Exportar para outros mercados pode ajudar na crise

Em plena crise provocada pela pandemia da covid-19, a Cuesta Comércio Importação e Exportação, pequena indústria fundada há 22 anos de forma quase artesanal pela empresária Valéria Domingues, em Botucatu, no interior de São Paulo, comemora o que considera sua melhor decisão: ter desenvolvido uma "cultura de exportação" para manter a saúde financeira da empresa.

Principalmente nesse momento de pandemia. “Enquanto meu volume de vendas aqui no Brasil hoje é praticamente zero, minhas exportações quadruplicaram", afirma. 

A história da empreendedora, apresentada durante a live da SP Chamber, braço de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mostra como a diversificação dos negócios pode, literalmente, salvar o empreendedor num momento como o atual.  

Basta olhar o cenário: o mundo vive uma crise sem precedentes devido à epidemia do novo coronavírus. Falando apenas do Brasil, que ainda não atingiu o pico do contágio, a previsão de queda do PIB, revisada pela 14ª vez consecutiva, é de 5,12%.

Um ambiente ainda mais inóspito para os pequenos negócios: pesquisa do Sebrae aponta que 90% deles registraram queda média de quase 70% nas vendas semanais desde a implantação das medidas de isolamento social, em março.  

Com o recuo nas vendas do varejo, o aumento do desemprego e, em consequência, a diminuição da renda, restam poucas opções para as MPEs, que representam 98% das empresas no Brasil e 30% do PIB.

Mas, como sempre há uma saída, uma delas é se preparar para explorar outros mercados. Os indicadores animam: em abril, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,07 bilhões, o melhor desde 2017.

Já as receitas com exportações superaram US$ 10 bilhões, valor 25% superior a igual mês de 2019 que, além do líder agronegócio, teve a ajuda dos pequenos exportadores que apostaram na diversificação dos negócios. 

"Não dá para achar que o mercado interno vai reagir imediatamente assim que houver flexibilização", lembra Alfredo Cotait Neto, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da ACSP. "Por isso, com o mercado interno praticamente fechado, a solução é exportar."  

Fundador da SP Chamber há 20 anos, Cotait diz que capacitação é a regra do momento para preparar a participação dessas empresas para o comércio exterior, "para que este seja o grande responsável pelo escoamento da produção do pequeno e médio empreendedor em um momento de crise.” 

Usando a velha máxima de "não colocar todos os ovos numa cesta só", Maurício Manfré, assessor de negócios internacionais da SP Chamber, alerta que a exportação não deve virar alternativa só quando as coisas vão mal.

"Ela deve estar integrada à estratégia permanente da empresa, tornando-se mais um canal de vendas: quem colocou a exportações na pauta cotidiana, como a Brazilian Forest (nome da trademark da Cuesta para vender para o exterior), está indo muito bem nesse momento", reforça.   

PREPARADA PARA O PRÓXIMO CICLO

Você quer vender para 200 milhões de consumidores no Brasil ou prefere os 7 bilhões no mundo? A resposta a essa pergunta parece óbvia, mas concretizá-la não é simples. Pelo menos não foi para Valéria Domingues e sua pequena indústria de produtos naturais brasileiros, como plantas medicinais e frutas em forma de pó, extrato e cápsulas. 

Na verdade, ela precisou de muito trabalho, informação e um empurrãozinho da sorte quando um exportador passou a comprar em volumes grandes de sua empresa, que só vendia localmente e de forma artesanal.

Do primeiro anúncio no jornal, que deu "retorno zero", ao primeiro cheque em dólares pago pelo exportador, Valéria descobriu que também poderia exportar de forma direta ou mista via trading. 

"Fomos aumentando a nossa carteira de clientes ao longo desses 20 anos. Então, estar em uma posição confortável hoje, vendendo mais do que em toda a minha vida de exportação, não é resultado imediato."

Apesar do medo, da falta de dinheiro e da insegurança que surgiram ao longo desses anos, Valéria conta que o principal desafio para exportar foi a falta de informação. Por isso a importância de se capacitar sempre para conhecer países compradores, meandros para exportar e até a adequação dos produtos a outros mercados. 

"Se você está vendendo, é porque tem alguém comprando. A crise é para alguns, mas para outros não. Como a Itália, que passou por dificuldades (com a pandemia) e agora já está querendo desenvolver parcerias." 

Para os pequenos negócios que ainda não exportam, Valéria aconselha a se prepararem para o próximo ciclo pois, em sua avaliação, é em épocas de crise, quando tudo está parado, que a empresa cresce.

"Quando você está correndo, não consegue parar para pensar e se capacitar. Então, a crise é a melhor hora para se preparar para o próximo ciclo instável. E acreditem, virão muitos outros", sinaliza.

Fonte: Redação

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