2 de dezembro de 2021

Festival Amazônia Walls colore espaços de Manaus

Três semanas depois e a terceira edição do FAW (Festival Amazônia Walls) continua colorindo gigantescos espaços de Manaus. Organizado pelo grafiteiro Rogério Arab, o FAW encerra no domingo, 9, depois de seus artistas terem grafitado as laterais do prédio da Esquina das Sedas (esquina das avenidas Eduardo Ribeiro com Sete de Setembro), do hotel Mural Living (rua Dr. Moreira), e da parede externa da penitenciária Raimundo Vidal Pessoa (av. Sete de Setembro).

Começando os trabalhos na Esquina das Sedas
Foto: Divulgação

“A proposta do Festival é provocar debates, valorizar artistas locais e proporcionar o intercâmbio nacional e internacional desses artistas. É um projeto com resultados imediatos, e que permanecerão por muito tempo ainda”, disse Rogério.

No dia 31 de março Rogério foi matéria no Jornal do Commercio por coordenar o ‘Graffiti Eco’, evento que acontecera em Novo Airão, nos três dias anteriores, e reuniu dez grafiteiros colorindo a praça principal da cidade e as casas de alguns moradores.

“Em Novo Airão, quisemos mostrar que grafite e ecologia podem estar juntos, que o grafiteiro preza praças e muros que, se estão feios e tristes, com a cor de nossas tintas, podemos torná-los belos e alegres”, falou Rogério, na época.

Rogério é paraense, mas vive em Manaus há mais de 20 anos. Ele começou pichando muros, ainda em Belém, como a maioria dos jovens daquela época que queria expressar seus sentimentos fazendo rabiscos, com spray, pelos prédios das cidades. Não interessava a arte, mas mostrar que pichavam no lugar mais alto de um prédio, na parte mais perigosa de uma ponte, num prédio histórico.

Grafiteiros de todas as partes

“Em 1999, pesquisando na internet, descobri a arte do grafite, que estava em franca evolução nos Estados Unidos e na Europa. Foi quando eu, e muitos outros, migraram da pichação para o grafite, ainda que, até hoje, muita gente prefira a pichação, e por vários outros motivos: uns a consideram um tipo de arte, e até ganharam fama por isso; outros picham como forma de protesto; e existem aqueles que picham pela adrenalina de serem surpreendidos perigosamente por estarem fazendo algo proibido”, explicou.

Rogério se considera um dos precursores do grafite na Amazônia, hoje com adeptos em toda a região.        

Em Manaus, felizmente as pichações com spray preto foram cedendo ao surgimento das cores vivas dos grafites. Há alguns anos o manauara se acostumou a ver belas figuras e imagens pintadas principalmente nas paredes de viadutos. Mas o que vem chamando a atenção nos últimos tempos é o aumento do tamanho dessas pinturas, ocupando a lateral inteira de edifícios.

“Essa foi uma evolução do FAW deste ano, os grafites de grandes formatos, pintados em espaços cada vez maiores. Começamos com os formatos pequenos, depois passamos para os médios e este ano o Festival é o dos grandes formatos”, destacou.

Rogério credita o acontecimento do FAW a ter sido contemplado no edital do Prêmio Feliciano Lana, da Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Aldir Blanc, além dos apoiadores que vem conquistando a cada nova edição do Festival pela seriedade dos trabalhos dos artistas.

Neste FAW, 17 artistas e mais sete apoiadores estão espalhados nos três pontos de grafitagem.

De Manaus para o mundo

Ex-Cadeia Pública agora espaço de arte
Foto: Divulgação

A arte que está sendo feita no prédio da Esquina das Sedas é de responsabilidade do próprio Rogério. Os trabalhos começaram no dia 17 de abril e ele conta com quatro assistentes. No dia 25 foi a vez do grafiteiro paranaense Gardpam iniciar sua obra na parede do hotel Mural Living. Ele teve apenas um ajudante o acompanhando. No dia 5 de maio a equipe responsável pelos grafites na ex-Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa entrou em ação. 13 artistas se espalharam pelas paredes externas do muro do prédio secular de tristes lembranças.

Obra de Gardpam no hotel Mural
Foto: Divulgação

Como é comum entre a maioria dos grafiteiros, eles assinam suas obras com apenas um nome, ou apelido, conforme a lista: Raiz, Mia, Mega e Broly (de Manaus), Cheer e Hulk (de Manaus, mas moram em São Paulo), Curumins (de Parintins), Theo (de Parintins, mas mora em Manaus), Graf (de Belém), Amazon (de Belém, mas mora em Manaus), Carão (de Londrina/PR), Gardpam (de Colombo/PR), Flop (de Caxias do Sul/RS), Bil (de São Paulo), e Rotka (Chile).

“Queremos agradecer às empresas que nos tem apoiado sem as quais ficaria mais difícil acontecer o Festival: Coletivo Van (Violência Artística Nacional), Freestyle Shopping, Mural Living, Duarte Comunicação, Di Galdini, Fascino di Pizza, Shopping do Pé, Shopping das Tintas, Moema Doceria, Esquina das Sedas e Felipe Ribeiro”, listou.

Ainda finalizando a terceira edição do FAW, Rogério já pensa na próxima edição, além de outros eventos, lógico, com grafites.

“Vamos entrar de férias, agora, mas iremos retornar logo, com a previsão de montar um Festival ainda maior, atingindo mais lugares na cidade. O objetivo é mostrar o grafite de Manaus para o mundo”, avisou.

Foto/Destaque: Divulgação

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