Financiamento avançará menos

Previsão é que segmento crescerá em 15% este ano, mas avanço é menor que anos passados

O crédito imobiliário continua a crescer. Dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) mostram que nos primeiros quatro meses deste ano, foram financiados com recursos da poupança R$ 34 bilhões, aumento de 20% se comparado com o mesmo período do ano passado. Apesar do avanço, comparado ao último quadrimestre os empréstimos teve uma pequena desaceleração. Mesmo assim, a previsão do presidente da Associação, Octávio de Lazari Júnior é que esse segmento crescerá em 15% este ano.
O professor de finanças empresariais da Fundação Instituto de Administração, Rodolfo Olívio, comenta que como a poupança sofre uma concorrência com a Selic (taxa básica de juros), quando ela sobe a poupança fica menos atrativa, o que justifica números menores para o financiamento no início deste ano. Porém, o número de operações realizadas com recursos da caderneta de poupança em abril fechou em 167.548, um avanço de 16,4% comparado com 2013.
Em 12 meses, o volume de empréstimos para aquisição e construção de imóveis, com recursos das cadernetas de poupança no SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) foi de R$ 114,9 bilhões, 30% mais do que o apurado nos 12 meses precedentes. O total de imóveis financiados durante esse período foi 553 mil, 20% acima das 459 mil unidades contratadas nos 12 meses anteriores. No entanto, Olívio acredita que o financiamento imobiliário se manterá mais ponderado este ano, com possibilidade de melhorar em 2015.
Apesar do cenário macroeconômico não ser positivo, o presidente do Blog Canal do Crédito, Marcelo Prata disse que esse é o produto que as instituições financeiras apostam, pois além do imóvel se tornar a garantia sobre o financiamento, ele proporciona um relacionamento de longo prazo com os clientes.
Para quem solicita o financiamento, esse não é um momento oportuno, comenta Prata, porque as taxas de juros estão subindo gradativamente, de acordo com dados do Banco Central. Em abril as taxas praticadas pelo mercado foram de 15,7%, aumento de 3,5 pontos percentuais em 12 meses, enquanto as taxas reguladas fechou o quarto mês em 8%, alta de 0,9 ponto percentual comparado com abril de 2013. Segundo Prata, as instituições financeiras não estão preocupadas em manter competitividade entre si em relação as taxas para o financiamento de imóveis, portanto a tendência é que elas continuem a aumentar.
Prata explica que, essa linha de crédito ainda é nova no Brasil e tem muito a se desenvolver, principalmente no que se refere a imóveis novos. O presidente do Canal de Crédito explica que a cultura dos corretores, que antes eram resistentes para fechar um contrato por meio de financiamento, tem mudado. E com isso a possibilidade de melhorar esse mercado e os bancos continuarem a apostar nesse produto.
De acordo com o professor da Fundação Instituto de Administração, as regiões que mais concentram esse volume de financiamentos imobiliários são as que concentram maior participação do PIB (Produto Interno Bruto) do país, ou seja, o Sul e Sudeste são as regiões que possuem demanda maior. “Apesar de o Nordeste ter se desenvolvido nos últimos anos, essa região ainda é mais voltada para serviços, por isso não vejo uma movimentação além da que já existe para essa linha de financiamento nessa região.”
Dados da Abecip mostram que o saldo dos depósitos de poupança no SBPE superou os R$ 480 bilhões, em abril deste ano, com elevação de 19% em relação ao saldo de abril do ano passado, porém as cadernetas interromperam no quarto mês uma sequência de 25 meses de captação líquida positiva, com os saques superando os depósitos em R$ 736 milhões. Mas apesar do resultado de abril, a captação líquida foi positiva em R$ 3,6 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano.

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