Expectativas do comércio no terceiro ciclo de reabertura

Os lojistas se dividem quanto às expectativas para esse terceiro ciclo de reabertura de comércio e serviços de Manaus, que se iniciou nesta segunda (29). Alguns acreditam que o forte da demanda – fortalecida por estímulos governamentais – já se esvaiu nos dois primeiros ciclos. Outros, avaliam que será um período de consolidação das vendas dos setores, graças à abertura do leque de segmentos e outros incentivos no calendário.  

Estão inclusos nesta nova fase os segmentos varejistas de artesanato suvenires; de doces e chocolates; de artigos de caça, pesca e camping; de fogos de artifício; de objetos de arte; e de armas e munições. Salões de beleza e academias de ginástica, assim como parques públicos, também voltaram a abrir suas portas ontem. 

No entendimento do presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Souza Lima, o setor não está vendo essa nova fase com tanto otimismo assim e alguns empresários estão até sentindo retração nas vendas. O dirigente atribui essa perda de fôlego ao esgotamento do alcance inicial das liberações de FGTS, auxílio emergencial e das duas parcelas do 13º salário. O dirigente pondera, no entanto, que alguns segmentos podem ter desempenho melhor, por estarem voltados para públicos de maior renda.

“Muitos empresários que falam comigo dizem que o pessoal já deve ter gastado o dinheiro todo. O amazonense é muito consumista e o que mais se viu nesse mês foram filas na porta de quinquilharias importadas. O problema é que muita gente já fechou as portas antes e talvez os que abriram agora não tenham como se segurar mais tempo. Nos shoppings, já se vê muitos pontos que já foram devolvidos. Talvez as coisas sejam melhores para academias e salões de beleza, pois ainda há muita demanda reprimida aí”, ponderou. 

“Prova de fogo”

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, diz que o terceiro ciclo vai ser a prova de fogo para o comércio e os serviços de Manaus. Isso porque será um momento em que ambos estarão mais próximos “do normal” e com locais de maior potencial contato físico – e potencial para contaminação – recebendo clientes. Para o dirigente, o primeiro e o segundo ciclos foram positivos para os setores, na medida do possível, mas ainda muito focados nas compras de poder aquisitivo mais baixo. 

“A irrigação de dinheiro que o governo federal fez com o auxílio emergencial funcionou muito bem e muitas lojas de bairro e do Centro estão tendo vendas acima do esperado nesse primeiro mês de reabertura. Vamos aguardar para ver como vai ser em julho. Meu sentimento é que, enquanto fluírem recursos a fundo perdido, é possível que o comércio reaja mais rápido. O problema todo vai ser quando acabar esse dinheiro: como vai ficar o varejo e os empregos?”, questionou.

“Alma nova”

Já o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Amazonas), Aderson Frota, avalia que os dois primeiros ciclos serviram para trazer alívio aos empresários e serviram como ensaio de retomada para as lojas. O dirigente destaca que, embora as vendas não tenham encostado nos números projetados no período pré-pandemia – quando o varejo comemorava altas de vendas e de contratações –, as perspectivas seguem positivas para os próximos meses, embora a recuperação deva vir em passos lentos.

“Conversei com mais de 20 empresários e as impressões foram as melhores. Os segmentos de calçados e confecções, por exemplo, festejaram. É claro que muita gente foi para a rua simplesmente para fugir do tédio de ficar em casa, e não para comprar. Mas, estamos entrando neste terceiro ciclo com alma nova. Especialmente porque segmentos fortes do setor de serviços voltam a funcionar. A construção civil está se recuperando lentamente e o governo estadual está injetando R$ 230 milhões na economia, por meio do pagamento da primeira parcela do 13º do funcionalismo, o que deve ajudar na demanda”, afiançou.

Otimismo cauteloso

Na mesma linha, o proprietário do salão de beleza Miro Coiffeur Casimiro de Oliveira, também concorda que a simples possibilidade de voltar a receber clientes, após amargar três meses seguidos de portas fechadas e contas chegando, não deixa de ser um alívio. O empresário, contudo, manifesta alguma cautela em seu otimismo em relação à capacidade de reação da demanda, e não deixa de lamentar a suspensão temporária e involuntária de suas atividades, a partir do final de março. 

“Vamos esperar que dê tudo certo e começar a melhorar. Estamos começando agora, pois até sábado [27] estava tudo fechado. Acho que não precisava ficar todo esse tempo parado. Quem estava doente deveria ficar em casa e deixar quem tivesse saúde trabalhar. Tive muito prejuízo nesse tempo parado e 90% do que a gente ganhava foi embora. Tomara que melhore e dê tudo certo. Vamos torcer para o pessoal vir cortar o cabelo e ajeitar tudo”, disse o empresário Casimiro de Oliveira.    

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