4 de março de 2021

Extrativismo esbarra em entraves

O Amazonas alcançou mais de R$ 157 mil na venda da produção de aproximadamente 994 mil unidades de madeira de tora, e quase R$ 5 mil na comercialização de cerca de 3 mil unidades de fibra de piaçava no ano passado.Os números são da pesquisa de Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (Pevs), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgada nesta quinta-feira (28), que investigou 44 produtos em todo o país, sendo 37 coletados em matas nativas (extração vegetal) e sete obtidos em florestas plantadas (silvicultura). Com este resultado, o Amazonas ficou atrás apenas dos Estados do Pará e Mato Grosso.

De acordo com o Muni Lourenço, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), esses números confirmam a importância dessas atividades e o futuro promissor desses dois segmentos para a economia local.

A produção da piaçava, segundo o presidente, possui alguns problemas pontuais, como a remuneração dos produtores. “Os preços são muito baixos e não garantem muita rentabilidade, mas é fato que a madeira e a piaçava são produtos que compõem esse leque de oportunidades no setor primário do estado do Amazonas”.

Manejo Florestal
Diferente do resto do país em que a produção de madeira de tora foi impulsionada pelo crescimento da produção de papel e celulose, por conta da silvicultura, o Amazonas, não possui produção em floresta plantada, logo, o setor madeireiro local produz diretamente para a exportação e produção de móveis.

“Nós temos grande potencial de desenvolvimento do Estado através do manejo florestal, mas para isso é importante que haja desburocratização e agilização nos processos de licenciamento do manejo florestal”, disse Lourenço.

Segundo o presidente da Faea, o processo é muito demorado e de difícil obtenção da licença para o manejo florestal no Estado, outro fator complicador, a questão da regularização fundiária que é exigida pelos órgãos fiscalizadores.

“É exigido o título da terra para a licença do manejo, e muitas vezes o produtor, o empreendedor não tem esse documento por conta da morosidade dos programas de regularização fundiária na Amazônia inteira e isso é um fato histórico. O produtor por motivo alheio a sua vontade tem a posse mas não tem a titulação porque depende do processo do órgão público competente”, explicou Lourenço.

Potencial na região Sul do AM
A região Sul do Amazonas possui uma área com alto potencial para manejo florestal e produção de madeira. Contudo, a região necessita resolver o problema da titulação da terra.

“As áreas de manejo florestal esbarram na não obtenção da licença, para completar outras áreas com grande potencial foram transformadas em Unidades de Conservação Ambiental, uma área de quase três milhões de hectares, e isso então a Faea junto com a bancada federal do Amazonas, sensibilizar o Governo Federal da importância da revisão do decreto destas unidades de conservação, não por sermos contra a preservação ambiental, mas acreditamos que podemos conciliar a expectativa ambiental mas também permitir a atividade econômica de manejo florestal que é uma atividade totalmente sustentável”, comentou o presidente.

Nacional
Com 85,2 milhões m3 e valor de R$ 5,2 bilhões, a produção de madeira em tora destinada à indústria de papel e celulose cresceu 10,8% em 2016, em comparação com o ano anterior. O estado do Paraná foi o maior produtor do setor, com 15,9 milhões m3, um aumento de 43,9% em relação a 2015. Com 3,5 milhões m3, Telêmaco Borba/PR ocupou a liderança na produção nacional. Do volume total, 80,2% vieram de áreas de plantio de eucalipto e 18,8% de florestas de pinus.

Dos R$ 18,5 bilhões do valor total de produção registrados pela pesquisa, que correspondem a um aumento de 0,8% em relação a 2015, 76,1% foram obtidos em florestas plantadas, enquanto 23,9% foram coletados em matas nativas. Desse mesmo total, os produtos madeireiros representaram 89,8% (R$ 16,7 bilhões).

O crescimento da indústria de papel e celulose contribuiu para o aumento da produção de madeira em tora, em especial no Sul do país, que representa 33,2% do total. O analista do IBGE, Winicius Wagner, explica um aspecto que teve grande relevância para esse setor: “A ampliação do parque industrial de papel e celulose no Paraná, no ano passado, alçou o estado a maior produtor nacional. Esse posto era ocupado por São Paulo, que agora está na segunda posição, com produção de 14,7 milhões m3, uma queda de 5,4%”, ressaltou. O relatório anual da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) situa os resultados da Pevs no âmbito internacional. Segundo o Ibá, em 2016, o Brasil foi o segundo país que mais produziu celulose e o oitavo maior produtor de papel.

Entre os produtos madeireiros extraídos em matas nativas, houve baixa nas quantidades de carvão vegetal (-31,7%), de lenha (-7,4%) e de madeira em tora (-7,0%). De acordo com Winicius, “essa queda nos números pode ser consequência de uma legislação ambiental mais rígida e de um maior controle dos órgãos fiscalizadores, assim como da indisponibilidade de mão de obra do setor extrativo”.

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