A liderança é uma atividade extremamente complexa!
Propensão, disponibilidade e treinamento, são qualidades importantes, sim, mas não dispensam outras também indispensáveis a um verdadeiro líder: inteligência e sabedoria.
Muitos acreditam terem nascido para liderar, mas nem todos têm ou adquirem competência para exercer as responsabilidades decorrentes. Normalmente preferem as prerrogativas do mando e a presunção da infalibilidade. Nesses casos, o treinamento pode corrigir, mas também pode agravar problemas comportamentais, ainda mais quando se lida com jovens.
Um colega teve um exemplo desse tipo de “liderança” há alguns anos, quando participava de uma comunidade religiosa de jovens: Um dos grupos era liderado por um casal que não tinha filhos. Sua atuação era calcada basicamente no emocional. Quando lhes perguntavam por que não adotavam filhos, eles respondiam, emotivamente, que todos eles eram seus filhos… Se isso era verdade, então eles tinham os seus “prediletos”, aos quais delegavam todas as funções mais importantes do grupo e por meio dos quais controlavam os demais.
Até aí, nada de mal, mas todo o questionamento mais complexo que recebiam sobre sua atuação era respondido com estratégicas crises de choro ou de hipertensão, ou, pior, com a menção de que haviam feito um “curso superior” de treinamento de lideranças religiosas… Isso também não seria tão grave se o posicionamento lacônico e inquestionável não fosse, em alguns casos, baseado apenas em conclusões pessoais, desprovidas de qualquer coerência ou suporte científico, lógico ou mesmo religioso.
Faltava-lhes humildade para reconhecer sua ignorância sobre certos aspectos, e bom senso para encaminhar as questões para quem soubesse elucidá-las, aproveitando para também aprender. Talvez tivessem medo de ver sua “autoridade” enfraquecida por uma – na idéia deles – demonstração de limitação ou de incapacidade de resolver problemas.
Essa tese foi exemplificada no dia em que um dos jovens do grupo mostrou ao meu colega uma “estrela de Davi” que havia encontrado na rua. Disse que ia procurar o casal para perguntar se havia algum problema em usá-la…
Como meu colega já vinha observando as atitudes daqueles “líderes” há algum tempo, antecipou ao rapaz que o rei Davi era um personagem fundamental do Antigo Testamento; que o próprio Cristo havia nascido de uma família de sua linhagem, confirmando profecias. Não havia, portanto, nenhum problema em usar aquele símbolo, que é judaico-cristão.

Como o adolescente insistiu em procurá-los, meu colega exortou-o a consultar, depois, o pároco local.
Poucos minutos depois o jovem retornou, sorrindo. Motivo: o casal, com sua “autoridade” de praxe, afirmara, em tom professoral, que ele não deveria usar a “estrela de Davi”, porque os judeus não reconheciam Cristo como o Messias! Em contrapartida, o pároco confirmou tudo o que meu colega havia dito!
Se essa experiência não serviu para outra coisa, ao menos o ensinou que é sempre bom consultar mais de uma fonte antes de concluir sobre um assunto.
Mas a grande reflexão é sobre o exercício positivo da liderança em qualquer área da vida: Não basta querer ser líder e estar disponível para sê-lo! Da mesma forma, também é grande a responsabilidade de quem escolhe líderes, pois liderança pressupõe responsabilidade, interação, consciência, humildade e, principalmente, autocrítica! È impossível sustentá-la ou tirar-lhe proveito coletivo tendo por base: pouca racionalidade natural e muita emotividade, sincera ou não. Isto porque o verdadeiro líder não deve ser peso ou limite para os liderados, sob pena de não haver nenhuma evolução coletiva ou pessoal.
Assim, disponibilidade e motivação são características importantes, mas nunca devem ser determinantes na seleção de lideranças. No entanto, se por falta de melhor opção esses forem os critérios de escolha, deve-se ter cuidado redobrado ao treiná-los ou delegar-lhes funções e poderes, pois a ferramenta certa nas mãos erradas pode tra

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