No Brasil não existe uma uma relação de amor e ódio entre o mundo das universidades e o ambiente empresarial: existe afastamento, divórcio prévio das consciências, mútua desconfiança, estranhamento recíproco e desavenças amplificadas. As parcas parcerias que aproximam, de quando em vez, os dois mundos se fazem mais por iniciativa pessoal de alguém que soube superar, de parte a parte, esta expectativa nefanda do que por um imperativo da racionalidade e do natural aconchego de irmãos interdependentes, navegantes no mesmo barco da vida e das fronteiras.

É bem verdade que o ideal do empreendedorismo está hoje implantado como disciplina em alguns cursos universitários, e a presença de incubadoras de empresas é uma realidade nas Academias; porém, consideradas muitas vezes até mesmo como sintoma de concorrência desleal, estas iniciativas podem algumas vezes mais prejudicar o relacionamento dos dois universos do que colaborar para uma postura comum mais distensa.

Se no Brasil ainda falta muito para que as duas culturas persigam o objetivo do encontro, nos países desenvolvidos a idéia da ação “em comunidade” é uma substância encontradiça em todos os lados. Os espanhóis, os japoneses, os franceses ou os coreanos sempre estarão mais preparados para a colaboração com paisanos que com estranhos. Venceram na luta da civilização devido a esta cultura do auxílio mútuo. E cultura não se cria em uma geração e nem se define como projeto de governo. Haver-se-ia de programar maneiras para alcançar metas e projetar objetivos comuns, sabedores de que ambos os lados só têm a ganhar com a proximidade e com a cooperação.
No nosso entender, tanto o universitário médio quanto o empresário comum possuem uma visão algo desfocada da situação. Pensa-se que um dos objetos do desejo mais buscados por quem trabalha na Universidade, em geral com vistas na etérea melhoria das condições sociais, é o pronto acesso aos recursos que aparentemente estariam facilmente disponíveis nas empresas: o capital muito.

Essa é contudo uma miragem evidente para quem conhece como pensa e age o verdadeiro empresário, em geral pouco afeito a dar ponto sem nó. Capital e investimento, afinal, são coisa séria, necessitam possuir um objeto claro e bem definido, estabelecido em função de resultados, a partir dos valores do retorno e do tempo, não sendo um exercício de aproximação a uma verdade social e relativa cujo montante cifrado em reais possa ser apenas uma eventualidade a mais.

Por outro lado, essa falta de perspectiva também pesa no lado das empresas. O empresariado infelizmente costuma olhar para o ambiente acadêmico admitindo de saída campearem por ali apenas os nefelibatas, ou seja, aqueles pensadores capazes tão-somente de andar pelas nuvens, sem maiores considerações pelos objetivos concretos do dia-a-dia, do cumprimento das obrigações diárias, de implementar os planejamentos mensais, de executar cada uma das expectativas anuais.

Se é verdade que no mundo dos negócios do Brasil poucos empresários se prestaram a envidar uma aproximação de bom grado a universidades, isto se deve a uma relativa menor dependência de cada um em relação à sobrevivência própria de cada qual. Houvesse maiores exigências do mercado e menor estabilidade funcional, ou uma concorrência mais extensa, que, hoje, a soberania dos países ainda não permite, um casamento de conveniência findaria (como acredito que findará) empurrando ambas as partes para um acordo mais estável.

Nos espaços governamentais, já houve um tempo em que se divisou a imprescindibilidade do investimento no saber. Os exemplos do investimento, por força de lei, na criação da Universidade do Estado do Amazonas ou o maior prestígio que se deu, em certo momento, ao desenvolvimento de aspectos da cultura letrada em Manaus parecem indicar uma tendência à revalorização da construção do saber. Contudo, qual o passo que deu o mundo da Academia em direção ao empresariado?
Pessoalmente fui testemunha de uma breve tentati

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