Ferrovia Manaus-Porto Velho é inviável, afirma especialista

A construção de uma ferrovia como obra substituta ante a recuperação da BR-319 entre Manaus e Porto Velho (RO) é um projeto ingênuo e economicamente inviável. Pelo menos essa é a opinião do professor doutor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Marcos Castro, que levantou a polêmica sobre os investimentos em transporte e logística na região Norte previstos no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).
A problemática levantada por Castro, ocorrida durante o Seminário da Amazônia, no Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), gira em torno da validade e viabilidade a partir da projeção de cenários futuros na reconstrução da BR-319.
O pesquisador teceu sérias críticas ao discurso de construção da ferrovia, ao qual chamou de vazio e ingênuo, afirmando que as entidades que o defendem deveriam lembrar os danos ambientais que essa obra causaria ao Estado. O especialista ressaltou que, enquanto as obras da rodovia custariam pouco mais de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos, para a construção de um eixo ferroviário entre a capital amazonense e o município de Humaitá (AM), além de um orçamento triplicado, seria necessário um aterramento de pelo menos dois metros acima do atual nível do solo.
Castro lembrou que o discurso defendido por algumas entidades de classe e pesquisadores sobre uma possível migração desordenada que poderia ocorrer após a reconstrução da BR-319 não coaduna com os moldes de um país democrático que assegura o direito de ir e vir de cada cidadão. O especialista disse compreender que as linhas férreas representam muito mais vantagens econômicas que as rodovias, mas explicou que, no caso de uma obra do porte de uma ferrovia, é muito mais válido revitalizar o que já está construído a ter de impactar uma região de natureza sensível.
“O que temos é uma inércia do poder público em relação a políticas sociais e um atraso nos investimentos de logística. Falar sobre a construção dessa ferrovia é um discurso ingênuo e vazio, já que não traria maiores benefícios econômicos à região”, ressaltou Castro.

Excelente
oportunidade

Para o representante do CDH (Centro de Direitos Humanos e Arquidiocese de Manaus) e coordenador do evento, Guillermo Cardona, os debates representaram uma oportunidade para entidades de pesquisa, meio ambiente e dos direitos humanos exporem seus pontos de vista em torno de possibilidades e fatos com base científica. “Antes da implantação de grandes projetos, é importante manter uma série de discussões para definir o rumo que deverá ser tomado. Existem problemáticas e alguns pontos nevrálgicos que precisam ser discutidos e analisados com cuidado”, asseverou Cardona.

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