18 de maio de 2021

Falta de flexibilização em decreto frustra o comércio de Manaus

Os ajustes nas medidas de restrição parcial e temporária de circulação de pessoas e de implementados pelos novos decretos estaduais (nº 43.482 e nº 43.483), publicados neste fim de semana, foram um banho de água fria para os lojistas de Manaus. O varejo, que já vinha registrando vendas em ponto morto, no balanço da primeira semana de reabertura dos estabelecimentos de comércio e serviços não essenciais na capital, aguardava uma maior flexibilização que trouxesse maior tranquilidade à clientela.

Na prática, a única alteração implementada em relação ao decreto 43.450 (de 19 de fevereiro) foi a liberação do funcionamento de academias e similares, de segunda a sábado, de 6h às 11h, com ocupação restrita a 50% da capacidade do estabelecimento. Para os empresários do segmento fitness, entretanto, a  medida tem curto alcance, dado que o horário, além de reduzido, não foi considerado adequado pela própria clientela. Já a permanência do toque de recolher de 19h às 6h – em Manaus e no interior – aparece como fator complicador para futuras flexibilizações ou mudanças de jornada. 

Conforme texto divulgado pela Secom (Secretaria de Comunicação Social), a reabertura das academias de ginástica da capital amazonense levou em consideração a redução das taxas de transmissão e da média móvel de óbitos por covid-19, na última semana, no município. Conforme aprovado pelo Comitê de Enfrentamento da Covid-19, na capital, o novo decreto terá validade por sete dias, a contar desta segunda (1º). No interior, as medidas restritivas também foram prorrogadas até 7 de março. 

“Fui ao Centro, na sexta [26], e fotografei as lojas da Marechal Deodoro, que é um termômetro do nosso comércio. Vi lojas totalmente vazias, sem ninguém. Mas, a partir desta próxima sexta [5], já devemos ter a liberação do auxílio manauara, que deve ajudar nas vendas. E os dados de mortalidade e internações por covid-19 estão caindo muito. O governo do Estado acena com uma nova flexibilização, se os números ficarem estáveis. O que pedimos mesmo é a extensão do horário, que até evitaria a aglomeração”, asseverou o presidente da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Jorge de Souza Lima.

Sem consumo

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, informa que o setor segue desaquecido em sua segunda semana de operações com atendimento presencial – em horário limitado. A boa notícia é que o dia a dia do varejo prossegue “normal” e sem incidentes relativos aos protocolos, mas o dirigente lamentou que o governo não tenha implementado nova abertura para o comércio em geral.       

“O movimento [nas lojas] ainda está fraco. As pessoas estão saindo muito mais para passear, porque não aguentam mais ficar dentro de casa. Mas, isso não está se transformando em consumo. Não houve incidentes e continua tudo como estava antes. Aguardamos que, na próxima semana, [o governo estadual] já libere mais segmentos e, com isso, nós consigamos aquecer mais o comércio”, comentou.

Chuvas e pandemia

Mais otimista, o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, assinala que, após mais de dois meses de portas fechadas, o setor suspirou aliviado e festejou o retorno a uma “quase normalidade”, com a possibilidade de sobrevivência de empresas e empregos. O dirigente ressalta, contudo, que as vendas ainda estão fracas, em decorrência do volume de chuvas, e pelo fato de que a maioria das pessoas não se vacinou e está com receio de sair de casa, dados os “números alarmantes” da pandemia.

“O terceiro motivo para isso é que o primeiro semestre sempre foi mais fraco do que o segundo. Só que, além de ser mais fraco, foi agravo por essa paralisação. Agora, as vendas, aos poucos vão se recuperando normalmente, à medida em que saímos daquele momento de paralisação. Recordo que, no sábado e domingo anteriores à reabertura, vi muitos comerciantes aflitos em se preparara para reabrir, e as lojas estavam encharcadas, mofadas e desarrumadas. Mas todo mundo estava naquela euforia de poder voltar à normalidade”, ponderou.

No tocante à pandemia, Aderson Frota avalia que ainda existem excessos provocados por festas clandestinas e pela falta de cuidados por parte da população que ainda continua provocando aglomerações. O presidente da Fecomercio-AM argumenta que, a grande maioria dos estabelecimentos comerciais não gera incidentes desse tipo e reforça que as empresas estão cumprindo “fielmente” todos os protocolos de proteção da saúde e da vida de seus colaboradores e clientes, por recomendação da entidade.

“Temos feito apelos para que, em todos os estabelecimentos, seja mantido o distanciamento social, com 50% da capacidade de atendimento no presencial, com todos usando máscaras e disponibilidade de álcool em gel e, acima de tudo, pia e sabão para lavar as mãos das pessoas mais cuidadosos. Este é exatamente nosso papel. Mas, estamos otimistas. À medida que vão diminuindo as chuvas, vão aumentando as vendas. Isso é uma repetição de todos os anos. Tudo deve melhorar a partir de maio, no Dia das Mães, e do segundo semestre, que é muito mais vigoroso para o setor”, avaliou.     

Horário inadequado

Academias reclamam do tempo limitado e inviável para retorno do público
Foto: Divulgação

Do lado dos proprietários do segmento fitness, a medida foi considerada apenas um paliativo em face da crise. A sócio proprietária da Amazônia Fit, Patricia Areb, conta que a maioria dos alunos do estabelecimento reclamou, dado que costumam ainda estar no trabalho, no horário autorizado para funcionamento, pelo governo estadual – de 6h às 11h. Segundo a empresária, muitos acabaram comparecendo ao primeiro dia de reabertura, uma vez que já haviam pago suas mensalidades, antes do fechamento.  

“Foram poucos os alunos novos. Estamos trabalhando para pagar os dias que ficamos fechados. Houve aglomeração nesse horário, e tivemos de dividir os alunos para ficarem distantes. Nossa expectativa é que o horário seja liberado, se não vamos ter de reduzir funcionários, ou até fechar, pois impostos, aluguéis e demais despesas não são cobrados de forma reduzida. Fui ao shopping agora e estava tudo aglomerado, mas a academia só é autorizada a funcionar de manhã. É uma hipocrisia a pessoa poder fazer compras e não poder fazer atividades físicas”, concluiu. 

Foto/Destaque: Divulgação

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