Feira incentiva agricultura familiar

Apesar das dificuldades a Organização do evento espera movimentar R$ 1 milhão

O setor primário do Amazonas mesmo em crescimento (saltou de 2% do PIB do Amazonas em 2003 para 7% atuais), ainda passa por dificuldades como falta de insumos, problemas de logística e escoamento de produção. Para sanar algumas dessas dificuldades algumas ações são promovidas por organizações governamentais e não governamentais. Uma dessas ações é a tradicional Feira de Produtos da Agricultura Familiar, que desde 1995 tem o objetivo de expor e divulgar as tecnologias e as experiências nas áreas do ensino, da pesquisa e da extensão, voltadas para a produção agropecuária e florestal em bases sustentáveis. A feira que chega a sua 18ª edição é promovida pelo Ifam (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas) em convênio com a Sepror (Secretaria de Produção Rural) e esse ano será realizada entre os dias 3 e 6 de outubro no CMZL (Campus Manaus zona Leste). O evento que conta com cerca de 200 agricultores familiares tem a previsão de movimentar em seus quatro dias de atividades um montante de R$ 1 milhão e receber 100 mil visitantes.
O Ifam há tempos vem trabalhando com os produtores rurais e esta parceria se consolida a cada feira, como nos conta o coordenador do evento, professor Aildo Gama “o agricultor tem a oportunidade de trazer até a cidade sua produção e aqui mesmo nas dependências do Instituto toma conhecimento de novas pesquisas, leva consigo o conhecimento gerado nos laboratórios, ganhando mais qualidade para atuar no mercado.” A geração de renda através de negociações diretas é o principal benefício dos expositores, segundo Gama “aqui se elimina a figura do atravessador, toda a produção é comercializada entre produtores e consumidores que vão de pesquisadores e alunos à famílias que moram na área. Na última edição foi negociada uma média de R$ 800 mil, um número bem representativo para a agricultura familiar.” Além de negócios a feira terá palestras, minicursos, oficinas e atrações culturais.

Escoamento da produção é um dos entraves

Apesar do otimismo do setor, alguns pontos ainda estrangulam a produção agrícola no Estado, como nos conta o coordenador “mesmo com as políticas públicas que tendem a facilitar a vida do agricultor familiar, ainda encontramos gargalos. Um deles é o escoamento da produção. Apesar da flexibilidade de financiamento e da abertura de linhas de crédito que possibilitam ao produtor adquirir um veículo, algumas estradas não têm condições de trafegabilidade.” Aildo continua, citando a falta de capacitação como mais um entrave “os insumos e subvenções do governo e agências de fomento possibilitam ao agricultor obter conhecimento e tecnologia, mas é necessário que haja acompanhamento, que se entenda a realidade da região. O produtor não deve receber apenas os recursos financeiros, assim a economia surge mas não se sustenta. É necessária a capacitação.”

Números crescentes

Em 2011, segundo relatório de atividades do IDAM (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas) foram assistidas diretamente pelo sistema Sepror 92.144 famílias de agricultores familiares em 2.031 comunidades rurais. Em 2012 esse número subiu para 95.232 famílias de agricultores assistidos em 2.631 comunidades rurais do Amazonas, o que significa um público de mais de 276 mil pessoas se levarmos em conta o número de pessoas por família.
O titular da Sepror, Eron Bezerra comenta os índices “apesar de não sermos um Estado agrícola, o peso do setor primário do Amazonas é maior do que a média do PIB nacional deste setor. Se analisar isso você vai perceber que o Amazonas está à frente de outros Estados, como São Paulo, por exemplo, que é um Estado potente, forte agronômica e agrícolamente e sua participação nacional do PIB da agroindústria é de apenas 1,9%”, explicou o secretário, destacando que a estimativa é que o PIB do setor este ano fique acima dos 6%.

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