16 de abril de 2021

Exportadores de carne se preocupam com efeito dominó

Por conta do embargo europeu, entidades têm enviado notas técnicas de esclarecimento sobre a questão aos países com potencial importador.

O número de fazendas aptas a exportar carne bovina in natura à União Européia, que constará em relação a ser entregue pelo governo brasileiro ao bloco europeu nesta semana, não é o mais importante agora, avaliam os exportadores do setor.
“O número não é tão importante neste momento, mas sim a equalização do reinício das negociações para evitar reações de possível efeito dominó no mercado internacional”, diz Antônio Jorge Camardelli, diretor da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne). O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento não divulgou quantas propriedades farão parte da lista.
De acordo com Ca­mardelli, por conta do embargo europeu, a ­entidade tem enviado notas téc­nicas de esclarecimento sobre a questão aos países com potencial importador que vêm procurando ­informações. Alguns deles são Israel, Irã e Egito. “O fundamental agora é que a harmonia volte e que ­sejam retomadas as ­negociações para que fique claro, no mercado internacional, que não há problemas sanitários, mas que se trata de questões técnicas e políticas”, comenta o dirigente.
Para Fabiano Tito Costa, consultor da Scot Consultoria, a demora em retomar as negociações com os europeus poderia prejudicar o andamento dos trabalhos de promoção comercial a longo prazo e também a imagem da carne brasileira nos mercados de Japão, Estados Unidos (e outros países do Nafta) e Coréia do Sul. “São mercados tão exigentes quanto a União Européia. Exportarmos para os europeus é como um cartão de visita”, comenta Costa. Ainda de acordo com o consultor, esse cenário não deve dificultar as exportações para os países emergentes.

Reação
do mercado

Apesar de o volume de negócios no mercado interno de boi gordo ainda estar baixo, os preços pagos ao produtor pelos frigoríficos tiveram reação em comparação com as duas últimas semanas, desde a data da notícia do embargo europeu.
Até ontem, houve realização de negócios de R$ 73 por arroba a R$ 75,50 por arroba em São Paulo, segundo consultorias de mercado. Na semana passada, de acordo com a Scot Consultoria, frigoríficos ofereciam de R$ 68 por arroba a R$ 72 por arroba em São Paulo. José Vicente Ferraz, diretor do Instituto FNP, diz que o nível de preços caiu menos do que o esperado logo após a notícia do embargo e que a reação está sendo rápida. Em outras praças, Mato Grosso do Sul e Tocantins, por questões de oferta ainda não houve reação de preços.

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