1 de julho de 2022
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Expectativa para safra de grãos 2021/2022 é revisada para baixo

A Conab revisou para baixo suas projeções para a safra de grãos 2021/2022 do Amazonas, em junho. A expectativa agora é que a produção não passe de 47.800 toneladas, quantidade 2,6% inferior à projetada e confirmada pela Companhia de Abastecimento Nacional nos últimos quatro meses (56.000). Caso o prognóstico se confirme, o resultado ficará 12,5% abaixo do patamar registrado na safra de 2020/2021 (54.600 toneladas). O Estado foi na direção contrária da região Norte e da média brasileira, que tiveram suas estimativas corrigidas para cima.

As apostas para a soja (+4,7% e 13.500 toneladas) foram mantidas no nono levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento, mas já se espera um crescimento mais modesto para o milho (+3% e 23.800 toneladas), que até então vinha com projeções de alta na casa dos dois dígitos. O índice de queda aguardado para o arroz aumentou para 50% e a estimativa agora é que a safra não passe das 8.100 toneladas – contra as 16.200 do período anterior. O cálculo para o feijão foi mantido em 2.400 toneladas, sinalizando empate com a safra de 2020/2021.

Com isso, a área de plantio e a produtividade da safra de grãos do Amazonas também trocaram de sinal. A primeira foi corrigida de 22.700 para 19.600 hectares, o que sinaliza um tombo de 9,7% na comparação com os resultados somados em setembro do ano passado (21.700 toneladas). O maior impacto veio do milho (-50%). A segunda deve sofrer recuo 3,1%, ao passar de 2.516 para 2.439 quilogramas por hectare no mesmo período, segundo a Conab. Entre as quatro culturas listadas, o pior resultado vem do milho (-3,8%).

De acordo com o levantamento para a atual safra, o índice de crescimento do Estado caiu do 20º para o penúltimo lugar do ranking nacional, ficando atrás das crescentes médias brasileira (+6,2%) e da região Norte (+14,1%). Ficou na frente apenas do Rio Grande do Sul (-35,5%) e logo atrás de Santa Catarina (-4,5%). Em termos de taxa de aumento na área de cultivo, o Amazonas aparece com número ainda pior, despencando da 13ª para a última posição. O mesmo se deu na produtividade, com o Estado passando da 16ª para a 20ª colocação, em um rol com oito desempenhos negativos em todo o país.

“Questão climática”

A Conab informa que a semeadura de arroz foi “tardia” no Amazonas, em função do “excesso de chuvas” e ainda se encontra “nas fases iniciais de desenvolvimento vegetativo”. Vale destacar que a expectativa para a safra brasileira de arroz também é negativa, tanto em área plantada (-3,5% e 1.62 milhão de hectares), quanto na produção (-9,9% e 10,60 milhões de toneladas). A previsão para a safra de arroz de sequeiro (-15,1% e 317,7 mil hectares), que a modalidade cultivada no Estado, é ainda pior em todo o país.

“A questão climática no Brasil mostrou ressalva para regiões que apresentavam estresse hídrico e agora mostraram-se em situação de excesso de precipitações, dependendo da região, e que pode ter comprometido o desempenho. Contudo, foi registrada diminuição nas precipitações, na última quinzena do mês. Apesar da diminuição da temperatura no Centro-Sul, e até relatos de geadas no Sul, a condição climática esteve favorável para a colheita do arroz”, ponderou a estatal, no texto do levantamento.

No caso da produção de milho no Amazonas, a Conab informa apenas que, no momento, “a cultura se encontra em desenvolvimento vegetativo”. Não há menções sobre o desempenho do cultivo de feijão e soja no Estado. Em matérias anteriores do Jornal do Commercio, a estatal informou que a produção estadual de milho se concentra principalmente em Manacapuru e Boca do Acre, onde está o maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração. A soja vem de Humaitá, na Fazenda Santa Rita. O arroz tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira. O feijão, por outro lado, é cultivado na calha do rio Purus – em especial, Lábrea e Boca do Acre.

“Perspectivas de crescimento”

O cálculo mais conservador da Conab surpreendeu o setor. O consenso era que a safra atual estava garantida e que as preocupações se concentravam a partir da próxima, em face da escassez dos fertilizantes. O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, concorda que o excesso de chuvas impactou na produção, mas reforça que a percepção do setor privado é que milho e soja demonstram perspectivas de crescimento na região. Segundo o dirigente, a “eventual redução” do arroz poderia se dar por motivos comerciais, com os investimentos sendo redirecionados para outra cultura com mais valorização de mercado, no momento.

“É fato que a produção de grãos em nosso Estado enfrenta desafios para sua expansão, principalmente as questões relativas à regularização fundiária e acesso a licenciamento ambiental. A produção de grãos deve ser estimulada em nosso Estado, em especial, nas áreas vocacionadas do Sul do Estado, pois precisamos diminuir a dependência de produtos importados de outros Estados e reduzir o custo de rações”, recomendou. 

“Floresta em pé”

Na mesma linha, o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, prefere focar no longo prazo e lembra que a produção de grãos do Estado foi de 38.700 toneladas em 2019 – ano inicial da atual gestão do órgão estadual. O secretário estadual pontua que, daquele ano até o atual, houve um salto de 24% na produção, quando comparado às 47.800 toneladas aguardadas para a presente safra. 

“Entendo que a redução do arroz ainda será revista. Embora estejamos no bioma amazônico, temos áreas de campos naturais com potencial para produção de grãos e pecuária sustentável. Não só o Brasil, mas o mundo, precisa conhecer nossa imensidão territorial, diversidade cultural e edafoclimática [relativo ao clima e ao solo]. Temos tecnologias de produção, em especial da Embrapa, para que o nosso Estado possa produzir alimentos e manter a floresta em pé para a sobrevivência do planeta”, asseverou. 

“Freio de mão”

Já o ex-superintendente da Conab e administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, Thomaz Meirelles, questionou os números e reforçou a necessidade de retorno das reuniões do GCEA, grupo que reúne vários órgãos públicos e que foi criado para avaliar os números da agropecuária do Amazonas, para melhor análise do setor. 

“É fato que estamos crescendo, é só ver os números de quatro anos atrás, e os de hoje, mesmo revisados para baixo. Quanto ao arroz, não consigo entender, mas deve ter justificativa, cair uma previsão de 16.200 para 8.100 toneladas. Isso é preciso ficar bem claro. A própria Conab poderia estimular a volta desse grupo, que foi criado nacionalmente. Por fim, continuo dizendo que o grande problema de avançarmos lentamente se deve a questões de regularização fundiária e licenciamento ambiental, sem os quais o produtor rural não acesso o crédito rural. É o nosso freio de mão, que ninguém resolve”, concluiu.

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