4 de dezembro de 2021

Feriados em dias úteis em 2020 causam prejuízos ao varejo

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Parte dos varejistas e empresários de serviços, porém, vêm oportunidades com menos dias úteis no ano

O comércio deve perder R$ 19,6 bilhões neste ano, em todo o país, em virtude de feriados. O montante é 12% (ou R$ 2,2 bilhões) superior ao contabilizado em 2019 (R$ 17,4 bilhões), que registrou menor quantidade de feriados caindo em dias úteis. As informações estão na pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), divulgada nesta sexta (17).

Embora foque nos eventuais prejuízos decorrentes da queda do nível de atividade e da elevação dos custos fixos e operacionais gerados pelo setor, a entidade admite que a maior incidência de feriados em dias úteis favorece os ganhos do turismo e dos serviços atrelados à atividade econômica, como hotelaria, transportes, bares e restaurantes.  

Estados como São Paulo (R$ 5,62 bilhões), Minas Gerais (R$ 2,09 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 2,06 bilhões) e Paraná (R$ 1,42 bilhão) tendem a concentrar 57% das perdas estimadas para o comércio, em virtude da combinação do contingente populacional e capacidade de consumo. A CNC não disponibilizou os números do Amazonas.

Ao contrário de 2019, quando o feriado de Tiradentes caiu em um domingo e as celebrações de Independência, Nossa Senhora Aparecida e Finados ocorreram aos sábados – dia de meio expediente no comércio –, em 2020 todas estas datas ocorrerão em dias que seriam úteis para o comércio. Apenas o feriado da Proclamação da República, que aconteceu em uma sexta-feira no último ano, não impactará o setor, pois cairá em um domingo.

O estudo da CNC informa que cada feriado reduz a rentabilidade mensal média do setor em 8,4% (varejo e atacado). Regiões ou segmentos onde a relação folha/faturamento é mais elevada sofrem impacto maior. As taxas de perdas mensais decorrentes de cada feriado nacional ultrapassam os dois dígitos em hiper e supermercados (11,5%), lojas de utilidades domésticas (11,6%) e de vestuário e calçados (16,7%). Juntos, os três subsetores respondem por 56% dos empregos no varejo brasileiro. 

Horas extras

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, lamentou os números antecipados pela CNC e ressaltou que os prejuízos devem pesar mais nas pequenas e médias empresas e, principalmente nas lojas de rua, já que os shoppings já funcionam aos sábados, domingos e feriados – embora em horários diferenciados, nos dois últimos casos.

“Acredito que isso vai prejudicar o varejo como um todo, com certeza. Embora as lojas possam abrir nesses dias, trabalhariam com horário reduzido e pagamento de horas extras. Esperamos que as vendas deste ano compensem de alguma forma essas perdas e acreditamos que segmentos como o de material de construção devem crescer bem, embora as lojas de confecções e calçados devam apenas manter o mesmo nível de 2019”, ponderou. 

De acordo com o economista da CNC responsável pela análise da pesquisa, Fabio Bentes, a folha de pagamentos, em virtude do volume de horas extras a serem pagas aos colaboradores, é a principal fonte dos prejuízos impostos pelos feriados ao comércio varejista brasileiro. 

“Por mais que as vendas possam ser parcialmente compensadas nos dias imediatamente anteriores ou posteriores, em virtude do fechamento das lojas ou da diminuição do fluxo de consumidores, o peso relativamente elevado da folha na atividade acaba comprimindo as margens de operação do setor”, explicou, no texto divulgado pela entidade.

Oportunidade no turismo

Mais otimista, o assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, prefere destacar os ganhos para o turismo e os serviços que gravitam em torno da atividade, que devem contribuir para que tudo fique uma “coisa compense a outra”.

“Estamos em um ano atípico, de eleições e Olimpíadas. Além disso, o dólar aumentou bastante e deixou as viagens ao exterior bem menos atraentes do que o turismo doméstico, que pode se favorecer. Tivemos também uma queda considerável na taxa de juros e no acesso ao crédito, o que favorece os pacotes turísticos”, justificou.

Na análise do economista, o cenário é promissor também para o Amazonas, que tem em sua biodiversidade e gastronomia, alguns de seus trunfos. Mas, prossegue José Fernando, o Estado ainda tem que aumentar seus investimentos em infraestrutura para receber mais turistas e capitalizar seu potencial. 

“É preciso ter uma política voltada para a atividade e investir em equipamentos turísticos para receber os visitantes estrangeiros e de outros Estados. Poderíamos ter um mirante no Encontro das Águas, por exemplo. E o aeroporto Eduardo Gomes precisa urgentemente de uma duplicação em sua pista para receber mais voos e conexões e, assim, aumentar o fluxo em nosso Estado”, concluiu.

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