Exportações via fluvial cresceram 62,64%

As exportações das empresas locais pelo transporte fluvial cresceram 62,64% no período de janeiro a outubro deste ano, ao totalizarem uma cifra de US$ 1.01 bilhão FOB (Free On Board), ante o montante de US$ 621.93 milhões FOB das vendas externas realizadas nos primeiros dez meses do ano passado, conforme a planilha de controle estatístico divulgada ontem pela Alfândega do Porto de Manaus.

A motocicleta e produtos da área alimentícia, que tem apresentado um significativo crescimento de mercado neste ano foram as principais mercadorias enviadas ao exterior pelo meio fluvial. O paradoxo, quando comparado às exportações gerais do PIM, que têm apresentado queda desde o início do ano, representando 36,98% no acumulado desses primeiros nove meses, quando foram contabilizados um montante de US$ 766.87 milhões, ante o total de US$ 1.21 bilhão comercializados no mesmo intervalo de 2006 se deve ao fato de o celular, um dos produtos de maior potencial no mercado externo não fazer parte da lista de produtos enviados a outros países pela Alfândega. Os celulares locais são transportados ao mercado externo por avião.

Maiores receptores

Entre os mercados receptores da mercadorias do PIM (Pólo Industrial de Manaus), por meio fluvial, a Venezuela esteve entre os cinco maiores receptores das mercadorias da indústria local.

Ontem, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou o parecer do deputado Paulo Maluf (PP-SP), que pede a adesão da Venezuela ao Mercosul (Mercado Comum do Sul), mas essa aprovação ainda precisa passar pela análise do plenário da casa legislativa

A entrada do mercado venezuelano nesse bloco econômico está sendo tratada com cautela pelos empresários locais, que temem a possibilidade de sofrer perdas comerciais com esse país, com uma eventual adesão.

Segundo o diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, por contar com uma área de Zona Franca, o que não é aceito pela regra do bloco econômico, o Amazonas poderia ter restrições na comercialização com a Venezuela.

“A legislação que rege a Zona Franca considera essa área como terceiro país e pela norma do Mercado Comum do Sul a nação precisa ter regras comerciais igualitárias, isso poderia prejudicar as relações comerciais entre Amazonas e Venezuela”, explicou o executivo.

Para suprir essa problemática, o Itamarati está articulando negociações com o governo venezuelano para que a ZFM (Zona Franca de Manaus) possa gozar dos benefícios comerciais oferecidos por esse bloco econômico. “O governo brasileiro está negociando de forma favorável ao Amazonas, tentando justificar o porquê que a Zona Franca de Manaus precisa gozar dos benefícios concedidos pelo Mercado Comum do Sul”, informou Dutra.

De acordo com ele, em virtude dessa restrição, a Fieam está se mantendo neutra sobre o assunto da entrada do país venezuelano no Mercosul. “Estamos exportando muitos produtos a esse mercado, mesmo sem eles pertencerem ao Mercosul, então, não vejo que teríamos algum ganho com a adesão deles no bloco econômico, devido às restrições, prováveis de sofrermos, por termos uma área de Zona Franca”, justificou o executivo.

Embora o Mercosul tenha restrições aos modelos de Zona Franca, o Amazonas tem a possibilidade de conseguir alguma negociação que permita o comércio com a Venezuela e assim obter as vantagens comerciais oferecidas pelo Mercado Comum do Sul. “Em determinadas situações o governo brasileiro conseguiu por meio de negociações incluir produtos da Zona Franca de Manaus, como beneficiários do Mercosul”, disse ele.

O diretor executivo da Aceam (Associação de Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt, destacou a Venezuela como um importante mercado comercial do PIM. “Nossas vendas a esse país estão crescendo e já tem superado às nossas exportações aos americanos, então, temos que manter uma boa relação comercial com eles para manter esse crescimento”, concluiu.

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