FED mantém juros na primeira reunião após fim da recessão

O FED (Federal Reserve, o BC americano) manteve, ontem, sua taxa de juros no patamar em que a colocou em dezembro do ano passado, uma margem de variação de 0% a 0,25% ao ano.
A decisão foi a primeira do banco após a divulgação do crescimento de 3,5% da economia americana (ritmo anual) no terceiro trimestre do ano, que encerrou a recessão técnica no país.
Mesmo com o fim da recessão, o FED manteve a cautela, considerando que os juros baixos podem ajudar a economia a se reerguer -o último índice positivo de desempenho da economia dos Estados Unidos antes do terceiro trimestre deste ano, foi o do mesmo trimestre de 2008, quando a contração foi de 2,7%.
No trimestre passado, a economia se beneficiou das ajudas federais saídas do pacote de estímulo aprovado em fevereiro deste ano, de US$ 787 bilhões. Outros fatores contribuíram, como o programa conhecido como “Cash for Clunkers’’, no qual os proprietários recebiam subsídios federais de até US$ 4.500 para trocar seus carros usados por novos, mais eficientes no uso de combustível.
Pelos resultados corporativos vistos nas divulgações dos últimos meses, os sinais são de que as empresas conseguiram absorver o impacto da crise. No setor bancário isso foi mais visível: o lucro do JPMorgan Chase disparou para US$ 3.6 bilhões, contra US$ 527 milhões no mesmo período de 2008 -um aumento de 583,1%.
O Goldman Sachs lucrou US$ 3.2 bilhões no período, contra US$ 845 milhões (US$ 1.81 por ação) um ano antes; mesmo o Citigroup, um dos mais atingidos pela crise, teve lucro de US$ 101 milhões no terceiro trimestre, contra um prejuízo de US$ 2.8 bilhões um ano antes -o Bank of America, no entanto, vai ter de esperar um pouco mais, já que teve prejuízo de US$ 1 bilhão no trimestre passado, com o aumento das perdas ligadas a créditos.
O mercado financeiro também tem passado por momentos que sinalizam o fim da crise. No dia 14 do mês passado o índice Dow Jones, da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), fechou acima dos 10 mil pontos pela primeira vez em um ano -sete meses depois de chegar ao menor nível em 12 anos, em 6,547.05 pontos no dia 9 de março. Esses números, no entanto, contam apenas parte da história: boa parte dos ganhos entre os bancos, e em outros setores, refletem cortes acentuados de custos e empregos, que mostram o quanto ainda será preciso fazer para que o país volte de fato a crescer.
Os dados mais recentes disponíveis sobre o mercado americano de trabalho mostram uma situação ainda precária: foram perdidos em setembro 263 mil postos de trabalho; a taxa de desemprego no país chegou a 9,8%. Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, o número de pessoas desempregadas no país aumentou em 7,6 milhões, para um total de 15,1 milhões de pessoas. Entre maio e setembro, a perda de postos de trabalho nos EUA ficou, em média, em 307 mil vagas por mês; a média entre novembro de 2008 e abril deste ano foi de 645 mil.
Na segunda-feira Barack Obama, afirmou que a economia já recuperou muito terreno desde janeiro, mas mais empregos poderiam ser perdidos antes de uma total recuperação ser registrada.

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