Faturamento em dólar do PIM cai 13,74% em 2020

O faturamento do PIM desacelerou 23,48%, na passagem de novembro (US$ 2.47 bilhões) para dezembro (US$ 1.89 bilhões). Na comparação com a marca de 12 meses atrás (US$ 1.88 bilhão), houve um virtual empate (+0,53%). O Polo encerrou o ano com US$ 22.82 bilhões e recuou 13,74% ante 2019 (US$ 26.46 bilhões). Os dados estão nos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus e foram divulgados pela Suframa, nesta segunda (15).

Contabilizados em reais, os valores foram novamente mais animadores. O faturamento do último mês do ano passado totalizou R$ 9,81 bilhões, sendo 24,45% mais baixo do que o de novembro de 2020 (R$ 13,16 bilhões), embora 27,73% superior ao de dezembro de 2019 (R$ 7,68 bilhões). De janeiro a dezembro, as vendas da indústria incentivada acumularam R$ 119,68 bilhões e subiram 14,26% ante igual período do ano anterior (R$ 104,74 bilhões), 

A diferença de desempenho para o PIM entre ambas as comparações, que aponta o melhor resultado dos últimos seis anos na moeda nacional, e um tombo de dois dígitos, em dólares, se deve à forte desvalorização cambial vigente. Em texto distribuído por sua assessoria de imprensa, a Suframa reforça que a cotação da moeda norte-americana em reais avançou 27,20%, entre dezembro de 2019 (R$ 4,08) e o mesmo mês de 2020 (R$ 5,19). 

Os dados da Suframa para o faturamento do PIM superaram as projeções das lideranças da indústria incentivada de Manaus. Números divulgados pela Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), na última semana de 2020, apontavam que o faturamento em reais (R$ 115,27 bilhões) deveria ser 10,06% maior do que o de 2019, e que as vendas contabilizadas em dólares não passariam dos US$ 21,87 bilhões, ficando 17,31% mais baixas, na mesma comparação. 

Como de hábito, os polos eletroeletrônico (US$ 5.62 bilhões de faturamento e participação de 24,63% no bolo) e de bens de informática (US$ 5.94 bilhões e 26,08%) responderam por mais da metade das vendas do PIM, no acumulado do ano. Mas, ambos amargaram recuo (-19% e 0,14%, na ordem), no cálculo em dólares e só quatro das 26 atividades da indústria incentivada de Manaus listadas pela Suframa avançaram na mesma comparação – produtos alimentícios (+18,30% e US$ 133.65 milhões), mobiliário (+13,47% e US$ 38.96 milhões), vestuário e calçados (+18,03% e US$ 4.86 milhões) e naval (+0,99% e US$ 40.23 milhões).

Os resultados em moeda nacional, por outro lado, apresentaram elevações respectivas de 7,42% e de 14,42%, para as indústrias de eletroeletrônicos e de informática. Contabilizados em reais, os melhores desempenhos vieram ainda dos subsetores químico (R$ 10,02 bilhões e +6,39%), termoplástico (R$ 8,81 bilhões e +28,02%), metalúrgico (R$ 9,65 bilhões e +19,77%) e mecânico (R$ 7,88 bilhões e +19,33%) e de isqueiros canetas e barbeadores descartáveis (R$ 2,40 bilhões e +2,89%).

Uma das linhas de produção com maior aquecimento foi de celulares, que atingiram fabricação de 14.682.500 unidades e crescimento de 2,6%, no acumulado do ano. Outros resultados positivos vieram de condicionadores de ar do tipo split system (+7,93% e 5.240.047 unidades) e de janela (+6,49% e 452.850). A lista incluiu aparelhos de audio (+11,47 e 394.303), home theaters (+81,55% e 62.413), microcomputadores portáteis (+78,44% e 673.292), aparelhos de barbear (16,50% e 1.810.483) e discos de blu-ray (109,84% e 9.010.336). Mas, a maior alta relativa (+126,31%) veio dos tablets PC, com pouco mais de um milhão de unidades fabricadas.

Mais contratações

As boas notícias também incluíram as contratações. Em dezembro, o PIM registrou média de 96.934 postos de trabalho nas fábricas, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados, o melhor desempenho para o mês, desde 2015, ano inicial da crise econômica anterior. Houve queda de 5,34% em relação a novembro (102.407) – o melhor número das indústrias incentivadas de Manaus no ano –, em razão da sazonalidade, mas a comparação com o mesmo mês de 2019 (91.520) rendeu incremento de 5,91%. 

A despeito dos impactos econômicos da pandemia, a média mensal de postos de trabalho no PIM apresentada na consolidação do ano passado (94.046) se manteve 4,78% acima do patamar apresentado no acumulado dos 12 meses de 2019 (89.753). O resultado superou também as marcas de 2018 (87.454), de 2017 (86.883) e de 2016 (86.161), mas ainda seguiu bem distante do número registrado em 2015 (105.015). O dado divulgado pela Suframa superou as estimativas iniciais da Fieam, que aguardava uma média mais baixa para os empregos (89.962) e retração de 1,7%.

“Imensas dificuldades”

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da Suframa, o titular da autarquia federal, Algacir Polsin, avaliou que o saldo de 2020 foi positivo para o PIM. No entendimento do superintendente, o Polo conseguiu superar “as imensas dificuldades” decorrentes da pandemia – que produziu impactos mais severos no primeiro semestre – e fechar o ano com “seus melhores resultados de empregos e faturamento dos últimos anos”. 

Polsin também comentou os números da pesquisa mensal do IBGE para o setor, referentes ao período, que apontaram um desempenho pior para a indústria amazonense como um todo. “Embora precisemos analisar ainda mais profundamente esses indicadores, verificamos que setores como os de fabricação de bebidas e de produtos de borracha e material plástico, os quais fazem parte da indústria incentivada da Zona Franca de Manaus, foram destaques de crescimento na produção, da ordem de 10,1% e 15,7%, respectivamente”, ponderou. 

Pandemia e desconfiança

Em depoimento anterior, o presidente da Fieam, Antonio Silva, destacou que os “segmentos fortes do PIM” – as indústrias de informática e eletroeletrônicos, além dos polos de duas rodas e químico – ajudaram a consolidar um resultado para o Polo já aguardado pelas lideranças do setor. O dirigente ponderou que a crise poderia gerar oportunidades para a indústria da ZFM, em face de uma demanda insatisfeita no mercado brasileiro decorrente da própria pandemia – desde que os Estados do Centro-Sul conseguissem controlar sua propagação.

Em entrevistas mais recentes à reportagem do Jornal do Commercio, contudo, o presidente da Fieam manifestou preocupação em relação à entrada do restante do país na segunda onda, dado o efeito das restrições ao varejo nacional – e às vendas do PIM. “Estamos monitorando os reflexos que a extensão da pandemia deverá implicar sobre o Polo. A retração no consumo e a crise de confiança do consumidor nos preocupam sobremaneira. (…) É fundamental o aquecimento da economia mediante o auxílio do governo. Sem esse mecanismo teremos, uma debacle ainda maior”, arrematou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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