Falta de transparência alimentou crise, afirma FMI

Há dez anos a seguinte afirmação constaria das prate-leiras de ficção, não das de economia: a crise financeira detonada em agosto pela au-sência de liquidez do mercado imobiliário americano foi fruto da falta de transparência das instituições envolvidas. E economias emergentes como o Brasil fizeram com que os efeitos da turbulência fossem menores.

O estranhamento fica completo quando se sabe que o autor das constatações é o Fundo Monetário Internacional, até outro dia o bedel de tais economias. Essas são duas das principais conclusões da atualização do relatório sobre estabilidade financeira global, divulgada hoje pelo FMI como preparativo para o encontro bianual da instituição com o Banco Mundial, que acontece no fim de semana, em Washington.

O pior da turbulência já passou, disse Jaime Caruana, diretor do Departamento de Mercado de Capitais do Fundo, mas o período de ajustes ainda levará tempo (“Estamos pensando em semanas e meses, não dias”), e alguns retrocessos são possíveis. Além disso, a crise iniciada em agosto deve reduzir o crescimento global, afirmou -o FMI só divulgará sua nova previsão amanhã.

“A falta de transparência em como tais riscos estavam embutidos em produtos de créditos estruturados criou incerteza sobre avaliações e o tamanho e a distribuição das perdas potenciais”, afirmou Caruana. Para o economista, o efeito do que chamou de `fator corrosivo” só não foi pior por conta do equilíbrio dado por economias emergentes, como o Brasil.

“É até um pouco surpreendente, mas nessa situação muitos emergentes têm dado estabilidade para o sistema global”, disse o diretor. “Nesse sentido, o centro da crise tem permanecido mais nos mercados financeiros mais amadurecidos”.

É o oposto do que vinha ocorrendo nas duas últimas décadas, quando se dizia que, se as economias industrializadas espirravam, as emergentes pegavam um resfriado. Agora, as segundas estão servindo como remédio. “Esses mercados fizeram várias reformas positivas, como o gerenciamento de suas dívidas e a redução à exposição de moeda estrangeira, e o Brasil é um exemplo bom”.

Para evitar crises futuras, disse Jaime Caruana, é fundamental que haja mais informação à disposição do mercado. Nesse sentido, ele acredita que “más notícias são melhores do que incertezas”. Para isso, são necessários balanços realistas e que a graduação das agências de risco deixe de funcionar como avalistas de empresas.

Nas últimas semanas, agências avaliadoras de riscos têm rebaixado a graduação de empresas atingidas direta ou indiretamente pela falta de liquidez de mutuários americanos, a chamada crise do “subprime”.

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