Fantasma do lockdown no Brasil põe indústria em alerta

A segunda onda da pandemia de covid-19 e o fantasma dos lockdowns em diversas praças do Centro-Sul do Brasil acenderam uma luz amarela na indústria incentivada de Manaus. O comércio de Belo Horizonte (MG) já está de portas fechadas, enquanto São Paulo oscila entre as fases amarela e vermelha, e o Rio de Janeiro coleciona alguns dos piores números proporcionais de covid-19 em todo o país. O avanço da pandemia em nível local e a necessidade de redobrar os cuidados com os colaboradores também inspiram cuidados. 

As lideranças do PIM se dizem atentas às mudanças do cenário da crise da covid-19, que já inclui vacinação em massa, mas não uma data estimada e as condições para tanto. Em meio a um mercado pontualmente ainda aquecido, as entidades do setor consideram que ainda é cedo para prever se as fábricas voltarão a suspender atividades para evitar a superestocagem amargada no pico da pandemia, em abril e maio de 2020 –quando o comércio estava de portas fechadas de Norte a Sul do Brasil. Mas, se dizem apreensivas quanto à possibilidade.    

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, lembra que o funcionamento da indústria está exatamente ligado à demanda e, se não houver procura, não haverá produção. Especialmente levando em conta que o perfil de produção do Polo Industrial de Manaus é de artigos de consumo e não essenciais, tornando cada vez mais difícil produzir sem ter para quem vender. 

Segundo o dirigente, por enquanto, o PIM ainda não está sofrendo o impacto dos lockdowns municipais. Antonio Silva pondera que, felizmente, se aproxima a aplicação de uma vacina contra a covid-19 para aliviar a pressão sobre o atendimento hospitalar e de locais de primeiros atendimentos. A expectativa do presidente da Fieam é que, dentro de três meses, a vacinação já esteja acelerada, possibilitando que os negócios se desenvolvam sem muitos problemas. Mas, ele alerta que o governo tem que se mexer.

“Com relação aos estoques, acreditamos que estão em níveis que possibilitam um planejamento adequado de abastecimento do comércio. Em relação às encomendas, ainda não houve reflexo significativo, mas não sabemos futuramente. Na verdade, as autoridades precisam agir com maior rapidez no enfrentamento da pandemia, sob pena de termos uma profunda recessão no Brasil”, alertou.

Experiência na pandemia

O presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), José Jorge do Nascimento, avalia que ainda é muito cedo para prever se o parque fabril de Manaus vai sofrer outra parada ou não. O dirigente concorda que 2021 já começa de forma atípica, já o retorno às atividades costuma ocorrer depois das férias, mas desta vez foi antecipado para semana passada. Mas, reforça que, em virtude de a produção ter sido retomada há poucos dias, ainda não é possível desenhar o cenário deste ano.

Em entrevista concedida ao Jornal do Commercio, o presidente da Eletros ressaltou que o subsetor vinha de uma trajetória positiva, a partir da virada do semestre, com a retomada decorrente da demanda reprimida e da liquidez proporcionada pelos estímulos anticíclicos do governo federal. Os dados mais recentes da Suframa informam que o polo eletroeletrônico faturou R$ 24,58 bilhões de janeiro a outubro, tendo crescido 5,86% nesse tipo de comparação –embora tenha recuado 20,85% em dólares (US$ 4.69 bilhões).

A trajetória ascendente das linhas de produção do polo eletrônico, contudo, enfrentou obstáculos no final do terceiro trimestre, em virtude da falta de insumos. Com isso, muitas fábricas –algumas delas já trabalhando com três turnos –tiveram de suspender os trabalhos e conceder férias antecipadas. O presidente da Eletros considera que o cenário já está se normalizando, embora se diga preocupado com o fim das ações federais de fomento à economia. Mas, se diz otimista e avalia que a experiência acumulada nos dias mais amargos da pandemia em 2020 devem fazer diferença para evitar que o setor volte a parar.

“Os governos e empresas estão com mais experiência e sabem lidar melhor com a pandemia. Acho que as paradas e fechamentos só devem ocorrer nos casos extremos. É claro que o maior rigor não está inteiramente descartado, mas só deve ocorrer nessas situações. Acompanhamos os acontecimentos e estamos na expectativa de que não tenhamos uma repetição do cenário que ocorreu em abril e maio de 2020”, ponderou.

Defasagem e demanda

Mais assertivo, o diretor executivo da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Paulo Takeuchi informa, por meio da assessoria de imprensa da entidade, que o segmento de duas rodas do PIM se mantém em trajetória de crescimento de produção e vendas para suprir lacunas de mercado geradas pela paralisação das atividades, no segundo trimestre, e a falta de insumos registrada na virada do terceiro para o quarto trimestre. O dirigente, entretanto, também não se diz inteiramente tranquilo em face do atual panorama de segunda onda de covid-19 e lockdowns generalizados pelo país.

Conforme os dados mais recentes da Abraciclo, o PIM produziu 104.094 motocicletas, em novembro, o que configurou acréscimos de 14,5% sobre outubro de 2020 (90.880) e de 11,8% em relação a novembro de 2019 (93.128 unidades). Mas, o acumulado ainda seguiu negativo em 14,5%, com 888.515 (2020) contra 1.038.696 (2019) unidades. No mesmo mês, as fábricas entregaram 63.562 bicicletas, registrando tombos de 35,4% na variação mensal (98.330) e de 19,7% na anual (79.137). De janeiro a novembro, a produção foi 30,4% inferior e passou de 899.177 (2019) para 625.786 (2020) unidades.

“A demanda segue aquecida, já que o setor ainda enfrenta uma defasagem de entrega, devido à parada das fábricas por dois meses, no ano passado. Diante do quadro atual, estamos receosos com a evolução da pandemia e, por isso, redobramos os cuidados na aplicação dos protocolos de segurança com nossos colaboradores. Esperamos não ter que suspender as atividades”, arrematou Paulo Takeuchi. 

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