Fim do auxílio emergencial pode interromper recuperação do comércio

As vendas do comércio da capital paulista avançaram 17,1% na passagem de outubro para novembro, segundo balanço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O resultado mostra que o setor está recuperando o fôlego, mas dificilmente conseguirá zerar as perdas acumuladas nesse ano de pandemia. Na comparação com novembro de 2019, o resultado ainda é negativo em 5%. A ACSP projeta queda de 4,5% nas vendas totais de 2020, na comparação com as registradas no ano passado.

“É como se este ano não tivesse existido”, diz Marcel Solimeo, economista da associação. “Crescimento mesmo, só acreditamos que vá ocorrer em 2022.”

Nos primeiros meses da pandemia, as vendas do comércio paulistano chegaram a cair mais de 60%, em abril e maio. A partir de então, a injeção de recursos do auxílio emergencial, a adaptação do consumidor e lojistas ao e-commerce e, mais à frente, a flexibilização da quarentena, tiveram impacto positivo no consumo (veja o gráfico).

As vendas de dezembro devem seguir a mesma toada e reduzir o prejuízo do comércio de São Paulo, embora não com força suficiente para evitar a queda no resultado anual do setor.

Como 2020 parece estar definido, os empresários agora olham para 2021, e por enquanto só veem incertezas: Teremos vacina disponível? A temida segunda onda da covid-19 chegará? Será necessário um novo endurecimento da quarentena?

Ainda não há respostas para essas questões. O que parece certo, e preocupa o lojista, é o fim do auxílio emergencial no próximo ano.  

Desde junho, o crescimento do comércio paulistano é contínuo, mas a sequência de altas deve ser interrompida no primeiro trimestre de 2021, segundo avaliação de empresários que participaram de reunião de Avaliação da Conjuntura da ACSP, realizada no final de novembro.

“A confiança das famílias em relação ao futuro tem crescido, mas vale lembrar que o auxílio vai acabar. Provavelmente teremos desaceleração do comércio no primeiro trimestre de 2021”, disse um dos participantes da reunião.

Historicamente, os nomes dos participantes desse encontro não são divulgados a pedido da ACSP.

Com o benefício de R$ 600 (pago até setembro, quando foi reajustado para R$ 300), a pobreza diminuiu 20%, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV). Esse recurso extra foi usado basicamente para o consumo.

Até segmentos bastante prejudicados pela pandemia, como o de vestuário, tiveram certo alento com a injeção do auxílio na economia. “As classes C e D, que não conseguiram ficar em home office e precisaram sair para trabalhar, consumiram mais roupas que as classes média e alta”, disse um consultor de varejo presente à reunião da ACSP.

As chances de o benefício ser prorrogado para 2021 são pequenas, como já afirmou o ministro da Economia Paulo Guedes. Ele até considerou manter o auxílio em caso de uma segunda onda de covid-19, mas logo recuou e afirmou que não há espaço fiscal para estender a medida.

Se a demanda for fraca no início de 2021, o risco é que empresas, principalmente as micro e pequenas, não tenham colchão financeiro para continuar ativas.

O aluguel pago pelos lojistas é corrigido pelo IGP-M ou IGP-DI, índices de inflação que acumulam alta em torno de 20%. “O varejo de rua até consegue negociar os contratos, mas em shoppings não dá. Os espaços vagos que vemos em centros de compras eram lojas pequenas que não aguentaram os custos”, afirmou o consultor de varejo. 

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