Exploração de silvinita emperra por falta de investimentos

Após a desistência das oito empresas mineradoras em participar do leilão internacional para a exploração das reservas de potássio no Amazonas, a Petrobras vem estudando a possibilidade de diminuição dos custos de investimentos através de um levantamento promovido pelo DNPM para atrair novas empresas interessadas.
A informação do diretor do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), Fernando Lopes Burgos, consta que o órgão coordena uma análise das jazidas amazonenses, consideradas atualmente as maiores do Brasil, com o objetivo de estabelecer parcerias para viabilizar a exploração econômica. Segundo o dirigente, a grande polêmica é o pouco entusiasmo demonstrado pela Petrobras em torno da exploração do minério, o que abriu espaço para empresas privadas ou de capital estrangeiro.
No entendimento de Burgos, embora as concessões de lavra pertençam a Petrobras, se a estatal não quiser explorá-las, terá de repassá-las para uma empresa privada, por meio de licitação. “O problema é que o investimento inicial, desde a implantação até o início da produção, superaUS$ 1 bilhão, inviabilizando todos os interesses de exploração”, assegurou o geólogo, acrescentando que após o fracasso do leilão, a Petrobras se viu forçada a buscar propostas de redefinição do método de lavra.
Para o consultor ambiental Jorge Garcez, um dos grandes problemas na exploração das jazidas de potássio em Itacoatiara está no fato de a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce), atualmente uma das únicas empresas no país com recursos suficientes para pagar a cessão de direito, ser privatizada, gerando certo desconforto na imagem junto ao público.
De acordo com o consultor, ambiental uma vez concretizada a exploração das jazidas de potássio pela Vale, seriam abertos precedentes para outras empresas privadas ou até de capital internacional requerer direito de exploração sobre novas jazidas. “A saída para esse impasse estaria na reestatização da Vale do Rio Doce, o que fomentaria a permanência de investimentos na região amazônica”, asseverou Garcez.
O geólogo explicou que a produção de potássio fertilizante no país, iniciada há mais de 20 anos, atualmente se restringe à mina de Taquari-Vassouras, localizada no município de Rosário do Catete, em Sergipe.
Jorge Garcez explicou que a exploração do minério esteve, inicialmente, a cargo da Petrobras Mineração até outubro de 1991, quando após a liquidação da mineradora por força de medidas do Executivo federal, todos os direitos minerários passaram para a Petrobras, através de cessão de direitos.

Vale se fortalece no mundo

“A Petrobras, então, concedeu esses direitos a CVRD por um prazo de 25 anos. Acontece que, após sua privatização, em 1997, a Vale se fortaleceu no mundo inteiro, por isso seria interessante se pensar que a exploração da maior jazida de potássio do país fosse feita por uma estatal”, ressaltou Garcez.
Mas na opinião da base aliada do governo do Estado, não há problema algum quanto à exploração da silvinita amazônica por empresas de capital estrangeiro. Segundo o deputado Nelson Azedo (PMDB), o que falta é a ampliação da matriz energética para o município de Itacoatiara e maiores investimentos portuários que viabilizariam o escoamento da produção.
A opinião de Azedo é partilhada com a do secretário- executivo de geodiversidade e recursos hídricos da SDS (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), Daniel Nava, para quem é muito mais importante o desenvolvimento de uma responsabilidade ambiental na exploração, do que se pensar na origem do capital da empresa concessionária.
“Infelizmente, confiamos que a inviabilidade da exploração, hoje causada pela falta de energia suficiente, adequação de portos, infra-estrutura da cidade e formação de pessoal, seja logo suprimida, uma vez que o Brasil importa 85% do cloreto de potássio que consome. Os 15% restantes vêm da mina de Sergipe”, esclareceu Nava.

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