FED corta juros em meio ponto, para 4,75%, primeira redução desde 2003

Este foi o primeiro corte de juros do Fed desde junho de 2003, quando a taxa baixou de 1,25% para 1% ao ano. A reunião de ontem foi a primeira depois do agravamento da crise no mercado imobiliário, devido aos problemas no segmento de maior risco (conhecido como “subprime”) do mercado hipotecário americano com o aumento na inadimplência. No mês passado, o banco francês BNP Paribas congelou os resgates em três fundos, alegando incertezas quanto à exposição dos investimentos dos fundos ao mercado hipotecário de risco.
Desde então, os principais bancos centrais do mundo -o próprio Fed, o BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra (banco central britânico) e o Banco do Japão- liberaram recursos (em alguns casos, como o Fed e o BCE, ainda liberam) para evitar uma crise de liquidez em seus respectivos sistemas bancários. Ontem o BCE, o Fed e o Banco da Inglaterra fizeram novas liberações de recursos nesse sentido. A última vez em que o Fed havia reduzido sua taxa de juros em 0,5 ponto percentual foi em novembro de 2002, quando a taxa passou de 1,75% para 1,25% ao ano. O banco manteve sua taxa em 1% ao ano até maio de 2004.
A economia dos EUA, então, passou a dar sinais de que estava saindo do período de recessão em que havia entrado em 2001. O banco passou, assim, a elevar a taxa em 0,25 ponto percentual, em uma seqüência de elevações consecutivas até junho de 2006, quando a taxa chegou a 5,25% ao ano. Desde agosto do ano passado, manteve a taxa neste patamar.
A crise imobiliária atual teve seus piores momentos no mês passado, antes de o Fed reduzir sua taxa de redesconto (usada pelo Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com escassez temporária de liquidez causada por problemas internos ou externos) para 5,75%. A medida reverteu o cenário de quedas nas Bolsas em Wall Street, que chegaram a cair 3%. As Bolsas ganharam terreno após a medida, mas a expectativa por um corte na taxa básica do Fed (a dos fundos federais, principal da política monetária).
Com as restrições maiores por parte dos bancos no acesso ao crédito, um corte dos juros básicos do Fed vinha sendo visto como forma de estimular a tomada de empréstimos, para que não houvesse desaquecimento demasiado da economia americana, com a queda no consumo e nos investimentos em produção.
O congressista republicano e presidente do Comitê Econômico do Congresso americano, Jim Saxton, declarou em uma nota que o corte de juros do Fed era necessário. “O Fed deveria agir para nivelar a curva de juros ao menos até que o impacto macroeconômico da crise imobiliária esteja mais claro”, diz o congressista. “O corte de juros do Fed poderia melhorar a posição do banco central no caso de passos adicionais serem necessários para otimizar o crescimento econômico de longo prazo”.

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