Exposição homenageia o arquiteto Severiano Porto

Estreou ontem, no Centro Cultural Palácio da Justiça, a exposição de fotografias ‘Severiano 90 Anos’, homenageando o arquiteto mineiro de Uberlândia, Severiano Mário Vieira de Magalhães Porto ou, simplesmente Severiano Porto, não por acaso cognominado de ‘Arquiteto da Amazônia’, ou ‘Arquiteto da Floresta’, afinal de contas Severiano Porto veio a Manaus, em 1963, fazer turismo e, dois anos depois, a convite do governador Arthur Cesar Ferreira Reis (1964/1967) voltou para trabalhar na reforma do palácio do governo, então no Palácio Rio Negro, e daqui só foi embora em 2001 deixando uma vasta coleção de obras que marcaram, e marcam, o imaginário do manauara.

Severiano completou 90 anos em 19 de fevereiro, morando no Rio de Janeiro, onde residia desde os cinco anos de idade, antes de vir para Manaus. Devido à idade avançada, o arquiteto não pode vir receber pessoalmente a homenagem.

‘Severiano 90 Anos’ está composta por cinco fotos da fotógrafa Selma Carvalho (sede da Suframa, mostrando detalhes do interior piramidal das coifas, do movimento contínuo dos brises-soleil, visto a partir da circulação interna do edifício, esquadrias e balcão do hall da recepção), oito imagens de Jorge Santos (sede da Suframa com as diferentes coifas de cobertura, as caixas d’água no São Raimundo e na Castelhana, e o Fórum Henoch Reis), e onze reproduções de Iuçana Mouco (painéis da extinta agência da Caixa Econômica Federal na avenida Eduardo Ribeiro, Suframa, e Igreja de Cavaco, em Rio Preto da Eva). Iuçana, idealizadora da exposição, ainda produziu jóias inspiradas nas obras de Severiano. A curadoria de ‘Severiano 90 Anos’ é da arquiteta Ana Lúcia Abrahim.

‘Severiano 90 Anos’ está composta por cinco fotos da fotógrafa Selma Carvalho

Os admiradores

O fotógrafo Jorge dos Santos disse que gosta muito de fotografar arquitetura e por esse motivo, as obras de Severiano sempre lhe chamaram muito a atenção.

“Passei a admirá-lo ainda mais depois que minha filha Luísa Santos foi cursar arquitetura e começou a escrever artigos sobre ele, o que me fez conhecer novos fatos sobre a vida do arquiteto”, disse.

Sobre as caixas d’água, olhando de baixo ninguém consegue ver que a construção tem o formato de uma flor, então a logomarca da empresa de águas Cosama. Por isso Jorge as fotografou com drone. Já no Fórum Henoch Reis chamam a atenção as paredes com elementos vazados, idealizados por Severiano exatamente em função do calor amazônico.

A designer e fotógrafa Iuçana Mouco começou a pensar a exposição em homenagem a Severiano, em 2015, após a Copa do Mundo, quando viu o Vivaldo Lima ser totalmente demolido para a construção de um novo estádio, num desrespeito à obra do arquiteto.

“Desde criança as obras de Severiano me chamavam a atenção, porque meu pai, engenheiro, falava dele sempre que passávamos por alguma delas. Quando comecei a estudar design, lia tudo o que encontrava sobre ele e fiquei fã do seu trabalho que valoriza as técnicas indígenas e caboclas de construção. Suas obras aproveitam ao máximo a iluminação natural e a ventilação ambiente, situações que só agora estamos dando valor”, falou.

Uma referência

“Severiano não é só uma referência em arquitetura. Ele é importante para todas as artes. É uma referência para a cidade e futuras gerações. Sou professora da faculdade de arquitetura e sei o quanto a gente estuda o que ele fez em Manaus, e ainda estudamos pouco, porque as obras dele começam a ser demolidas e vamos deixando de ter acesso físico àquele elemento de memória. Severiano é uma figura internacionalmente respeitada, símbolo da arquitetura amazônica, que deixamos de ter e estamos destruindo”, lamentou Ana Lúcia Abrahim.

A arquiteta calcula que, em 36 anos de Manaus, Severiano tenha concretizado umas cem obras, e muitas residências particulares.

“Possivelmente o Vivaldão, em área construída, tenha sido a sua maior obra. Apesar de termos grande número de trabalhos dele, em pé, foi muito significativa a insensibilidade do governo ao demolir o Vivaldão, mas os governos locais costumam ser insensíveis a patrimônios. Como o Estado manda destruir a obra de um arquiteto que você mesmo contratou? Achei isso de uma insensibilidade absoluta”, falou.

Para Ana Lúcia, a marca registrada de Severiano foi a utilização da madeira, inclusive em treliças e esquadrias, além de elementos decorativos também em madeira, sem falar do uso dos espaços abertos dentro da casa, para facilitar a circulação de ar.

Uma de suas obras icônicas, o Chapéu de Palha, foi lembrado pela arquiteta.

“Na minha opinião, o Chapéu de Palha, pelo uso da palha e da madeira e o espaço redondo, projetou Severiano pela originalidade no manuseio desses materiais, mas não é a sua obra de arte, porque ele tem uma série de obras, aqui e fora de Manaus, talvez até mais interessantes do que o Chapéu de Palha”, revelou.

‘Severiano 90 Anos’ tem horário de visitação de terça a sábado, das 9h às 15h, com agendamento pelo Portal da Cultura (www.cultura.am.gov.br). As obras estão disponíveis para o público em formato digital, no Portal da Cultura. A exposição fica em cartaz até o dia oito de novembro.

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