Falhas na navegação fluvial na Amazônia

Se podemos colocar em ordem de importância aquilo que é mais falho na navegação fluvial nos rios amazônicos, vou arriscar a dizer que é a falta de fiscalização do conjunto de regras, leis e normas estabelecidas para o setor e política para o setor.
Geralmente estas regras são deixadas de lado com a desculpa esfarrapada de que não há profissionais para fiscalizar e fazer cumpri-las, nem tão pouco serem fiscalizadas por pessoas que se intitulam profissionais ou autoridades no assunto que na verdade acabam criando a dificuldade, para vender a facilidade ou que simplesmente usam a seguinte argumentação barata: “ Para os inimigos , o rigor da lei. Para os amigos, os benefícios da lei”.
E afinal o que falta para as ­autoridades do setor cumprirem a sua obrigação?
Falta, infra-estrutura, equipamentos pessoal habilitado e acima de tudo aquilo que mais se exige de um profissional que trabalha em empresas privadas – o comprometimento.
Falta também, uma política séria e adequada para um setor de vital importância para o desenvolvimento da Amazônia.
A Amazônia, como bem disse um político de Brasília, não é tão somente uma grande coleção de árvores, existem pessoas, brasileiros que dependem da floresta e de seus rios de onde é extraído o sustento essencial para as suas famílias.
Já ouvimos muito das autoridades que a Amazônia possui uma faixa territorial muito grande e por isso, justifica-se a dificuldade em protegê-la seja lá do contrabando e narcotráfico ou de caçadores de animais e derrubadores de árvores.
Na verdade não há falta de contingente, o que existe é no mínimo falta de vontade política para resolver o problema. Pegue os grandes batalhões do exército brasileiro e coloque-os para engrossar a defesa das nossas fronteiras, para ajudar o Ibama para ajudar na fiscalização dos rios e das embarcações conjuntamente com a capitania dos portos, para sinalizar os bancos de areia, para pontuar as restrições que os rios oferecem à navegação de médio e grande porte.
Coloque o batalhão de engenharia do exército brasileiro para construir pequenos portos propiciando desta forma que os navios que levam medicação e assistência médico hospitalar às populações ribeirinhas possam aportar mais próximo delas maximizando o atendimento.
Uma outra grande falha é a falta de qualificação dos profissionais do setor. É muito bonito ver que a indústria naval regional é constituída em sua grande parte, por profissionais que aprenderam com seus pais e avós a construírem embarcações, porém, o setor evoluiu e com ele houve a necessidade da aplicação de uma tecnologia mais moderna e rápida.
Curso tecnólogos de nível superior para o setor, estão com falta de alunos , não se consegue fechar sequer uma turma. Esta faltando incentivo dos sindicatos e empresas do setor.
Então, na verdade não termos problemas. Nossos rios são em grande parte navegáveis por grandes períodos do ano. As estradas já estão construídas pela natureza. Temos profissionais no setor que só necessitam serem estimulados a quebrar paradigmas, aceitando a tecnologia como grande aliada.
Temos grande contingente de pessoas que podem ajudar a fiscalizar os rios, as embarcações, as fronteiras, a floresta etc. Por isso discordo do novo ministro do meio ambiente que quer criar uma polícia florestal para a região amazônica. Será mais um batalhão de homens custeados pelo governo, dinheiro este, pago pelos contribuintes que somos nós.

LUIZ CLAUDIO DA SILVA é consultor em logística empresarial com especialidade em transportes aéreos de cargas internacionais.

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