Fantasmas da ópera pública arrasarão clã Bolsonaro

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Até final de 2021, novos escândalos aparecerão

O artigo aponta o andamento das previsões publicadas no Jornal do Commercio sobre o governo Bolsonaro.

Em 2017 e 2018 publicamos artigos sobre Bolsonaro e filhos, mas resgato os artigos do dia 29/08/18 com o tema “A multiplicação dos bens dos clãs Ciro, Lula e Bolsonaro” e do dia 26/09/18 com tema “Bolsonaro+Haddad=soçobro nacional”, o qual apresentava evidências de que a gestão de Haddad ou de Bolsonaro trariam caos ao país.

O saudoso pai da administração, Dr. Peter Drucker, afirmava que aprendeu administração estudando História, sigo o raciocínio dele e ao longo dos quase 20 anos estudando gestão, pública ou privada, aprendi que realmente não precisa ser vidente, mãe Diná para prever com certa margem de acerto os eventos futuros na gestão pública, bastando apenas conhecer o histórico dos políticos. No caso do clã Bolsonaro, não foi difícil prever uma gestão ruim no Planalto e que escândalos seriam revelados. O embasamento está na produtividade, na evolução patrimonial, no modo operandis e nos processos que correm na justiça contra essa turma. Então, vejamos novamente alguns fatos, números e previsões, confrontando-os com os quase 5 meses de gestão:

a) seu programa de governo é fraco e contraditório:

Previsões: quem é especialista em gestão pública e estuda as 81 páginas do “Caminho da Prosperidade” dificilmente acredita que a Constituição será respeitada, que o estado será eficiente, ora o próprio Bolsonaro já um exemplo vivo de ineficiência, o parlamentar em quase 28 anos como deputado federal, só aprovou 2 projetos de lei e um nem era de autoria dele. No plano há a citação de que saúde e educação serão prioridades, mas o próprio parlamentar só apresentou 1 projeto para a educação e 2 para a saúde, não aprovando nenhum na Câmara dos Deputados.

Realidades: Programa Mais Médico tem ausência de centenas de médicos em regiões mais pobres e em áreas indígenas, sem contar que o MEC está um caos, um ministro já caiu e outro já mostrou que não sabe nem calcular, mas apenas contingenciar e lascar ainda mais as combalidas escolas e universidades. Além disso, até o momento a gestão tem sido por decreto, alguns dos quais desrespeitando a constituição, tais como o porte de armas, algumas mudanças em pastas dos Ministérios, extinção de colegiados, tentativa de festejar golpe de 64, etc;

b) Bolsonaro é indisciplinado, ambicioso, sem liderança

Previsões: o candidato pede união da nação e exalta a disciplina, a lealdade nos colégios militares, mas quando ele foi condenado no exército, seus superiores afirmaram, em uma das fichas técnicas do Exército, protocolada em 87 no gabinete do Ministro do Exército Leônidas Pires, que Bolsonaro “é desleal e indisciplinado”. Segundo o então Coronel Pellegrino, ele “tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado aos camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação dos seus argumentos. Então é fácil inferir que ele não tem perfil para liderar a nação, conforme atributos demandados pelo Artigo 84 de nossa Constituição.

Realidade: analisando os 5 meses, temos visto “Poder acima de tudo, Diabo acima de todos” com falta de sincronia entre os ministros e aliados, muita balbúrdia, brigas entre evangélicos e militares, desmentimentos de falas do presidente e ministros, desordens envolvendo o maluco do Olavo, brigas com a imprensa, distrações desnecessárias, laranjal, envolvimento com milicianos, demissões em tempo recorde de indicados, ataque as universidades, o que demostra inaptidão e falta de liderança do Presidente, de tal modo que mesmo com os esforços de Guedes, os investidores já consideram o ano de 2019 como perdido.

c) excessiva ambição e escândalos estourarão

Previsões: segundo a ficha de informações produzida em 1983 pela Diretoria de Cadastro e Avaliação do Exército, Bolsonaro, na época tenente com 28 anos, “deu mostras de imaturidade ao ser atraído por empreendimento de garimpo de ouro. Necessita ser colocado em funções que exijam esforço e dedicação, a fim de reorientar a carreira. Deu demonstração de excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente”. Ai quando analisamos a continuação da história no Exército, identificamos que Bolsonaro se aproveitou da insatisfação dos militares com o salário e conseguiu se eleger vereador no RJ fazendo a maior balbúrdia no Exército, instituição que sentiu alívio em mandá-lo para a reserva como capitão logo após ele ter sido eleito. Mas parece que a fome de poder e dinheiro não é exclusividade do Jair, mas de sua família, os quais enriqueceram mamando nas tetas do Estado e com fortes indícios de adoção de práticas suspeitas que estourarão nos próximos quatro anos, conforme realidades abaixo:

c1) suspeita de uso privado de dinheiro público com passagens aéreas (inquérito policial 0025039-72.2016.04.01.0000/DF);

c2) aumento acelerado de patrimônio, apenas com os recursos declarados temos: Jair Bolsonaro aumentou o seu patrimônio em 22.767,79% entre 1988 (R$ 10 mil) e 2018 (R$ 2.286.779,48); o Eduardo Bolsonaro tinha R$ 250 mil em 2014, em 2018 declarou R$ 1.395.109,14 (+580,5%), período que a inflação acumulada foi de 28%; Flávio Bolsonaro tinha R$ 25.500 em 2002 e em 2018 declarou R$ 1.741.758,15 (+6.730,4%); Carlos Bolsonaro sem declarar nada ganhou em 2002, em 2018 declarou R$ 608.805,33;

c3) priorizaram a contratação de familiares em seus gabinetes (nepotismo envolvendo seus parentes e parentes de militares), bem como adotaram funcionários fantasmas. Em 88 páginas, sete promotores do MPRJ pediram ao Juiz Flávio Itabaina a quebra do sigilo bancário de 95 pessoas, dentre elas do Flávio Bolsonaro, sua esposa, Queiroz, esposa e filhas dele, de parentes de milicianos perigosos, etc. Neste documento lemos que há fortes evidências de práticas de nepotismo, funcionários fantasmas, compra subfaturada e venda superfaturada de imóveis, bem como movimentação bancária com sinais de lavagem de dinheiro. O nepotismo descarado era tal que o documento aponta que Flávio nomeou as duas esposas, duas filhas, a enteada, o sobrinho e até o ex marido da atual mulher do militar Queiroz. Além disso, na parte de funcionários fantasmas, o MPRJ aponta ao menos seis com este perfil, incluindo militares que desonraram a farda.

Em síntese, pelos elementos de provas colhidos, o MPRJ vê indícios de uma organização criminosa, o seu pedido de quebra de sigilo foca no período de 01/01/2007 a 17/12/18  e envolve três pessoas do núcleo do Flávio, oito pessoas do núcleo de parentes de Queiroz, 62 pessoas do núcleo de demais assessores e 20 pessoas físicas e jurídicas envolvidas direta e indiretamente com as transações imobiliárias com Flávio. Para complicar, o juiz solicitou no último dia 15/05/19 a Receita Federal para que envie todas as notas fiscais emitidas entre 2007 e 2018 em nome do Flávio, do Queiroz e outros sete investigados.

Assim, pelo histórico errático, por se negarem em comparecer à justiça, pois quem não deve não teme, por tentarem atrapalhar as investigações e pelos fatos apontados, conclui-se que se o MPRJ e o juiz forem firmes, imparciais, as apurações têm o potencial de atingir as milícias, o PSL, a 1a dama, os irmãos e até o presidente, uma vez que vários dos investigados não trabalharam apenas para o Flávio, mas nos gabinetes dos demais da família. Então imagino que se a justiça for a fundo, até final de 2021, novos escândalos aparecerão e o feitiço virará contra o feiticeiro, pois os fantasmas da ópera pública arrasarão o clã Bolsonaro, quem viver verá.

*Jonas Gomes da Silva é vice-chefe do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – [email protected]

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