Faltam empresas de reciclagem

Os resíduos produzidos pelas residências doméstica em Manaus ainda está longe de ter uma destinação correta. A Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos) comenta que há apenas três empresas (Sovel, Bipacel e Pce) que dão destino final para esse tipo de resíduo na cidade e ainda se limitam a trabalhar apenas com papel e papelão. Ignorando outros tipos de resíduos que acabam sendo desperdiçados como é o caso do vidro, ou são buscados apenas no distrito como ocorre com os plásticos.
“A maioria das empresas focam apenas o resíduo proveniente do distrito que costumamos chamar do filé, material puro, limpo, temos dificuldade em dar destinação correta para a maioria dos resíduos. O plástico, por exemplo, as empresas só buscam o proveniente do PIM. O plástico das residências a prefeitura e os catadores não pega, por que não tem como dar destino”, explica Elisa Terezinha Muller, Gerente de Articulação Comunitária da Semulsp.
Terezinha Muller cita o exemplo do vidro, um dos produtos com maior capacidade de reciclagem e um dos valores mais altos do mercado, mas que acaba indo parar no aterro de Manaus, por não haver empresas que trabalhem com o produto e nem ser possível escoar o produto para o Sul. “O vidro é 100% reciclável. Se eu tenho 1kg de vidro, quando reciclar terei 1kg, sai muito mais econômico, mas Manaus não tem mercado, então não adiantar coletar esse resíduo, nem nós nem os catadores teremos onde guardar ou como escoar o material”, lamenta.
A média do preço de uma tonelada de vidro no Sul e Sudeste gira em torno de R$ 280, dependendo do tipo, cor e estado. O quilo do papelão por exemplo sai por R$ 120 a R$ 150, além de ser um material mais leve, ou seja é mais que o dobro do valor da tonelada. “Se eu mandar isso para o Sul e Sudeste eu gasto R$ 500” comenta Terezinha que ainda questiona a quantidade de gás carbônico que é gasto para enviar o material, o que torna o processo inviável tanto economicamente quanto ecologicamente. “Tem que fomentar que empresas venham para cá para beneficiar esse material e achar uma solução. Nós mantemos os dados básicos para que se alguma empresa se interessar a vir para Manaus, termos dados para passar para essa empresa de arrecadação. Sabemos que hoje o vidro é bastante procurado no Sul e Sudeste”.

PEVs não tem boa adesão

A prefeitura trabalha hoje com sete PEVs (Ponto de Entregas Voluntárias) na cidade, no entanto eles apresentam situações precárias e alguns estão abandonados e não funcionam. Além disso, segundo a própria Semulsp, a adesão é extremamente baixa e a questão administrativa deles precisa ser revista. “O foco da gestão do PEV não é a secretaria de limpeza assumir essa responsabilidade. Trabalhávamos muito na questão da adesão, mas agora largamos um pouco isso e vamos focar nessa questão da gestão, o ideal é que os catadores cuidem” explica Terezinha Muller
Atualmente a prefeitura trabalha com três cooperativas e sete associações que deveriam ficar responsáveis pela gestão dos PEVs, há também quatro representantes dos catadores dentro da Semulsp. Alcinei Cunha, presidente da Cooperativa de Catadores de Resíduos Sólidos Aliança, questiona que a prefeitura não dá o apoio que deveria e que há muitas rixas entre as próprias associações.
Os PEVs são provenientes de uma pena paga pela Semulps, imposta pela Vemaqa (Vara Especializada do Meio Ambiente e de Questões Agrárias) para órgãos e empresas que cometem algum tipo de infração ambiental. “Procuramos fazer o infrator aprender com seus erros, os PEVs foram uma iniciativa nossa. Agora devem ser pintados e restaurados por determinação da justiça. Mas não podemos fazer nada quanto ao funcionamento deles, é de responsabilidade do município”, explica o juiz da Vemaqa, Adalberto Carin Antônio.
Apenas três PEVs estão em funcionamento atualmente na cidade. Um na Lagoa do Japiim, no Parque dos Bilhares e Parque do Mindu.

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