Fim do caso abre espaço para julgamento do Cade

Após a decisão de fundir Sadia e Perdigão, Conselho tem uma lista de casos ainda sem decisão
O fim da novela da fusão entre Sadia e Perdigão com um acordo entre a BRF Brasil Foods e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na última quarta-feira abriu espaço na prateleira de processos do órgão antitruste, que estava praticamente paralisado por causa do tenso acerto entre as partes nos últimos 30 dias. Mesmo assim, a lista de casos a serem julgados continua extensa e com alguns processos que ainda podem virar grandes polêmicas.
O que chama mais atenção é a quantidade de fusões e aquisições no setor de varejo. Com o crescimento da classe média no país e a perspectiva de aumento da renda e do emprego, as companhias do setor correram para formar grandes conglomerados. O foco dos negócios dessa área também mudou e não está mais apenas centrado na Região Sudeste, sabidamente o maior centro consumidor de bens duráveis do Brasil. Os investidores têm em mente que é preciso expandir os negócios para outros polos, como o Nordeste, e, aproveitando estruturas já existentes, saíram às compras.
Com esse cenário, os próximos casos de grande porte que devem ser puxados da despensa são os que envolvem aquisições da rede Pão de Açúcar. Em junho de 2009, o grupo de Abílio Diniz – que recentemente se aventurou a negociar com o Carrefour no Brasil, numa empreitada que não surtiu efeito – comprou o Ponto Frio. Seis meses depois, arrematou as lojas das Casas Bahia.
Também no comércio, acaba de receber um parecer positivo dos ministérios da Fazenda e da Justiça a fusão entre Lojas Insinuante e Ricardo Eletro. Juntas, as redes criaram a holding Máquina de Vendas e passaram a ter unidades em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal, com exceção dos três localizados no Sul. Há ainda o grupo Magazine Luíza, que saiu do interior paulista, conseguiu chegar à capital e agora quer mostrar que também é uma gigante ao ter comprado as Lojas Maia e o Baú da Felicidade.

TAM e LAN em processo decisivo da fusão

O aumento do fluxo de passageiros e as boas perspectivas para o setor com a Copa e a Olimpíada impulsionam os negócios entre as companhias aéreas. O movimento de compras isoladas de companhias menores já vinha sendo sentido no Cade, mas agora TAM e Gol mostram que a concorrência é pra valer. A expectativa é de que nos próximos dias o Ministério da Fazenda apresente seu parecer sobre o negócio firmado entre a TAM e a chilena Lan – o caso também está sendo avaliado pelas autoridades antitruste no Chile.
Há uma semana, a Gol informou que desembolsará R$ 96 milhões mais as dívidas da companhia para controlar a WebJet. O Cade não gostou de saber que a marca da empresa comprada irá desaparecer, e os dois lados já acertaram que vão assinar um Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro), que manterá tudo como está até que a aquisição tenha sido avaliada pela autarquia. Oficialmente, o negócio será notificado ao Conselho até o final do mês.
Entre os frigoríficos, a disputa está acirrada: Bertin e JBS já tiveram sua união avaliada em abril pela Fazenda, que recomendou algumas restrições ao Cade. Em breve, deve sair também parecer a respeito da Marfrig e Seara. Em seguida, vão para o Cade. Estes dois grupos são citados como pretendentes para comprar a produção de 730 mil toneladas ao ano de alimentos processados da BRF no mercado interno.

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