Famílias estão mais endividadas

O percentual de famílias que relataram ter dívidas em julho de 2013 cresceu. Em pesquisa realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços) foi constatado que 65,3% das famílias brasileiras apresentam dívidas, o maior dos últimos 12 meses. O número é 7,6% maior que o número de endividados no mesmo mês do ano passado e 2,2% maior que os dados obtidos em junho de 2013.
O economista da CNC, Bruno Fernandes, destaca que as famílias têm encontrado maiores dificuldades econômicas devido ao aumento do custo de vida. “As contas básicas aumentaram, esse ano passamos pelo aumento do preço da cesta básica e vários outros aumentos. Com isso se cria uma dificuldade em quitar os débitos. Além disso o custo do crédito também aumentou”, explica.
Apesar da taxa de endividamento ser a maior dentro do período de um ano, a tendência, segundo Bruno Fernandes é que ocorra uma diminuição nos próximos meses. Segundo o economista o leve arrefecimento da inflação, o crescimento mais moderado do crédito, o perfil de endividamento mais favorável e o mercado de trabalho ainda aquecido proporcionam condições positivas para os indicadores de inadimplência. “A inflação está se retraindo. O valor da cesta básica já se encontra menor na maioria dos lugares, inclusive no Amazonas, por exemplo. Com isso esperamos que esses números diminuam”, comenta.
Os números demonstram que o endividamento é maior nas famílias de classe C e D, com 66,4% de endividamento. Nas classes mais elevadas esse número cai para 58,9%. No número de contas em atraso as diferenças entre as classes se mantêm. Cerca de 25% das classes C e D possuem contas atrasadas contra apenas 10,8% das A e B. A diferença se torna maior no número de famílias que assumem não ter condições de arcarem com suas dívidas. Enquanto 9,3% das classes sociais que ganham menos de 10 salários mínimos afirmam não ter como pagar suas dívidas, apenas 1,8% das classes de maior poder aquisitivo passam por essa situação.

Cartão de crédito

O cartão de crédito é a principal fonte de dívidas do brasileiro. 75,2% da população possui dívidas com o cartão, número 3,4% maior que no mesmo mês do ano passado. Outra fonte de dívida que apresentou crescimento foram os empréstimos consignados com 5,3% ante 3,2 em 2012. “Historicamente o cartão de crédito sempre foi a maior dívida do brasileiro, os números sempre variam em 2% ou 3% para mais ou para menos. No entanto o crescimento do número de crédito consignado pode ser visto como uma maneira do brasileiro de procurar dívidas que apresentam menor juros”, comenta Bruno Fernandes.
A proporção das famílias que se declararam muito endividadas aumentou em julho pelo quinto mês consecutivo, alcançando 13,3%. No entanto, o percentual não superou o patamar observado em julho de 2012, correspondente a 14,1%. Bruno Fernandes, explica que isso reflete o comportamento atual da população brasileira, que faz muitas dívidas, mas não em escalas tão altas.

Valor médio de dívida por família

A Fecomércio – SP (Federação do Comércio de São Paulo divulgou na tarde de ontem “a radiografia do endividamento”, referente ao ano de 2012. Manaus ficou em terceiro lugar entre os Estados da região Norte no valor médio das dívidas com R$ 1.399. Em primeiro lugar ficou Belém com R$ 1.580 e Palmas com R$ 1.442. No entanto a parcela mensal do salário comprometida com a dívida equivale a 33%, atrás apenas de Boa Vista com 34%.
Manaus também está entre as menores média de famílias endividadas no país, com 50%. À frente apenas de Salvador com 40%, Goiânia 43%, Campo Grande 46% e empatado com a capital paulista. A liderança é de Curitiba com 88% das famílias endividadas. Entre os maiores valores de endividamento no país a liderança é das famílias residentes em Florianópolis com R$ 2.505 de endividamento.
O economista Bruno Fernandes, comenta que como os maiores aumentos da inflação ocorreram em 2013 a tendência é que tenha ocorrido um maior crescimento na região Norte, mas que elas também será a primeira a sentir a redução esperada. “Por possuir um maior número de famílias da classe C a região Norte sentiu menos os efeitos da crise em 2012 e mais em 2013. No entanto com o recuo da inflação que deve ocorrer no segundo semestre será a primeira a retornar para níveis mais favoráveis de endividamento”, comentou.

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