1 de julho de 2022
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Festa Junina está 13% mais cara e pesa no bolso do consumidor

O espírito de arraial, vem fazendo impulsionar o mercado de encomendas de kits juninos, o que reflete na procura por produtos típicos no comércio, mas ao mesmo tempo que a demanda cresce, os reajustes nos itens seguem o ritmo de alta. Esse movimento já vem ocorrendo desde o ano passado, que apesar das festividades juninas terem sido proibidas em espaço público, muita gente apostou no clima festivo de casa entre parentes. 

O reflexo da inflação dos insumos típicos de festa junina á apresentado no levantamento pelo Radar Scanntech Brasil ao apontar que em 2021, ainda com muitas restrições por conta da pandemia, durante o mês de junho a cesta junina composta de produtos como doces industrializados, amendoim, coco ralado, leite de coco, milho para pipoca, pipoca de micro-ondas e vinho performou muito acima das expectativas (+21,9%) se comparado ao desempenho da cesta total de produtos (-3,1%) à época.

Este ano, os itens não ficaram de fora do aumento no preço. Com as festas liberadas em todo país os insumos para o tradicional cardápio registram variação considerável. “Os varejistas devem ficar atentos a esse movimento, apostando em iniciativas de ativação e merchandising nas lojas”, afirma Priscila Ariani, diretora na Scanntech.

Ainda segundo ela, os períodos de sazonalidade trazem mais fluxo para as lojas aumentando as vendas, inclusive, de outras categorias. Em abril deste ano foi a primeira vez que o fluxo de pessoas no varejo alimentar atingiu o mesmo patamar do pré-pandemia, segundo o mesmo estudo. “O momento é de aproveitar a circulação de pessoas nas lojas para ofertar produtos de maior valor agregado e aumentar o ticket médio”, acrescenta a executiva.

Segundo com o Radar Scanntech Brasil, houve um aumento significativo no fluxo de pessoas nas lojas comparado ao mês de abril do ano passado (+9,0%), além de uma estabilização na retração em unidades por ticket (-10,3%).

Outros números

O preço médio dos ingredientes e insumos para o preparo dos principais pratos e quitutes tradicionais das festas juninas aumentou 13,12% nos últimos 12 meses, enquanto a inflação ao consumidor medida pelo IPC-M (Índice de Preço ao Consumidor) ficou em 10,08% no mesmo período.

O levantamento considerou 27 itens alimentícios da cesta do IPC/Ibre-FGV (Índice de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas)

e mostrou que o “caldo verde vai entornar” e a “maçã do amor vai ficar salgada”: a batata-inglesa e a couve subiram 71,35% e 29,34%, respectivamente, nos últimos 12 meses, enquanto o açúcar refinado, a maçã e o açúcar cristal subiram 42,02%, 28,68% e 26,8%, respectivamente.

Outros produtos que aumentaram acima da inflação foram: milho de pipoca (20,95%), leite longa vida (18,03%), farinha de trigo (16,78%), aipim/mandioca (16,03%), fubá de milho (15,63%), ovos (15,1%), batata doce (13,83%), milho em conserva (12,08%), queijo minas (11,23%), leite condensado (10,67%) e linguiça (10,1%). Apenas dois produtos dentre os 27 itens registraram recuo em seu preço no período pesquisado: o leite de coco (-2,36%) e o arroz (-8,98%).

“O Brasil tem vivido choques climáticos sucessivos praticamente desde 2020. Nesse último choque, chuvas torrenciais nos meses de verão impactaram quase todas as culturas de hortifrutis, por isso vimos uma escalada de preços absurda nos últimos quatro ou cinco meses de itens tão básicos como o tomate e a cenoura, que foram os protagonistas desse período, mas também de itens importantes dessa lista como a batata, a couve e a maçã”, aponta Matheus Peçanha, economista do Ibre/FGV.

“Muitos desses produtos não têm substituto para quem quer seguir a receita tradicional, então a principal dica para driblar o impacto no bolso do consumidor é pesquisar preços, dar preferência a marcas menos conhecidas ou reunir um grupo maior e comprar no atacado, para conseguir descontos maiores”, aconselha, também, Peçanha.

Modificando o cardápio

O vice-presidente da Amase (Associação Amazonense de Supermercados), Ralph Assayag, explicou que desde 2019 os preços dos produtos mais vendidos nos supermercados para época junina apresentam alta grande de reajustes, mas afirma também que as pessoas estão se reinventando e seguindo a tendência de substituição de alimentos.  “As famílias estão modificando seus cardápios. E a massa maior de pessoas dentro de casa conseguiram alguma colocação no mercado de trabalho e isso colabora para que consigam realizar um arraial ou participar de alguma forma da festa junina”. 

Para não perder o cliente

Segundo Raquel Pacheco, da Delícias da Kekel, os valores estão bem maiores que no ano passado. Ela comentou que o mais difícil é que não pode aumentar muito os preços caso contrário a empresa perde. “Tem gente que não valoriza o seu trabalho e diminui o valor. Isso é muito ruim para nós profissionais. A gente passa a ter uma margem pequena de lucro, mas preferimos manter o nosso cliente”. 

O litro de óleo, item primordial para o preparo dos quitutes que era comprado por pouco mais de R$ 6 dobrou de preço. O produto é  encontrado nas prateleiras por R$12 a R$13. “Mesmo assim a  gente vai driblando as coisas e produzindo para atender os pedidos. A nossa expectativa é boa porque apesar da inflação, nós estamos muito tempo sem comemorar.As pessoas até esquecem um pouco os valores para se divertirem e voltarem a sentir o prazer dos arraiais”. 

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