de 1,01 a 1,5 salário mínimo (44,72% ou 2.807). Em seguida, estavam os que ganhavam de 1,51 a 2 mínimos (19,14% ou 1.201), até 1 mínimo (16,25% ou 1.020) e 2,01 e 3 mínimos (12,41% ou 779). Os demais ganhavam de 3,01 a 4 mínimos (3,15% ou 198), entre 5,01 e 10 mínimos (2,21% ou 139), de 4,01 a 5 mínimos (1,69% ou 106) e acima dos 10 mínimos mensais (0,41% ou 26).

Auxílio emergencial

No entendimento do conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, a queda mensal poderia demonstrar o começo do processo de aquecimento da atividade econômica local, mas salienta que há outras variáveis em jogo para confirmar ou não essa suposição, a exemplo do eventual impacto na demanda do retorno tardio dos estímulos anticíclicos federais. Outro fator destacado pelo economista foi o perfil dos candidatos ao benefício.

“Pode ter um efeito do auxílio emergencial aí, mas teríamos de esperar os resultados dos números dos próximos meses para podermos comprovar ou não esse aquecimento. Em média, o resultado ficou até melhor do que a média nacional. O que realmente me chamou a atenção foi a participação significativa dos trabalhadores com ensino superior completo. Isso quer dizer que as demissões estão se concentrando também nos salários mais altos para redução de custos”, finalizou, acrescentando que a estabilização do cenário depende fundamentalmente da aceleração do processo de vacinação. 

Foto/Destaque: Divulgação

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