Falta de apoio abate empresários do turismo

Os números divulgados no relatório do Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) na abordagem com gerentes e empresários ligados ao turismo e consumidores nacionais e internacionais que visitaram a cidade de Manaus em 2010, apontam como as maiores dificuldades para ‘alavancar’ o turismo na cidade de Manaus, a falta de infraestrutura aeroportuária do município, seguida da melhor divulgação do município no Brasil e no exterior; a ausência de incentivos fiscais; eventos culturais e empresarias. Chama atenção o alto nível de insatisfação do turista nacional com os serviços públicos, que superou 40,0% no mês de dezembro.
O fiasco da insatisfação do turista com a infraestrutura da cidade captada pela pesquisa de 2010, é parte de uma realidade, que vem sendo moldada há décadas e é apenas a ponta do iceberg de uma situação que pode prejudicar toda a estrutura turística da capital. O fato vem revoltando os empresários de vários segmentos de serviços e produtos turísticos, principalmente os localizados no Centro da cidade, onde imperam a falta de ordenamento urbano, a poluição visual, falta de iluminação pública, poluição sonora, o trânsito caótico, o serviço de limpeza e segurança públicas deficientes. “Precisamos defender o nosso chão, levar a sério mostrar o comparativo, por exemplo, o Centro de Manaus está em condições sub-humanas, e ninguém faz nada. É necessário que todos se juntem em benefício da cidade”, desabafa o empresário de hotelaria e presidente da Abav-AM (Associação Brasileira de Agências de Viagem) e diretor da Abav nacional, Paulo Tadros.
Segundo ele, o caos do Centro já é motivo de recomendações contrárias ao Amazonas pelos turistas por meio da rede internacional, a internet, cuja velocidade pode elevar ou derrubar pessoas, projetos e cidades (vide o escândalo diplomático desencadeado pelo site WikiLeaks). “As pessoas recomendam que as outras não venham para a nossa cidade”, afirma.
De acordo com o presidente da Abav-AM, as empresas privadas cumprem com suas obrigações de pagar impostos, investir em estrutura, mas não podem evitar os assaltos, a venda de comida sem higiene, o lixo nas ruas, a poluição visual e sonora no Centro de Manaus e que assusta os turistas. “Falta cobrança sobre problemas gravíssimos e há mais de 15 anos convivemos com esses problemas sem ter qualquer resolução do poder público”, afirma. Na opinião de Tadros, a cidade está sem dono.
Para ele, cabe aos órgãos públicos cobrar, mas também contribuir para “fazer com que o empresário tenha condição de gerar emprego, pagar salários e impostos. É preciso que sejam tomadas providências por parte das autoridades competentes e cada um faça sua parte”, desabafa.

Infraestrutura aeroportuária é principal entrave para turistas

Quando se fala em números e necessidade de construir mais hotéis para receber a demanda de pessoas na Copa 2014 a afirmação do empresário de hotelaria e presidente da Abih (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), Roberto Bulbol é surpreendente: “Manaus tem três vezes mais acomodações do que seria necessário para receber para a Copa. O que não temos é aeroporto para receber a demanda de voos e ninguém quer tomar providências”, informa.
Segundo Bulbol foram feitas várias reuniões com objetivo de organizar e solicitar que cada órgãos e empresa faça sua parte, e apesar da presença do representante da Infraero não houve nenhuma resposta em forma de ação. “Não há obra nenhuma, a única coisa que estão fazendo de diferente no aeroporto atualmente é a pintura na calçada. Hoje, o aeroporto de Manaus não tem capacidade para receber ninguém”, afirma. Para Bulbol, do jeito que está, Manaus é “uma cidade que não tem produto pra vender”.
Da mesma forma que Tadros, ele lembra da cobrança feita pelo Poder público para que os empresários investissem em serviços. “Em dez anos conseguimos que empresários investissem na área, revertendo o quadro de péssimo serviço da nossa cidade. Hoje, tem garçons que falam mandarim. Chegamos a um patamar de 86% de satisfação do cliente, em compensação a cidade não está pronta pra receber o turista”, explica Bulbol. Segundo ele, foram quase dez anos de investimentos e que muito ainda vem sendo feito dentro do segmento.
Bulbol afirmou que os empresários, mesmo com toda a insatisfação deverão levar um documento ao prefeito de Manaus para que algo seja feito, pois a situação não pode ficar do jeito que está.

O que dizem os órgãos

Em resposta, a AmazonasTur (Empresa Estadual de Turismo Amazonense) informou que vem fazendo sua parte e deverá entregar várias obras com objetivo de apoiar a demanda turística.
Com relação a incentivos fiscais para o setor, a empresa estadual de turismo vem trabalhando juntamente com a Seplan e a Sefaz numa política que permita que as empresas, principalmente do setor hoteleiro, possam ter uma redução na cobrança de tributos como por exemplo o gerado pela energia elétrica. Além disso, a Amazonastur vem trabalhando fortemente para trazer novos voos e novas empresas para ampliar a malha viária do Estado. Até o fechamento da edição a ManausTur não havia enviado a sua resposta.

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