Extrativismo da borracha ganha fôlego nesta safra

O setor extrativista da borracha natural já comemora os resultados inaugurais das operações da Usina Borracha da Amazônia, primeira beneficiadora do látex no Estado, anunciando uma safra em torno de mil toneladas para este ano, quantidade 66,6% maior que o produzido em 2006.
Segundo dados da CVP (Cooperativa Mista dos Seringueiros da Calha do Rio Purus), a produção mensal de cernambi virgem prensado em Manicoré –município-base da produção seringalista no Estado– já perfaz 90 toneladas mensais.

Para o presidente da entidade, Adriano Frota de Melo, a atividade extrativista vem beneficiando mais de 3.600 famílias de ribeirinhos, mas poderá estimular uma adesão superior a 50 mil novos extrativistas, principalmente nas calhas e afluentes dos rios Madeira, Purus, Juruá, Solimões e Negro.

“Com o início das operações da usina, verificamos um aumento de 19 para 28 localidades interessadas em produzir borracha natural no Amazonas e a tendência é que novos municípios venham a fazer parte do ciclo produtivo”, apontou Adriano Melo.

Com investimentos superiores a R$ 1 milhão, a Usina Borracha da Amazônia vem sendo apontada como saída para ampliar a atividade extrativista no Estado, servindo como alternativa de ganhos para a população da várzea.
O sócio-proprietário da Usina Borracha da Amazônia, Alarico Cidade, disse que a abertura de 40 postos de trabalho direto em Manicoré proporcionada pela empresa e não pode ser comparada com o benefício superior a 5.000 postos de trabalho indireto gerados pelo incremento da atividade agroflorestal.

Segundo Alarico Cidade, o preço aplicado no cernambi virgem prensado, a borracha mais comum produzida no Amazonas, segue o mesmo patamar de alta do GEB-1, pois chega a alcançar até os R$ 3,20 no município de Manicoré, onde se concentra a maioria das associações agroextrativistas.

O empresário disse que sua usina paga R$ 2,00 por quilo diretamente ao seringueiro, mas a esse valor ainda são agregadas as subvenções da Prefeitura Municipal de Manicoré (R$ 0,50) e do governo do Estado (R$ 0,70).
“Nossa estimativa é de que perto das 2.000 famílias sejam beneficiadas com os preços praticados na safra deste ano”, disse Alarico.

Cooperados pleiteiam kits

Entretanto, o presidente da Cooperativa Mista dos Seringueiros da Calha do Rio Purus, Adriano Frota de Melo, disse que se o governo atual doasse os kits reivindicados pelos seringueiros no início da safra, ocorrida em meados de maio, o Amazonas teria muito mais que 3.600 famílias envolvidas na atividade.

“A inserção dos cooperados na atividade extrativa ganhou mais peso com o fim da defumação, quando se perdia cerca de três horas com o preparo da péla”, explicou o dirigente, acrescentando que atualmente os seringueiros se utilizam do leite da caxinguba, gameleira, açacu ou suco de limão para coalhar o látex.

O presidente da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), Valdelino Cavalcante, rebateu as críticas de Melo afirmando que um dos principais fatores contribuintes para o crescimento do setor extrativista local foi justamente o apoio do governo e do Executivo municipal através da subvenção com as cooperativas e associações de produtores.

Segundo Cavalcante, após as negociações com os organismos de classe e os secretários de produção extrativista, o Estado vem pagando aos seringueiros R$ 0,70 e as prefeituras R$ 0,50 por quilo, enquanto a iniciativa privada complementa a subvenção com R$ 2,00.

“Com o preço justo, o homem ribeirinho tem a oportunidade de desenvolver uma atividade que lhe ofereça garantia de sustentação e melhoria da qualidade de vida, sem a necessidade de se deslocar para os centros urbanos”, analisou o dirigente.

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