Faturamento de bares e restaurantes em queda livre na pandemia

O faturamento do setor de alimentação fora do lar no Amazonas caiu 60% neste período de pandemia. Na região Norte essa baixa chega a 75%. A Pesquisa Nacional de Situação de Crise realizada com 1558 estabelecimentos do Brasil divulgada pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), revela dados de um panorama desafiador para o segmento.  

Entre os números apontados pelo levantamento, 80% das empresas na região precisaram renegociar o contrato de alugueis, 52% dos fornecedores estão renegociando dívidas ou fazendo parcelamentos, e  48% dos empresários buscaram crédito nos bancos. Destes, 79% tiveram o empréstimo negado.

No Amazonas, os números seguem a mesma linha. Segundo a Abrasel-AM, o faturamento em Manaus caiu mais de 50% em abril. Neste mês, esse percentual já chega a 60%.  “É um cenário bem difícil. Além da dificuldade para manter o negócio funcionando mesmo via delivery, o empresário ainda se depara com burocracias para ter acesso às linhas de crédito”, declara Fábio Cunha, presidente da Abrasel-AM ao informar que ao menos 89% dos empresários que buscaram crédito no banco tiveram o empréstimo negado. 

Para Cunha, o governo está bem intencionado liberando linhas de créditos baratas, porém os bancos exigem um protocolo de documentos muito grande, além de garantias que o pequeno empresário não tem como assegurar, e isso inviabiliza essa entrada. “É uma perspectiva desafiadora e o cenário de retomada vai ser com mais dificuldade”.

Outros dados apontados pela Abrasel-AM apontam que 55% dos empresários continuaram trabalhando. Cerca de 45%  estão fechados totalmente (sem faturamento). Em torno de 15% tentou operar via delivery, mas desistiu.

“As dificuldades são muitas porque o delivery ‘sempre foi uma atividade completar poucos são os que atuam somente com esse sistema, e hoje, tornou-se a atividade principal. Muitas são as dificuldades na operação, principalmente porque a demanda por pessoal (entregadores) é grande. As dificuldades em renegociação de aluguéis também têm sido um grande gargalo para os empresários. Conforme o presidente da entidade, as tratativas com os locadores dos pontos comerciais têm provocado um estresse muito grande. Além da negociação com fornecedores “porque da noite para o dia o faturamento caiu/parou, mas as contas continuam chegando e eles querem receber”.

O setor ainda precisou negociar com os colaboradores que tiveram seus salários reduzidos. Em meio às perdas, a única medida positiva, de acordo com Fábio Cunha, foi a suspensão de contrato de trabalho  pela MP 936 para 44% dos funcionários. “Essa foi uma saída porque conseguiu estancar as demissões, mas ainda assim tiveram muitas. A gente acredita que 25% dos restaurantes estão fechados em definitivo e o maior desafio vai ser enfrentar a retomada, que vai ser lenta com muitas normas e protocolos. Eu acredito que muitos vão desistir depois de retomarem, porque o capital de giro não existe. É preciso entender que o setor foi duramente afetado e vamos precisar  recomeçar “.  

Entre outros dados da Pesquisa Nacional de Situação de Crise, na região, 66% dos restaurantes estão trabalhando só com delivery,  59% dos empresários pretende retomar as atividades com operação reduzida quando autorizado pelo governo local. Ainda segundo a pesquisa,  se a atual situação se mantiver pelos próximos 30 dias, 19,75% dos empresários  terão de demitir todos os funcionários.O levantamento  foi realizado entre os dias 15 e 18 de maio. 

Linhas de crédito

O Empréstimo fácil para bares e restaurantes (além de outras empresas da área do turismo, como agências e guias), liberadas pelo MTUr (Ministério do Turismo) oferta juros de menos de 1% ao mês e até 12 meses de carência para pagar. O anúncio de novas linhas de crédito pelo Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, trouxe novo alento para o setor, que foi pego em cheio pela crise do coronavírus. A Medida Provisória 963, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada, visa dar suporte para que os estabelecimentos consigam atravessar este momento e manter os empregos durante a pandemia. 

Com estabelecimentos que têm queda de faturamento de até 100% em várias cidades, o setor de alimentação fora do lar vê a medida como uma importante iniciativa em meio à crise. "Já estamos perdendo muitos empregos. A medida vem em boa hora, principalmente porque os micro e pequenos empresários têm opções reduzidas de crédito nos grandes bancos", diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel. "Em uma recente teleconferência com o ministro, abordamos o assunto, que muito nos preocupa. Ele nos prometeu novidades para breve e cumpriu a palavra", completa.

Fonte: Andreia Leite

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